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Um espião não faz a Guerra Fria

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Entornointeligente.com / Quando os serviços secretos britânicos decidiram em 1993 abrir os arquivos da era vitoriana ( grosso modo , o século XIX), as páginas dos jornais londrinos encheram-se de rocambolescas histórias de espionagem e de episódios curiosos de compra de influência pelo Império, como a oferta de um elefante indiano ao imperador da Etiópia. Um dos documentos revelava um pagamento de duas libras a um diplomata em Génova, numa Itália recém-reunificada, por “informação naval atualizada”, verba que hoje equivaleria a 135 libras ou 160 euros – nunca foi pago, afinal o espião limitara-se a copiar o que lera na imprensa.

A espionagem é, pois, bem mais antiga do que a Guerra Fria, na verdade bem mais antiga até do que a Inglaterra da rainha Vitória (chineses e egípcios disputam a invenção, segundo alguns autores). E continuou bem ativa depois da queda do Muro de Berlim em 1989 e da desagregação da União Soviética dois anos depois, como comprova o capitão-de-fragata italiano apanhado agora em flagrante a vender informação à Rússia por cinco mil euros. Oh! Itália e navios outra vez, dirão os que conheciam a história do espião amador de Génova há mais de um século e já descontando a inflação. Também alguns se lembrarão do espião português mais recentemente surpreendido numa esplanada de Roma com um russo e que acabou condenado por venda de informação. Oh! Itália outra vez.

Não falta quem veja a Itália, sempre senhora de si, como um amigo da Rússia na NATO e na União Europeia, às quais o Kremlin gostaria de pôr fim. Daí até ser um cavalo de Troia de Vladimir Putin vai um grande exagero, por muito que os governantes italianos não apreciem sanções económicas contra Moscovo e até pressionem para se autorizar a Sputnik para acelerar o processo de vacinação contra a covid-19. Diria que este caso aconteceu em Itália como poderia ter acontecido noutro pais – há dias foi a Bulgária a expulsar diplomatas russos por suspeita de serem espiões. E esqueçamos para o caso os livros de John Le Carré sobre a Guerra Fria e pensemos sobretudo nos que escreveu depois do fim desta.

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Subscrever É que apesar do desconforto que a atual política externa russa causa à Ucrânia e à Geórgia, e até a alguns países da NATO como a Polónia ou o trio báltico, não faz nada sentido falar-se de uma nova Guerra Fria. Do tempo da União Soviética, o Kremlin mantém toda a pujança do arsenal nuclear, mas a sua economia hoje vale mais ou menos o mesmo que a da Itália (Oh! Lá está ela, a bela, outra vez). E, sobretudo, falta aos líderes russos uma ideologia, como era o caso do comunismo, para oferecer como alternativa à ordem liberal americana. Quando muito virá da China um modelo alternativo, mas mesmo assim a competição entre Pequim e Washington não se parecerá nunca com a que existiu entre Moscovo e Washington.

Os Estados lutam pelos seus interesses como podem. E nessa luta a espionagem é um dos meios, usada contra inimigos como contra amigos. Ainda há um ano se falava de a Mossad ser chamada a entrar na luta contra a pandemia e agora vê-se Israel a liderar na vacinação. Por isso, por muito grave que seja vender informação ao Kremlin, e isso também já o era no tempo de Estaline como no dos czares, não se use agora este episódio para insistir no regresso da Guerra Fria. O nosso mundo já não é o que acabou em 1991, é muito mais complicado.

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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