Turismo. Quando o alojamento local começa a rebentar pelas costuras - EntornoInteligente
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O Airbnb está a destruir as capitais culturais europeias? Esta é uma das várias questões colocadas pelo Financial Times, considerando que o alojamento local é uma tendência cada vez maior em várias partes do mundo, o que obriga as grandes cidades a mudanças com o principal objetivo de se adaptarem a esta realidade que tem ganho cada vez mais adeptos. Lisboa não escapa a esta tendência e é dada como exemplo deste fenómeno, que continua em crescimento.

O jornal falou com “o dono de um dos últimos cafés tradicionais de Alfama, o bairro histórico da capital”, Bruno Romão. A publicação afirma ainda que “todos os outros são restaurantes”. E porquê? É que, segundo o Financial Times, é este género de estabelecimentos que os turistas preferem. E é aqui que surge a adaptação das cidades de que fala o artigo: Bruno Romão abriu, ao lado do seu café tradicional, um espaço de refeições.

O alojamento local, refere o jornal, é o grande responsável pela subida do preço das casas.

Mas as preocupações do centro histórico de Lisboa vão muito além de Alfama. Aliás, uma das freguesias mais afetadas pela expansão do alojamento local é Santa Maria Maior. Em abril, na cerimónia que marcou o primeiro aniversário da iniciativa “Os Rostos dos Despejos” – cujo objetivo é denunciar os despejos no centro histórico de Lisboa a favor do alojamento local –, o presidente da junta de freguesia, Miguel Coelho, anunciou números que considerou alarmantes: em 2013, aquela freguesia contava com 43 alojamentos locais. Seis anos depois, o número chegou aos 4498, o que, segundo o autarca, significa um incremento de 92%. No mesmo período de tempo, Santa Maria Maior já perdeu 20% da população.

Lisboa é, aliás, a cidade que lidera o topo da lista das cidades europeias com o maior número de casas transformadas em alojamento local. Os números são da Moody’s, que refere que “a procura de arrendamento por turistas nas áreas urbanas está a impulsionar o mercado imobiliário. Entre as principais cidades estão Lisboa, Paris e Amesterdão, com as maiores parcelas de casas usadas pelo Airbnb”. O mesmo estudo indica que em Lisboa existem cerca de 33 casas de Airbnb por cada mil habitantes.

Opiniões diferentes Ainda assim, nem todos consideram que o alojamento local seja o responsável por vários problemas, com destaque para a habitação. Pelo menos foi essa a opinião dada ao i, em junho, por Ana Jacinto, secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (Ahresp). “Estes desconfortos e estas críticas ao alojamento local são completamente despropositados, do meu ponto de vista, porque as críticas surgem sempre de duas formas: temos muito alojamento local e não temos imóveis para habitação”, disse, garantindo que a falta de habitação não está relacionada com o alojamento local. “O que aconteceu é que as pessoas se esqueceram que houve uma alteração legislativa à lei do arrendamento urbano antes deste boom do alojamento local”, defende.

Alojamento local vs. arrendamento habitacional Mas, a pouco e pouco, os investidores vão desistindo deste negócio. A garantia foi dada à Lusa por Eduardo Miranda, presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal, ao lembrar que a prestação de serviços para o alojamento local é “muito exigente” e, por isso, há centenas de operadores que tencionam mudar o seu negócio para arrendamento habitacional. “Temos aqui um potencial, se calhar mais de um milhar de casas, para de forma natural, imediata, no dia seguinte, se criarmos as condições, poder migrar e fazer um trabalho que nem sequer a câmara consegue de, de um ano para o outro, apresentar 2 mil casas para arrendamento”, disse o responsável. Para fazer aumentar a oferta de habitação, Eduardo Miranda considera que a transição para arrendamento permanente “é uma oportunidade enorme”.

Cidades europeias pedem ajuda A verdade é que o alojamento local, através de plataformas como o Airbnb, tomou proporções de tal forma gigantescas que dez cidades europeias tomaram a iniciativa de enviar uma carta à União Europeia a pedir que tente combater de forma mais empenhada a expansão dessas mesmas plataformas.

A carta foi enviada por Amesterdão, Barcelona, Berlim, Bordéus, Bruxelas, Cracóvia, Munique, Paris, Valência e Viena, que garantem estar preocupadas com o “crescimento explosivo” destas plataformas. “Tememos que os lares necessários para que os moradores morem e trabalhem nas nossas cidades sejam cada vez mais considerados um mercado de aluguer para turistas”, lê-se na carta, onde é relatada uma “grave escassez de moradias” nas cidades europeias. “As ameaças e riscos para a configuração social e habitável das nossas cidades são evidentes”, defendem.

 

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