Setor agro faz governo mudar de tom em 48 horas - EntornoInteligente
Entornointeligente.com /

BRASÍLIA — A reação do governo à crise causada pelos incêndios na Amazônia foi costurada em 48 horas. As ações concretas para conter o fogo e o tom mais ameno usado pelo presidente Jair Bolsonaro estão acompanhados do temor de uma retaliação global contra produtos brasileiros , principalmente do agronegócio.

Enquanto Bolsonaro culpava ONGs , naturalizava a queimada e cobrava a responsabilidade de governadores , produtores rurais procuraram o governo para demonstrar preocupação com o impacto dos incêndios e da reação do Palácio do Planalto sobre as exportações brasileiras, especialmente as destinadas aos países europeus. Integrantes do governo iniciaram uma série de extensas reuniões, desde a última quarta-feira, para discutir uma saída para a crise.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina , atuou diretamente na articulação para que a repercussão internacional não prejudique os produtores brasileiros. Ela levou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles , para uma reunião na Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), na quarta-feira.

Naquele mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro havia acusado governadores da Região Norte de serem “coniventes” com o aumento de desmatamento e queimadas:

— Tem governo estadual que não fez nada, e pode fazer.

Sob tensão, o encontro de Salles com os produtores rurais teve “clima bastante pesado”, segundo relato de fontes que participaram da reunião. Os agricultores foram direto ao assunto: estava cada vez mais real a possibilidade de uma retaliação generalizada contra produtos brasileiros , afetando as exportações e com efeitos em todo o mercado agrícola nacional . E cobraram uma resposta imediata de Salles. O ministro, porém, adotou uma postura reativa, sem apresentação de medidas concretas, irritando os representantes do agronegócio.

PUBLICIDADE Na quinta-feira, o governo chegou à conclusão de que é preciso intensificar as medidas para melhorar a imagem do Brasil. Os diplomatas e adidos agrícolas no exterior ficaram encarregados de convencer a comunidade internacional que o país respeita e cumpre as normas ambientais .

Na sexta-feira, o governo anunciou medidas de combates às queimadas na Amazônia, e Bolsonaro foi à TV dizer que a “proteção da floresta é nosso dever” , mas afirmando que há incêndios em todo o mundo:

— Incêndios florestais existem em todo o mundo e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais. O Brasil continuará sendo, como foi até hoje, um país amigo de todos e responsável pela proteção da sua Floresta Amazônica.

O governo decidiu atuar para divulgar de maneira maciça as ações das Forças Armadas na Amazônia Legal. A primeira equipe que sairá hoje de Brasília para Porto Velho é formada por 30 bombeiros e 18 integrantes da comunicação das Forças Armadas.

LINK ORIGINAL: OGlobo

Entornointeligente.com

Nota de Prensa VIP

Smart Reputation

164312