Setúbal. Luís Montenegro acusa PS de «abusar da maioria absoluta»

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O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro acusou hoje o PS de «abusar da maioria absoluta» e de parecer querer «esconder alguma coisa» no caso do envolvimento de russos no acolhimento de refugiados ucranianos em Setúbal.

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«Sim, há um abuso da maioria absoluta quando o PS inviabiliza no parlamento que se ouça o presidente da Câmara Municipal de Setúbal, a senhora embaixadora da Ucrânia e os senhores diretores do SEF e dos Serviços de Informação para se poder escalpelizar e esclarecer todas as dimensões de conhecimento de instituições públicas a propósito da pretensa violação de dados pessoais de refugiados de guerra e das suas famílias», disse o social-democrata, no final de um encontro com militantes na sede do PSD, no Porto.

Considerando que a oposição não pode deixar passar o assunto em claro, o antigo líder parlamentar do PSD defendeu a constituição de um inquérito parlamentar constituído de uma forma potestativa pelos partidos da oposição porque, dessa maneira, não pode ser inviabilizado pelo PS.

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Subscrever Como, acrescentou, não podem ser inviabilizadas audições que sejam consideradas fundamentais para o apuramento da verdade.

«Mais, eu até acho que é possível fazer esse trabalho com muita celeridade e fixando um prazo curto para que se possa apurar todas as responsabilidades», entendeu.

Luís Montenegro referiu que 90 dias é um prazo «mais do que razoável» para que uma comissão de inquérito possa instalar-se, desenvolver o seu trabalho e tirar as suas conclusões.

Esta tomada de posição por parte do PS mostra que parece querer «esconder alguma coisa» e ter «algum receio» que se venha a saber algo que ainda não se sabe, sublinhou.

«Porque se não houvesse receio não era possível sequer eu estar a falar de inquérito parlamentar. O parlamento fazia o seu escrutínio, ouvia as pessoas que deviam ser ouvidas e tirava as suas conclusões», frisou.

E depois, ressalvou, o país também apreciaria a responsabilidade daqueles que intervieram neste dossiê.

Luís Montenegro afirmou que todos os atores políticos, a começar pelo Presidente da República e passando pelos membros do Governo e pelos vários partidos políticos, querem «objetivamente» saber o que é que se passa.

«Portanto, desse ponto de vista eu creio que este processo demonstra ainda mais o que é que está hoje a fazer falta na política portuguesa em termos de capacidade de escrutínio e fiscalização da ação do Governo», concluiu.

A Federação Russa lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia com invasão por forças terrestres e bombardeamentos.

Em 29 de abril, o jornal Expresso noticiou que refugiados ucranianos foram recebidos em Setúbal por russos ligados ao regime de Vladimir Putin.

Posteriormente, em 06 de maio, o PS chumbou a audição no parlamento do presidente da Câmara de Setúbal, cujos requerimentos foram apresentados pelo PSD, Chega, IL e PAN e chumbados com os votos contra dos deputados do PS e os votos favoráveis dos restantes partidos, incluindo o PCP.

Rejeitados também, com o voto contra do PS, acabaram os requerimentos para ouvir a embaixadora da Ucrânia, a secretária-geral do Sistema de Informações da República e o diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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