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Sem oferta no leilão da Cedae, Zona Oeste do Rio sofre com a falta d'água

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Entornointeligente.com / O pedreiro desempregado Joel Ferreira, de 54 anos, abre o registro, liga a bomba e, mesmo assim, da bica do quintal, não sai uma gota de água. Todas as torneiras do imóvel estão secas desde a madrugada de segunda-feira, quando ele ouviu, pela última vez, barulho nos canos. É assim, ouvindo os canos, que Joel sabe se será mais um dia em que vai percorrer quilômetros até a casa da filha, onde buscará o líquido precioso para sobreviver e limpar a casa. A família mora no loteamento Jardim Maravilha, em Guaratiba. Lá, dias de abundância são aqueles em que fortes chuvas inundam as construções pobres, erguidas sobre uma rede de drenagem precária.

— Já ficamos 17 dias sem água. Quando é assim, tenho que buscar água num poço que construí num terreno da minha filha, no Caminho da Pedreira — conta.

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O drama enfrentado por Joel, em um loteamento irregular em processo de legalização na prefeitura, não tem data para terminar. Na sexta-feira, em São Paulo, durante o leilão da Cedae, o chamado Bloco 3, que contemplaria 22 bairros da Zona Oeste (exceto Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá) com rede de água, não teve interessados. Nesses locais, o esgoto já foi privatizado em 2012, o que melhorou os indicadores sanitários, ainda longe de serem ideais. No lote, estavam ainda os municípios de Piraí, Rio Claro, Itaguaí, Paracambi, Seropédica e Pinheiral, que, além da água, teriam o esgoto tratado. O consórcio Aegea, único a fazer uma oferta, retirou a proposta.

 

A história da Cedae em imagens A favela de Manguinhos cresceu em volta de adutora da Cedag, que atualmente é a Cedae Foto: Athayde dos Santos / Agência O Globo – 19/01/1966 Obras da ainda Companhia Estadual de Águas da Guanabara (Cedag), empresa que antecedeu a Cedae. Foto: Arquivo / Agência O Globo – 19/01/1966 O então governador da Guanabara Raphael de Almeida Magalhães inspeciona usina de alto recalque do Guandu, que havia sido inundada em consequência do rompimento da segunda adutora de Lajes Foto: Arquivo / Agência O Globo – 20/05/1964 Operários concluindo a concretagem do segundo bloco e dando os últimos retoques na soldagem de nova adutora do Guandu, para poder abastecer alguns bairros do Rio Foto: Arquivo / Agência O Globo – 19/01/1966 Carlos Lacerda, então governador do estado da Guanabara, visita a construção da adutora do Guandu, no trecho Lameirão, em janeiro de 1964 Foto: Arquivo / Agência O Globo – 23/01/1964 Pular PUBLICIDADE O então governador do estado da Guanabara, Negrão de Lima, durante a inauguração da adutora do Guandu, em abril de 1966. Primeira etapa da maior estação de tratamento de água do mundo foi inaugurada em agosto de 1955. De lá pra cá, a despreocupação com sua manutenção, falta e investimentos e apadrinhamentos políticos trouxeram à Cedae a maior crise de sua história Foto: Arquivo / Agência O Globo – 04/04/1966 Inauguração do conjunto de obras da Cedag, a atual Cedae. Após descerrar a placa de inauguração, o governador Chagas Freit acionou a Nova Elevatória de Alto Recalque do Sistema Gunadu, pondo em funcionamento um grande complexo para aumentar o abastecimento de água da cidade em um bilhão de litros diários Foto: Eurico Dantas / Agência O Globo – 26/07/1974 O governador Chagas Freitas, ao lado do cardeal Eugênio Sales, inaugurou a nova estação de tratamento do Gaundu, que aumentava de 24 mil para 40 mil litros por segundo. A promessa era de adequar a capacidade do sistema, visando garantir até o ano 2000, o abastecimento do Rio e dos municípios da Baixada Fluminense Foto: Arquivo / Agência O Globo – 10/10/1982 Estação de Tratamento de Água (ETA), às margens da Lagoa de Juturnaíba, em Araruama. Os primeiros passos efetivos para a privatização da Cedae foram dados em 1998 com o começo da concessão do serviço como aconteceu na Região dos Lagos e outras cidades do estado Foto: Divulgação / Prolagos Reforma do reservatório da Cedae com capacidade para 17 milhões de litros de água, em Bangu, Zona Oeste do Rio, construído para regularizar abastecimento para 150 mil pessoas. As primeiras comunidades a serem beneficiadas são as de Parque Real, Parque Liberal e Santo André Foto: Zeca Fonseca / Agência O Globo – 08/09/1999 Pular PUBLICIDADE Revolta com a demora da Cedae para atender reclamações sobre o entupimento da rede de esgoto da Rua Mello Matos, na Tijuca — a primeira queixa, de uma série de 60 aproximadamente, foi feita no início de setembro de 2000 Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 27/09/2000 Esgoto bruto da Cedae lançado na Lagoa Rodrigo de Freitas por uma galeria pluvial da Prefeitura perto do acesso ao Túnel Rebouças Foto: Ricardo Leoni / Agência O Globo – 23/03/2000 O então diretor de operações especiais da Cesar, Fábio Guedes, bebe água tratada do Guandu Foto: Wania Corredo / Agência O Globo – 15/11/2001 Theophilo Benedicto Ottoni Netto, professor do Laboratório de Hidrologia da UERJ; Adactor Benedicto Ottoni, também da UERJ; Fernado Pelegrino, presidente da Faperj; Flávio Guedes, diretor da Cedae; e Alberto Gomes, presidente da estatal, observam maquete de projeto que visa a diminuir a poluição no Guandu, em foto de novembro de 2001, durante o governo de Anthony Garotinho Foto: Gabriel de Paiva /   Alcione Duarte, diretor de Tratamento e Produção, exibe amostras da água captada pela Cedae do rio Guandu, em janeiro de 2003, quando as chuvas de verão deixaram a água do rio cheia de lama e lixo, dificultando o tratamento e reduzindo a capacidade da estação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 30/01/2003 Pular PUBLICIDADE Estação de tratamento de água (ETA) do Guandu, em Nova Iguaçu, é a principalbarragem principal do rio Paraíba do Sul Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo – 29/10/2015 Estação atende os municípios de Nilópolis, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Itaguaí, Queimados e Rio de Janeiro Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo Estacão de tratamento Alegria, no Caju Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Estação de Tratamento em São Gonçalo ainda em obras Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 03/03/2021 Inaugurada em 1955, a ETA Guandu é a maior estação de tratamento de água do mundo, reconhecida, inclusive, pelo Livro dos Recordes Guinness Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2017 Pular PUBLICIDADE Em foto de novembro de 2001, a ETA do Guandu, quando teve problemas com a qualidade e o abastecimento de água devido à poluição do rio. Da água fornecida pela estatal, 75% são para o município do Rio Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2001 Cedae dá lucro, mas investimento é deficitário. A maior estação de tratamento de esgoto do Estado, a ETE Alegria, inaugurada em 2009, já tem parte do maquinário fora de operação por falta de manutenção e modernização Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 05/06/2019 Por falta de manutenção e modernização das três centrífugas, apenas uma está em operação, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria Foto: Divulgação / Agência O Globo Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, dois dos cinco motores responsáveis pelo bombeamento da água à espera de manutenção, depois de anos sem funcionar Foto: Hélio Marcos Ossola Cordeiro / Divulgação – 30/04/2019 Esgoto na represa do Rio Guandu, onde a água distribuída pela Cedae é captada Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo – 15/01/2020 Pular PUBLICIDADE Professores da UFRJ divulgaram nota alertando que "há uma ameaça real à segurança hídrica da Região Metropolitana do Rio", devido ao despejo de esgoto nos rios dos Poços, Queimados e Ipiranga, afluentes que desaguam a menos de 50 m da captação da Cedae Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo Caso de polícia. Polícia Militar fez guarda em frente à Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu à espera do então governador Wilson Witzel, durante a crise da geosmina, dois meses antes da pandemia do coronavírus Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo – 23/01/2020 Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu. Cedae obteve em 2019 lucro líquido recorde de R$ 832,3 milhões. Dinheiro, no entanto, não é reinvestido no sistema Guandu, segundo especialistas ouvidos por O GLOBO Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2017 A última crise da companhia aconteceu pelo cor escura e cheiro e gosto fortes. A Cedae culpou a geosmina pelos problemas causados à população Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo – 16/11/2017 Bombas pulverizam o carvão ativado em um dos tanques da ETA, em janeiro de 2020, para combater a crise da geosmina Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo – 23/01/2020 Pular PUBLICIDADE Imagem aérea da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu mostra tanques com água esverdeada, misturada com lama, em janeiro de 2020 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo – 16/01/2020 O bloco, que virou uma espécie de “patinho feio” da concessão, previa o menor lance mínimo (R$ 908,1 milhões), mas os concessionários teriam que investir maciçamente para retirar o atraso da localidade em relação a outras do estado. A Zona Oeste, que concentra mais de 25% da população carioca, tem uma densidade demográfica de 2.627 habitantes por quilômetro quadrado, o equivalente à metade da média do Rio (5.265,82). Dos mais de 200 rios da capital, a maioria fica na região e despeja esgoto sem tratamento que agrava a poluição da Baía de Sepetiba. A ação das milícias também prejudica a oferta de serviços públicos.

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O mesmo vazio pode ser constatado na cidade de Itaguaí, que fica na vizinhança: com cerca de 30 mil habitantes (estimativa de 2020), o município tem 395,45 moradores por quilômetro quadrado. Em Seropédica, a densidade é ainda menor: 275,33 por quilômetro quadrado. Com área semelhante, São Gonçalo (que foi concessionada no Bloco 1), por exemplo, tem mais de 4 mil habitantes por quilômetro quadrado.

O governo do estado e o BNDES (que fez a modelagem da concessão) avaliam a possibilidade de se fazer um novo leilão, até o fim do ano, provavelmente com a inclusão de cidades que não participaram do pregão. De acordo com a Secretaria estadual da Casa Civil, a expectativa é de que o novo leilão possa ocorrer até o fim deste ano.

— O resultado do leilão (que registrou ágio de até 185%) mostra que há espaço para o lote ser relicitado com a inclusão de outros municípios. A Cedae opera em 64 cidades (água, esgoto ou ambos), mas apenas 35 participaram da concorrência. Passadas as eleições, vários prefeitos manifestaram interesse de aderir à licitação, mas não havia tempo. Com a participação de mais cinco, seis ou sete municípios, haverá escala para atrair investidores — acredita o economista Claudio Fristchak, presidente da Inter.B Consultoria.

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Desde que a prefeitura fez a concessão do esgoto, há nove anos, a Zona Oeste registrou um salto no tratamento, que passou a chegar a 1.425.330 de pessoas em 2019, contra 875.866 em 2012, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). Mas, embora a Cedae estime em 90% o fornecimento de água no estado, esse percentual não inclui áreas em processo de regularização, comunidades e loteamentos, muito comuns na região. O edital de concessão tinha como objetivo melhorias no abastecimento dessas áreas urbanizáveis.

— Na época em que a concessão foi realizada, o consenso, por questões técnicas, era de que seria melhor manter a concessão da água com a Cedae. Haveria uma dificuldade de quem vencesse a licitação de estabelecer parâmetros para medir a qualidade do abastecimento. Isso por conta do fato de a estação do Guandu ficar em outro município — diz o economista André Luiz Marques, que participou pela prefeitura da modelagem da concessão do esgoto da Zona Oeste.

Zero esgoto tratado

Além dos desafios da própria Zona Oeste, o Bloco 3 incluía seis cidades, das quais quatro não têm qualquer percentual de esgoto tratado: Itaguaí, Paracambi, Pinheiral e Rio Claro, segundo dados de 2019 para o Snis. Piraí trata só 8,54% do esgoto, e Seropédica, 3,71%.

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Enquanto a nova licitação não sai do papel, moradores da Zona Oeste narram as dificuldades que enfrentam. A 2,5 quilômetros da casa de Joel, na Rua Mozolândia, os vizinhos recebem contas. A Rua Jurema Cabral, também em Guaratiba, é toda asfaltada e tem até hidrômetros. Mas, quando a água pinga na torneira, Carmen Lúcia Azevedo, de 60 anos, corre para estocá-la em galões, num cantinho de seu quintal. Para beber, o jeito é gastar dinheiro com água mineral:

— Dia sim, dia não, meu marido pede cinco galões, pois somos muitos: eu, ele, minha filha e meus dois netos. São pelo menos R$ 750 todo mês — conta Carmem, que mora há quase 30 anos no local. — Na época em que mudei para cá, a gente pegava água numa bica no início da rua. A bica não existe mais. São muitos anos em que a conta chega, e a água, não. No verão, precisamos acordar de madrugada para conseguir um pouquinho de água. Mal dormimos, e já acordamos, meia-noite, uma da manhã…

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Em fevereiro, a conta de água veio zerada. Segundo Carmen, após um protesto contra a má prestação de serviços no início deste ano, em que os moradores atearam fogo em pneus na Estrada do Magarça, uma via larga que conecta o Jardim Maravilha ao centro de Campo Grande.

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LINK ORIGINAL: OGlobo

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