Quem era Charlie Cole, o autor modesto de uma das fotos mais icónicas de Tiananmen - EntornoInteligente
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Aquela que se tornou numa das imagens simbólicas dos protestos da Praça Tiananmen, que venceu o Prémio World Press Photo em 1990, nunca foi supervalorizada pelo seu autor. Antes pelo contrário. O fotojornalista norte-americano Charlie Cole, que morreu na semana passada em Bali, disse em entrevista ao “The Times” que aquele acontecimento nunca poderia ser compreendido através de uma única foto. “Não devemos ser atraídos por uma simples foto para entender este extraordinário e complexo acontecimento”, afirmou posteriormente o fotógrafo em entrevista ao jornal britânico.

Segundo Charlie Cole, vários jornalistas e fotógrafos arriscaram-se naquela altura para captar momentos cruciais do massacre, que são fundamentais para compreender aquele momento da História.

O fotojornalista norte-americano contou ainda que recorreu, no dia 5 de junho de 1989, a uma teleobjetiva para captar a imagem do “Homem dos Tanques” na Praça de Tiananmen, em Pequim, a partir da varanda de um hotel e que depois teve a intuição certa quando resolveu esconder o rolo com a fotografia numa casa de banho.

“Cerca de cinco minutos depois, as autoridades chinesas invadiram o meu quarto do hotel e apreenderam as câmaras fotográficas. Além disso, forçaram-me a confessar que tinha tirado fotografias e desrespeitado a lei marcial, tendo-me confiscado o passaporte. Mas aquele rolo ficou a salvo”, acrescentou.

Nascido em 1955 em Bonham, no estado norte-americano do Texas, Charlie Cole passou grande parte da sua infância na cidade de Colorado Springs, no estado de Colorado.

Após ter-se licenciado em jornalismo pela Universidade do Norte do Texas, Charlie Cole mudou-se para Tóquio em 1980 com um amigo. Os dois fotojornalistas sonhavam em ter uma carreira bem sucedida enquanto freelancers que trabalhavam para vários meios de comunicação social.

Charlie Cole cumpriu o objetivo, tendo colaborado com várias revistas e jornais como a “Time”, a “Newsweek”, o “The New York Times” e o “Wall Street Journal”. No continente asiático, o fotojornalista norte-americano teve a oportunidade de cobrir vários momentos importantes como a Revolução do Poder Popular, em Manila, contra o ditador Ferdinand Marcos, que foi derrubado em 1986, e os protestos de estudantes na Coreia do Sul que levaram à queda do regime sul coreano, do general Chun Doo-hwan.

Nos últimos anos, Charlie Cole viveu em Bali, na Indonésia, colaborando ocasionalmente para vários meios de comunicação internacionais. O fotojornalista morreu na semana passada enquanto estava a dormir na sua cama, na sequência de uma septicemia relacionada com um ferimento numa perna.

Desde meados de 1990 que a carreira de Charlie Cole passou para segundo plano, após o fotojornalista ter sofrido um acidente de mota em Tóquio. Mas a paixão pela fotografia manteve-se viva. Até aos últimos dias.

“O Charlie adorou todos estes anos enquanto fotojornalista, era esforçado e procurava a verdade. Amou também todos os amigos que fez durante estas experiências”, afirmou a irmã Susan, que anunciou esta sexta-feira a morte do irmão.

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