PwC diz que trabalho desenvolvido sobre a PT foi sujeito a "restrições e limitações" - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / jornal da madeira / A PricewaterhouseCoopers (PwC) revela que o seu trabalho sobre as aplicações de tesouraria da PT em entidades do Grupo Espírito Santo (GES) foi "sujeito a determinadas restrições e limitações", o que inclui informação contraditória dos entrevistados. Segundo o relatório entregue na quinta-feira à noite pela PT SGPS à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a PwC "salienta que o seu trabalho foi sujeito a determinadas restrições e limitações, nomeadamente de em algumas situações as informações prestadas pelos entrevistados ser contraditória". "Devido ao facto de muitas decisões e aprovações serem tomadas de forma informal e sem ser deixada evidência sobre quem tomou determinada decisão, ou sobre quem aprovou determinada transação", a consultora aponta que "não foi possível apurar a realidade dos factos" no caso de "muitas dessas contradições". Também "não foi possível, apesar dos contactos estabelecidos, entrevistar o Dr. Ricardo Salgado", ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), acrescenta. Entre os entrevistados constam os ex-presidentes executivos da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o ex-administrador financeiro Luís Pacheco de Melo, entre outros. A análise da PwC foi "fundamentalmente efetuada entre 13 de agosto de 2014 e 30 de novembro de 2014", enquanto as entrevistas "ocorreram entre o dia 14 de agosto e 22 de outubro" do ano passado. "Tendo em conta as alterações relevantes que ocorreram na estrutura de gestão e de reporte do Departamento de Finanças Corporativas a PT SGPS (nomeadamente a transferência dos colaboradores para a PT Portugal e a alteração do diretor)", a consultora aponta a "possibilidade de existir outra documentação relevante sobre as aplicações efetuadas pela PT SGPS, PT Finance, PT Móveis e Bratel que esteja na posse" de outras pessoas que já não estejam na estrutura e que por isso não tenham sido disponibilizada. Outra das restrições tem a ver com o "não ter sido disponibilizada evidência de qualquer análise de risco que tenha sido efetuada antes da realização de aplicações financeiras em títulos ESI/Rioforte". Também não foi "disponibilizada evidência de terem sido efetuadas consultas ao mercado por forma a determinar que as aplicações efetuadas em títulos da ESI/Rioforte eram as mais atrativas para o grupo PT SGPS", acrescenta a PwC. Por outro lado, a consultora "chama a atenção para o facto de os seus procedimentos não terem incluído a recolha e análise de evidências eletrónicas", considerando que "caso estes procedimentos tivessem sido efetuados as conclusões do relatório poderiam ser diferentes das apresentadas". Outra das restrições e limitações foi o facto de as atas do Conselho de Administração, Comissão Executiva e Comissão de Auditoria da PT SGPS que lhe foram disponibilizadas à consultora "não incluírem os respetivos anexos". A PwC refere que pediu, mas não teve acesso, a extratos de contabilidade de todas as aplicações financeiras/investimento/tesouraria desde 01 de janeiro de 2012 para todas as entidades do grupo PT SGPS, nem a documentação de suporte para os processos de análise de risco (rating interno) realizado pelos serviços da empresa, o mesmo acontecendo com as atas da comissão do governo de 01 de janeiro de 2013 até 30 de junho de 2014 ou a declaração de renúncia de Henrique Granadeiro. Não foram disponibilizadas à consultora “determinadas informações, pelo facto de se ter considerado que se tratava de operações envolvendo a PT Portugal que à data do relatório já estava sob o controlo" da operadora brasileira Oi, em vez da PT SGPS”. Desde maio do ano passado que a PT Portugal, que detém o Meo e o Sapo, entre outros serviços, está sob a alçada da Oi, no âmbito do processo de combinação de negócios com a PT SGPS. Os consultores da PwC também "não analisaram a legalidade estatutária das procurações emitidas pela PT Finance e pela Bratel ao abrigo da legislação holandesa". "A assessoria da PwC foi conduzida numa perspetiva financeira e de negócio e, como tal, não incorporou qualquer análise de natureza jurídica", acrescenta. "O trabalho desenvolvido pela PwC não constituiu uma auditoria conduzida de acordo com as Normas Internacionais de Auditoria, nem, exceto quando referido o contrário, submeteu a informação financeira ou não financeira contida nos relatórios a procedimentos de verificação", lê-se no texto. Caso tivessem sido efetuados tais procedimentos, "aspetos adicionais poderiam ter-se revelado, os quais teriam sido reportados. Assim, e exceto se referido em contrário, o trabalho não incluiu procedimentos que visem confirmar a exatidão e totalidade da informação incluída nos relatórios, pelo que não assumem qualquer responsabilidade a este respeito", refere. Os responsáveis da PwC analisaram fotocópias e cópias digitais de documentos que assumiram estarem conforme os originais, não tendo efetuado qualquer procedimento para verificar a sua autenticidade, exceto quando referido o contrário. "Pela sua natureza, irregularidades e atos ilegais, incluindo fraude, encontram-se frequentemente encobertos, não podendo ser garantido com certeza absoluta que todas as eventuais situações relacionadas tenham sido detetadas no decorrer do trabalho da PwC", sublinha a consultora.

Con Información de jornal da madeira

Entornointeligente.com

Follow Me

.