Projeto de Orson Welles está sendo finalizado por seu biógrafo para estrear no fim do ano + - EntornoInteligente
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26/06/2018 – Jornal do Brasil. / Especula-se fortemente hoje em Hollywood que o Oscar de 2019 possa ter entre seus concorrentes um filme novinho em folha de… Orson Welles (1915-1985)? Mas como pode?  Bom… no que depender do apoio da Netflix, do interesse dos maiores festivais de cinema do mundo e do empenho do cineasta Peter Bogdanovich (de “A última sessão de cinema”), biógrafo do gênio por trás do cult “Cidadão Kane” (1941), o drama “The other side of the wind” vai enfim ser projetado, quatro décadas após suas filmagens e sua inacabada montagem inicial. 

Orson Welles, Peter Bogdanovich e John Huston durante as filmagens de “The other side of the wind”, que deverá ser exibido no Festival de Veneza Este é o título que Welles deu a um projeto de ficção repleto de metalinguagem que ele filmou na década de 1970, tendo o diretor John Houston (1906-1987) como protagonista. Problemas de saúde de Orson e arrochos financeiros impediram sua conclusão enquanto o seu realizador estava vivo. Agora seu maior fã corre atrás do atraso, com o apoio da viúva de Welles, a croata Oja Kodar, coautora do roteiro desta saga cinéfila com Houston no papel central.  “Estamos correndo contra o tempo”, disse Bogdanovich, por email, correndo contra os prazos.

Há uma expectativa de que o filme seja exibido no Festival de Veneza (29 de agosto a 9 de setembro). A terra das gÃ’ndolas seria o local ideal, uma vez que lá ele ganhou um trófeu honorário e concorreu ao Leão de Ouro por “Macbeth” (1948) e por “O processo” (1962). Fora isso, Veneza tem sido uma ponte direta de vários filmes com o Oscar, vide o recente “A forma da água”. Oja Kodar fez o que pÃ’de nas últimas décadas para que grandes eventos cinéfilos como Veneza não se esquecessem de seu finado marido e nem desse filme nunca finalizado. O aporte da Netflix acabou sendo um alento. 

Welles levou para o projeto, que chegará ao público 40 anos depois, as suas experiências em embates com estúdios e produtores de Hollywood Sabe-se que a opção de a Netflix não levar muitos de seus títulos a circuito pode atrapalhar o projeto na hora das indicações da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Holllywood. Cannes desejava o filme, mas teve desavenças com a plataforma digital por conta de seu sistema de lançamento. Fora isso, o longa não estava concluído em maio, data anual do festival francês. Mas, até Veneza, tudo já deve estar nos eixos em prol da primeira exibição pública da trama protagonizada por Houston.

O pÃ’ster da produção No roteiro de Welles e de Oja para “The other side of the wind”, o diretor de “O falcão maltês” (1941) viveu Hannaford, um cineasta polêmico que, após décadas de ostracismo, volta  à ribalta a fim de rodar um longa. Seu script se chama “O outro lado do vento” e promete devassar a indústria. Welles levou para o projeto suas experiências pessoais em embates com produtores e estúdios de Hollywood.

 Agora é esperar para ver o que este mestre nos deixou de herança. Um dos aliados do longa é o produtor e sazonal diretor Frank Marshall (do cult “Aracnofobia”), um parceiro de longa data de Spielberg, que trabalhou como ator no set de Welles em “The other side of the wind”. Marshall é o maior aliado de Bogdanovich na finalização do filme a partir de instruções deixadas por Welles e preservadas por Oja.

Sua estreia será um presente para os fãs de Welles e uma revisão crítica de uma prova de amor de seus antigos colaboradores, ainda na ativa.

* Roteirista e presidente da Associação de Críticos do Rio (ACCRJ)

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