Primavera Sound conquista LA com diversidade, rock industrial e sons do futuro

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Ecos de Barcelona e uma estética de cultura internacional encheram o parque histórico de Los Angeles no último fim de semana, na primeira edição do festival Primavera Sound fora da Península Ibérica. A linha do horizonte entrecortada pelos arranha-céus da baixa de LA oferecia uma visão impressionante à medida que o sol se punha e a música ecoava nos vários palcos. Distribuídos por um parque com capacidade para 25 mil pessoas, os palcos Primavera, Tecate Alta, Barcelona e Smirnoff Ice acolheram 65 artistas ao longo de três dias e puseram mais de 50 mil pessoas, de 50 países, a dançar. Nada mau num mercado que tem sido atormentado por cancelamentos e adiamentos, num regresso pós-pandémico bastante atribulado.

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«Ver tantas novas caras a dançar sob as luzes do Primavera Sound em LA foi mágico», declarou a organização, no rescaldo da primeira edição. «Este fim de semana foi o início da grande aventura do Primavera Sound Los Angeles, e tal como qualquer boa história de Hollywood, será continuada», garantiu. «Isto foi realmente apenas o princípio.»

Lorde, Nine Inch Nails e Arctic Monkeys foram os cabeças-de-cartaz no festival, que exibiu um alinhamento musical muito eclético com artistas vindos dos quatro cantos do mundo – de Espanha e Reino Unido a México e Venezuela. Esse é um dos aspetos distintivos do Primavera Sound, que surgiu em Barcelona há 21 anos e entrou no Porto há dez: a mistura de bandas consagradas com estrelas em ascensão e artistas que mostram os sons do futuro. Assim se entende que no dia de Lorde tenham tocado Divino Niño, Clairo, Stereolab, Giveon e uma muito energética Mitski, que atraiu multidões para o palco Barcelona. E que antes de Nine Inch Nails subirem ao palco se tenha ouvido Paloma Mami, Khruangbin, Fontaines DC e Surf Curse, que tocaram uma música inédita composta apenas há dias.

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Subscrever Os Giveon atuaram com o skyline de Los Angeles como pano de fundo.

© Primavera Sound

«A configuração é bastante boa», disse ao DN Victor Ramirez, festivaleiro de Los Angeles que comprou passe para os três dias e estava agradado com a disposição dos palcos e o alinhamento. «Os horários de atuação das bandas que quero ver são muito bons, não tive qualquer sobreposição.» A apreciar uma bebida enquanto aguardava pelo próximo concerto, Ramirez disse estar ali para ver Nine Inch Nails, uma das suas bandas favoritas, e que o ambiente estava cool . «É o primeiro festival a que vou na minha cidade em muitos anos», revelou. «Os preços são elevados, mas vale bastante a pena.»

O festivaleiro não falava apenas das entradas – 425 dólares pelo passe de três dias – mas também dos preços nas tendas de comida e bebida. Nachos a 16 dólares, tacos a 20, hambúrgueres a 22. Cerveja a 13 dólares por copo, vodka a 16. E ainda assim havia filas em quase todos os espaços, com alguns detalhes interessantes – possivelmente só em Los Angeles se vê fila para a Cena Vegan, com nachos, burritos e outras iguarias veganas, e ninguém na tenda do lado para experimentar a carne da Smoke Queen BBQ.

Mais à frente, um espaço dedicado a arte e discos permitia comprar pósteres, ilustrações e discos de vinil, por preços tão diversos quanto 20, 50 e até 200 dólares. Barry Blakenship, que promove o seu trabalho no Instagram com a conta @BarryTheArtGuy, explicou ao DN a diferença. «Alguns pósteres são mais caros porque são os últimos que existem», o que lhes confere uma maior dose de raridade. «E também porque algumas bandas têm maior valor colecionável que outras.»

© Primavera Sound

Ilustrador profissional, que desenha e faz a impressão à mão, Barry Blakenship avaliou de forma positiva a participação no Primavera Sound, destacando uma vibração distinta. «É uma atmosfera muito divertida, alegre, muito chill «, qualificou. «Ainda não vi ninguém que fosse retraído ou pouco comunicativo.»

Chill foi uma das expressões mais usadas para descrever o cenário no festival, além do ecletismo do alinhamento. Lorde, que fechou o palco principal no dia inaugural, mostrou-se agradavelmente surpreendida pela reação calorosa que teve. «Vocês soam tão bem, LA. Estão a ser tão alegres e barulhentos, adoro isto», disse a cantora, na primeira interpelação depois das primeiras músicas. «Vocês são os cool kids. Não sabia se iam aplaudir», gracejou.

Com uma lista de canções dos seus três álbuns, incluindo The Path, Homemade Dynamite, Buzzcut Season, The Louvre, Green Light e Solar Power , Lorde deu a entender que irá lançar nova música para breve e ainda refletiu sobre a emergência climática. «Todos vocês sentiram a onda de calor na semana passada», indicou, referindo as temperaturas extremamente elevadas que assolaram a Califórnia em setembro. «Não se habituem a um clima de 45 graus», urgiu. «Não se esqueçam de que isto é uma emergência. É a crise definidora das nossas vidas.» Confessando-se «aterrorizada» pelo futuro, pediu aos fãs que «votem com o clima em mente.» Os Estados Unidos terão eleições intercalares a 8 de novembro, onde será decidido o controlo do congresso.

Menos falador mas cheio de energia, o vocalista dos Nine Inch Nails, Trent Reznor, aproveitou uma das pausas no concerto de sábado para assinalar o momento, depois de anos à espera do Primavera Sound LA. «Já esperávamos há muito tempo», disse Reznor. «Tocámos no Primavera 2014 em Barcelona e achámos que tinha uma excelente vibração», continuou. Quando a organização os convidou para encabeçar a primeira edição norte-americana, disseram logo sim. «Mas a covid tinha outros planos para nós.»

Três anos depois, Reznor e companhia fizeram tremer o palco Primavera, que tinha uma multidão consideravelmente maior que a noite anterior. A banda puxou dos galões intercalando sons mais recentes com êxitos antigos, como Copy of A, The Hand that Feeds, Closer, The Perfect Drug, March of the Pigs e Head like a Hole, encerrando com Hurt . «Vamos ignorar o quão insano este set foi?!», dizia um amigo para o outro à saída do concerto.

No domingo, Arca fez uma apresentação explosiva num dia encerrado por Arctic Monkeys e James Blake.

Com a organização a prometer que veio para ficar em LA – e expansão em novembro para Brasil, Chile e Argentina – a mensagem distinta e inclusiva do festival lia-se em sinais espalhados pelo parque. «Ninguém é normal», apontavam. «A diversidade é o orgulho da comunidade Primavera Sound.»

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LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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