PORTUGAL: Daniel Adrião é o único a avançar contra Costa nas diretas do PS - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / expresso / O militante socialista Daniel Adrião, líder do movimento Resgatar a Democracia e membro da Comissão Política Nacional do PS, vai disputar com António Costa as eleições diretas para secretário-geral do partido, agendadas para o início de maio. A candidatura será formalizada nos próximos dias e terá por base a moção de estratégia “Reinventar Portugal”, que pretende suscitar “um choque democrático” na governação do partido e do país.

Apoiante de António Costa nas primárias de 2015 e da atual solução de Governo apoiado por BE, PCP e PEV, Adrião defende que “o lugar de António Costa como primeiro-ministro não está em causa neste congresso”. A decisão de avançar com uma candidatura prende-se, por isso, com a urgência de trazer mudanças ao funcionamento do partido.

“O problema é que, na prática, António Costa há muito deixou de exercer o cargo de secretário-geral, porque as funções de primeiro-ministro nas atuais circunstâncias são muito exigentes e ocupam-no por inteiro, tendo delegado o papel de direção do partido na secretária-geral-adjunta [Ana Catarina Mendes], cujo desempenho não satisfaz”, diz ao Expresso.

Depois de no último congresso o seu movimento ter conseguido apenas 8% dos votos, Daniel Adrião recusa-se a antecipar metas para medir o que considerará um bom resultado nestas diretas. “Não tenho da política uma visão olímpica. Acho que o importante em democracia não é cortar a meta em primeiro lugar mas contribuir para que a participação seja a maior possível”, diz.

E numa altura em que é apontado como o único rosto da oposição a Costa a avançar neste congresso – tendo em conta que Francisco Assis, por exemplo, confirmou este sábado ao Expresso que irá ao congresso mas não avançará com uma moção -, Adrião aponta como “grande objetivo” da sua candidatura conseguir “que no fim do congresso o partido saia reforçado na sua pluralidade”.

“A nossa candidatura pretende contribuir decisivamente para a mudança no PS, para reinventar a democracia dento do PS. Com um PS mais forte teremos um parlamento mais forte e um governo mais forte. O PS tem uma longa tradição de pluralismo e de liberdade, que não se coaduna com o pensamento único”, argumenta o militante socialista, convicto de que o PS tem a responsabilidade de liderar o processo de reaproximação entre a política e os cidadãos.

“O nosso movimento tem ao longo dos últimos dois anos trabalho para mostrar na defesa consistente de bandeiras como as eleições primárias para a escolha de candidatos a titulares de cargos políticos e a reforma do sistema político, por forma a que os cidadãos possam eleger directamente os seus representantes, designadamente os seus deputados à Assembleia da República, que hoje já representam menos de metade do eleitorado”, nota, antes de deixar a questão para dentro do partido: “De que interessa ter votações esmagadoras dentro do partido, quando não se consegue conquistar a confiança da maioria dos eleitores? Eu acredito que, tal como os portugueses, os socialistas não vão querer colocar todos os ovos no mesmo cesto”.

Adrião nota, aliás, que com apenas 8% de representatividade, o seu movimento conseguiu “que o tema da participação direta dos socialistas na escolha dos seus candidatos não seja um caso perdido”. “Obtivemos o compromisso de António Costa de que as primárias seriam consagradas a partir do próximo congresso. Mas ainda não vencemos este combate e por isso precisamos que os socialistas que têm a mesma visão que nós contribuam com o seu voto no próximo congresso, dando mais força às nossas ideias e propostas”.

Entre essas propostas está o objetivo de “reinventar a governação do partido” – com primárias para a eleição de candidatos do PS a todos os cargos políticos, voto secreto nas eleições para órgãos ou não acumulação de cargos partidários executivos e governamentais – e um posterior “choque democrático” na classe política.

A introdução de círculos uninominais nas eleições legislativas e a possibilidade de candidaturas parlamentares de movimentos não partidários são alguns dos pontos defendidos numa moção que propõe ainda o aumento do salário mínimo nacional para”700 até 2023 e uma mudança nos “paradigmas de trabalho e gestão, da economia e de educação”. Tudo assente numa “visão estratégica a 20 anos, capaz de transformar Portugal num país de alto valor acrescentado, com um modelo de desenvolvimento assente no conhecimento intensivo e em recursos humanos altamente qualificados e bem remunerados, indutor de mais produtividade, maior competitividade, mas também de uma redistribuição da riqueza mais justa e equitativa”, diz Adrião.

A preparação da moção de estratégia que o movimento Resgatar a Democracia levará ao congresso – e cujas bases essenciais serão disponibilizadas este fim de semana no site da candidatura – envolveu “mais de 50 pessoas e contributos”, tendo os trabalhos sido coordenados por Nuno Cunha Rolo, antigo coordenador do Laboratório de Ideias para Portugal, criado por António José Seguro quando foi secretário-geral do PS. Entre os subscritores e apoiantes da moção estão ainda nomes como Artur Nunes, presidente da câmara de Miranda do Douro, Paulo Campos, ex-secretário de Estado nos governos de Sócrates, os antigos vereadores de António Costa na CM Lisboa Jorge Máximo e Manuel Brito ou o antigo presidente da CM de Fafe, José Ribeiro.

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