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Arminio Fraga vê setor bancário muito concentrado

‘A parte mais difícil do nosso trabalho ainda vai começar’, diz presidente do BC

Segundo dados disponíveis no Banco Mundial, o spread bancário no Brasil (39%) é o maior do mundo e muito superior ao dos demais países. Nem é possível fazer uma comparação com a taxa observada em países desenvolvidos, como Japão (0,7%), Suíça (2,9%), Austrália (3,3%) e Canadá (2,6%). Mas o que chama mais a atenção é que, além de estar na primeira posição no ranking do spread, o índice é superior àqueles de nações com histórico de sérios problemas econômicos, como é o caso de nossos vizinhos Bolívia (6,5%), Venezuela (5,7%) e Argentina (7%).

De acordo com dados do Banco Central, o spread tem três componentes com maior peso em sua posição: 56% dele estão ligados à inadimplência; 23%, ao lucro dos bancos; e 21%, aos custos com impostos.

Os credores culpam a inadimplência pelo fato de nas terras brasileiras termos os juros mais altos do mundo, mas até que ponto essa é uma justificativa convincente? Se os bancos estão concedendo crédito a maus pagadores, é justo que toda a sociedade arque com isso em forma de um spread tão elevado? É preciso rever esses modelos de concessão para que se tornem mais eficientes, pois, da forma como funciona hoje, mesmo em um cenário fora da realidade, com uma Selic a zero, a taxa ao consumidor continuaria altíssima e devastadora nos orçamentos dos brasileiros.

Traduzindo a explicação dos bancos para nosso cotidiano: é o mesmo que você entrar em uma lanchonete e se deparar com um cheeseburguer no cardápio ao custo de R$ 200. Quando você questiona o preço estratosférico, o dono do estabelecimento responde que cobra caro porque o cozinheiro queima muitas carnes durante o preparo. É uma lógica que não faz nenhum sentido, mas é a que acaba sendo aplicada ao spread, uma vez que os bancos cobram tão caro pelo crédito com a alegação de que a inadimplência no Brasil é alta.

Os bancos não são obrigados a emprestar dinheiro a todo mundo. Quando olhamos as práticas em outros países, tudo indica que os modelos de crédito brasileiros estão mal calibrados e emprestam quantias significativas a maus pagadores. A falta de concorrência do setor permite que, mesmo com modelos de crédito ineficientes, os bancos obtenham lucros significativos fazendo a sociedade como um todo arcar com esse custo.

Segundo informações do Banco Central, a taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu novamente em fevereiro deste ano. A taxa avançou de 31,9% ao ano, em dezembro de 2017, para 33,3% ao ano em fevereiro. No mesmo período, no entanto, a Selic caiu gradualmente de 7,5% para 6,75% ao ano (e hoje está em 6,5%).

Essa taxa divulgada pelo Banco Central é uma média formada por várias modalidades de crédito disponíveis no mercado. Ou seja, no cheque especial e no cartão de crédito, por exemplo, os juros são muito maiores, com taxas que ultrapassam os 300% ao ano.

Spread bancário ao redor do mundo 39% Brasil Malaui 32,5% Quirguistão 19,9% Congo 15,6% São Tomé e Príncipe 15,5% Micronésia 15,3% Moçambique 15% Paraguai 14,3% Serra Leoa 13,8% Peru 13,8% Timor Leste 13,7% Jamaica 12,9% Guiana 11,8% Angola 9,1% Nigéria 8,3% República Dominicana 7,9% Colômbia 7,5% Argentina 7% Bolívia 6,5% Venezuela 5,7% Panamá 5,5% México 4,8% Austrália 3,3% Suíça 2,9% China 2,9% Canadá 2,6% Líbano 2,4% Chile 1,6% Malásia 1,5% 5,7% Média global Decomposição do Spread Média 2011 – 2016 Custo administrativo Compulsórios + encargos fiscais e FGC 3,8% 1,7% Impostos diretos 15,6% Inadimplência Lucros e outros 55,7% 55,7% Fonte: BC Spread bancário ao redor do mundo 39% Brasil Malaui 32,5% Quirguistão 19,9% Congo 15,6% São Tomé e Príncipe 15,5% Micronésia 15,3% Moçambique 15% Paraguai 14,3% Serra Leoa 13,8% Peru 13,8% Timor Leste 13,7% Jamaica 12,9% Guiana 11,8% Angola 9,1% Nigéria 8,3% República Dominicana 7,9% Colômbia 7,5% Argentina 7% Bolívia 6,5% Venezuela 5,7% Panamá 5,5% México 4,8% Austrália 3,3% Suíça 2,9% China 2,9% Canadá 2,6% Líbano 2,4% Chile 1,6% Malásia 1,5% 5,7% Média global Decomposição do Spread Média 2011 – 2016 Custo administrativo Compulsórios + encargos fiscais e FGC 3,8% 1,7% Impostos diretos 15,6% Lucros e outros 55,7% 55,7% Fonte: BC

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