Polícia Militar do Rio testa spray de pimenta que ‘marca’ suspeitos de arrastões nas praias

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RIO — Com as praias lotadas, relatos de furtos e de princípios de arrastão, a Polícia Militar do Rio avalia o uso de um novo tipo de gás de pimenta contra aqueles tipos de crime que tiram o sossego dos banhistas. Por ter espuma como base, o spray recém-chegado proporcionaria maior precisão para acertar o alvo, o que evitaria que inocentes fossem atingidos. No entanto, o armamento gera polêmica, já que também tem o poder de fixar a substância na pele por um tempo, facilitando a identificação daqueles que, eventualmente escapulindo, recebam um desses jatos.

Secretário da PM :  ‘Somos o único estado em que faço quase uma operação de guerra para uma pessoa ir à praia’

— Na sua composição há uma pigmentação que marca a pessoa envolvida. Em caso de fuga, o personagem já está marcado — disse o porta-voz da PM, o tenente-coronel Ivan Blaz. — Começamos os testes hoje (ontem) e seguimos nos próximos dias. Vai ser a primeira vez que isso é usado no mundo. Ainda não temos uma data para colocar em prática.

Os produtos começaram a ser testados ontem por agentes do 23º BPM (Leblon), no mesmo dia em que o coronel Luiz Henrique Marinho Pires, secretário de Polícia Militar do Rio, disse ao GLOBO que a corporação tem empregado na segurança das praias quase 800 homens por dia nos fins de semana, além de tropas especiais com cães, cavalos e aeronave:

— Eu falo que nós somos o único estado em que é feita quase uma operação de guerra para uma pessoa ir à praia, utilizando as melhores unidades. É uma coisa complexa e precisa ser entendida.

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Violações A Secretaria de Polícia Militar informou que o spray está em fase de aquisição. A quantidade do produto não foi divulgada. Fabricante do material, a Condor explicou que a substância não faz mal à saúde e sai do corpo em meia hora, ao ser lavada em água corrente. «Em relação a quantitativos e valores, a empresa não tem autorização para fornecer esse tipo de informação», acrescentou, em nota, a empresa.

Especialistas em segurança pública e Direitos Humanos dizem que o uso incorreto do spray pode implicar em violações. Antropólogo e coronel da PM, Robson Rodrigues criticou a adoção de um único produto que funcione como identificador de criminosos e gás de pimenta:

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— A identificação de pessoas que praticam atos de desordem é uma técnica usada por forças de segurança mundo afora. Eu não consigo entender o porquê de termos, no mesmo produto, o efeito de pimenta. O problema disto é o eventual uso abusivo do armamento, ainda que seja não letal. Quem vai utilizá-lo precisa ser técnico. Por isto, a empresa fornecedora precisa ser transparente e mostrar as suas especificações.

A opinião dele é compartilhada pelo sociólogo e professor da Uerj Ignácio Cano.

— É melhor uma substância que não afete o entorno do que um gás que pode alcançar inocentes, sem dúvida. Mas é importante ressaltar que o fato de ser marcado por esta espuma não pode implicar evidência contra alguém. Essa marca não pode se tornar um estigma. A tecnologia não pode ser usada com seletividade — diz.

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Além de grande efetivo, a PM também tem usado um sistema de transmissão de imagens captadas pelo helicóptero do Grupamento Aeromóvel para agentes que estão em terra. As cenas são analisadas em tempo real e, em caso de suspeita de crime, equipes são acionadas.

PUBLICIDADE O clima de insegurança nas praias também foi comentado pelo secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski. Segundo ele, a violência na orla não é apenas um problema a ser resolvido pela polícia:

— A questão da praia é mais complexa do que propriamente só criminal ou de polícia. Ali são menores. O que tem de ter é uma força-tarefa com Defensoria Pública, Ministério Público, polícias, prefeitura, para que possam organizar uma ação e trazer tranquilidade. 

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