Pedro Santana Lopes e o PPD/PSD – as circunstâncias deram-lhe razão

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Por Sónia Leal Martins, Politóloga

Em outubro de 2017, Pedro Santana Lopes, candidatou-se à liderança do PPD-PSD tendo como adversário nessa disputa interna Rui Rio.

Todos sabemos que Rui Rio sempre teve uma preocupação, a meu ver, incompreensível, de «empurrar» o PSD para um partido de centro-esquerda. Não foi propriamente novidade, uma vez que Rui Rio, foi um dos grandes críticos do Governo de Pedro Passos Coelho e da sua direção no partido, tal como Pacheco Pereira e o antigo ministro António Capucho.

Antes da apresentação formal da candidatura de Rui Rio, em 2018, há muito que este se encontrava no terreno, onde ia recebendo muitos incentivos de militantes para avançar para a liderança do partido, na esperança de se abrir um novo ciclo interno.

Não nos podemos esquecer, que ainda Passos Coelho era primeiro-ministro, quando Rui Rio aceitou um convite do antigo assessor parlamentar do PS, António Colaço, para participar num almoço na Associação 25 de Abril com a presença do «capitão de Abril» Vasco Lourenço – eram sinais daquilo que poderia vir a acontecer dentro do PSD, uma viragem à esquerda.

Pedro Santana Lopes, a propósito da discussão sobre o posicionamento ideológico do partido, afirmou no discurso de apresentação da sua candidatura à liderança do PPD-PSD, em 2018, que «nós somos um partido que vai do centro-direita até ao centro-esquerda. Francisco Sá Carneiro e Cavaco Silva nunca andaram entretidos com dissertações sobre essa matéria e levaram-nos a vitórias muito importantes. Eu quero fazer o mesmo, não tenho complexos nessas matérias», no entanto, afirmou sempre que vinha para clarificar, no sentido de perceber se os militantes queriam um PPD-PSD mais PPD ou um PPD-PSD mais PSD.

Os militantes do PPD/PSD fizeram a sua escolha e elegeram Rui Rio como Presidente do PSD. Pedro Santana Lopes perdeu e o PPD-PSD declinou – essa é a verdade. Rio conquistou os sociais-democratas em 3 ocasiões, mas não teve nenhuma vitória nas eleições que disputou, sejam elas, legislativas, autárquicas ou europeias.

Estes resultados demonstram que Pedro Santana Lopes tinha razão, a discussão do posicionamento ideológico do partido, não fazia sentido, muito menos «empurrar» o partido para o centro-esquerda, porque tal facto acaba por ser contranatura, uma vez que a base social de apoio do partido se situa maioritariamente no centro-direita.

À primeira vista a estratégia de Rui Rio parecia ser inteligente e acertada. Ao abrir o arco de ação do partido à esquerda pretendia-se abranger um maior número de eleitores, tendo assim maior probabilidade de vencer o PS. No entanto, o que aconteceu foi precisamente o contrário. Com esta tática o PSD não ganhou o eleitorado à esquerda e contribuiu significativamente para a criação de duas forças políticas à sua direita – a Iniciativa Liberal e o CHEGA.

Como já tinha expressado em artigo anterior, estes partidos nascem precisamente de um erro tático do PSD, quando se posiciona economicamente à direita e no campo dos valores mais à esquerda.

Outro fator pouco abonatório do consulado de Rui Rio foram as escolhas que fez internamente para os poucos lugares de destaque que o Partido tem atualmente. Veja-se o caso da escolha para Vice-Presidente da Assembleia da República ou para líder do Grupo Parlamentar. Bem sei que o Grupo Parlamentar é um dos menos preparados que o PSD já teve, salvo raríssimas exceções, mas ainda assim havia outras alternativas que poderiam assumir os lugares em questão.

Felizmente, Rui Rio não deixou seguidores, digo felizmente, porque o PSD é o principal partido da oposição e precisa rapidamente de criar uma alternativa ao governo socialista. Os dois candidatos que se apresentaram até agora à liderança do partido, nenhum deles sai da «ala» de Rui Rio – se é que esta alguma vez existiu.

Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva são ambos da «ala» passista, o primeiro foi líder Parlamentar de Passos Coelho e o segundo seu Ministro.

É bom saber que o posicionamento ideológico de ambos se situa no centro-direita e que ambos têm essa questão bem resolvida, sem necessidade de a trazer para o debate. Porque aquilo que é verdadeiramente importante é fazer uma oposição séria, firme, irredutível e clara para que todos aqueles que não são da área socialista se possam mobilizar em torno do PSD.

Com esta espécie de regresso às origens, em que o PSD parece querer voltar a ser mais PPD, estão reunidas as condições para que alguns dos seus ilustres militantes possam regressar ao partido. Falo concretamente de Pedro Santana Lopes que tem uma capacidade de se reinventar inigualável e que tanta falta faz ao seu partido de sempre.

 

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