Passadeiras LGBTI em Lisboa. Autor de proposta deixa CDS e desafia vereadores - EntornoInteligente
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“Resta-me aguardar serenamente pela atitude que tomarão os Vereadores do CDS que votaram favoravelmente em 27 de fevereiro de 2019 na Câmara Municipal de Lisboa a criação em Arroios da “Casa da Diversidade” e “Centro de Acolhimento LCBTI” tendo em conta que o partido não se “… revê em iniciativas destas”, que rejeita políticas identitárias e bem assim, que rejeita qualquer metodologia velada de as impor a expensas dos contribuintes!!!”.

É com este desafio aos eleitos pelo CDS para a autarquia de Lisboa que Vítor Teles termina o post publicado na rede social Facebook onde anunciou ter pedido a desfiliação do partido na sequência das críticas que a proposta que assinou de pintar as passadeiras de peões na Avenida Almirante Reis recebeu.

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Subscrever O impacte desta ideia, que serviria para assinalar o Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia (17 de maio), foi de tal ordem no partido liderado por Assunção Cristas, que a direção escreveu uma carta aos militantes onde a presidente afirma que “a defesa da não descriminação de qualquer pessoa, que como humanistas perfilhamos, tem formas mais adequadas de ação. O CDS não se revê neste tipo de iniciativas e a estrutura concelhia de Lisboa garantirá que situações destas não tornem a ocorrer”.

Perante esta posição, Vítor Teles, autor com Frederico Sapage da proposta que foi aprovada pela assembleia de freguesia de Arroios, respondeu que se tinha filiado no CDS “por acreditar que este partido representa, em primeiro lugar os Portugueses que estão dispostos a lutar pela consagração em Portugal do Humanismo personalista. Sempre defendi que o Humanismo personalista porque é ele, mais do que qualquer outra ideologia, o melhor caminho através do qual se procura combater a opressão do homem pelo homem”.

Explica que a ideia de propor a pintura das passadeiras lhe surgiu “na sequência da aprovação pela Câmara Municipal de Lisboa da criação em Arroios das pioneiras ” Casa da Diversidade” e “Centro de Acolhimento LGBTI”, projectos que foram aprovados com os votos favoráveis dos Vereadores do CDS em 27 de Fevereiro de 2019″.

E critica a polémica criada em redor da iniciativa: “A celeuma criada à volta da recomendação para a colocação temporária de duas passadeiras arco-íris na Avenida Almirante Reis, veio acima de tudo revelar a urgente necessidade de se abordarem sem hipocrisias os temas da inclusão social e do respeito da dignidade da pessoa.” A seguir lembra que o CDS, em comunicado, afirmou não se rever “em iniciativas destas” e que “quer garantir que situações semelhantes não se voltarão a repetir”.

Confrontado com esta posição do partido, Vítor Teles explica aceitar com “humildade e de bem com a minha consciência o demarcar do partido, que acreditei ser pluralista, e por isso apresentei na presente data ao Presidente da Concelhia de Lisboa o meu pedido de desfiliação do CDS e renuncia ao cargo de vogal do Conselho de Jurisdição da Distrital de Lisboa com efeitos imediatos”.

Vai, todavia, manter-se como membro da Assembleia de Freguesia de Arroios, “por dever de cidadania para com todos os fregueses que em mim votaram e onde continuarei a bater-me pelos valores da democracia cristã em que acredito”.

Críticas no CDS e lei obriga passadeiras a serem brancas Esta proposta de Vítor Teles e de Frederico Sapage tinha sido criticada pela Tendência Esperança e Movimento (TEM), uma espécie de ‘Tea Party’ do CDS que pediu a demissão dos dois representantes do partido na junta de freguesia de Arroios. Segundo o porta-voz do TEM, Abel Matos Santos, “é gravíssimo” que a iniciativa tenha avançado sem que a concelhia do CDS tivesse sido ouvida.

O porta-voz do TEM considerou “gravíssimo” que Frederico Sapage, coordenador autárquico do CDS Lisboa e assessor na junta de freguesia das Avenidas Novas, tenha agido sem ouvir ninguém. “Ou foi propositado para criar divisão e clivagem ou é um disparate porque até é prejudicial para os próprios homossexuais “, sustenta e exige consequências.

Um das vozes se que se levantou contra foi a de Pedro Pestana Bastos, ex-deputado, antigo membro da Comissão Política do CDS: “Bem sei que para alguns por vezes é cool aparecer com uma imagem moderninha mas isto é um completo disparate. O dinheiro dos contribuintes (mesmo se a despesa não for grande) não é para gastar em fantochadas e temos de dar o exemplo. Acresce que as passadeiras por razões de segurança nos termos do regulamento de sinalização são obrigatoriamente brancas. Não há passadeiras Arco Iris. Não brinquem com coisas sérias”, diz o atual conselheiro nacional do CDS.”

João Gonçalves Pereira, vereador na Câmara de Lisboa e presidente da Distrital do CDS, também escreveu na sua página de Facebook que não subscreve a proposta em causa. O mesmo acontece com o líder da Juventude Popular, formação jovem da qual Francisco Sapage faz parte. Francisco Rodrigues dos Santos frisa que a JP não foi consultada e que “essas propostas costumam ser acertadas com a direção do partido”. Além disso, sublinha que a JP tem posições “muito claras” contra a ideologia de género, sem que isso signifique qualquer discriminação sexual.

De qualquer forma a ideia de pintar as passadeiras não iria avançar pois a legislação obriga a que sejam de cor branca.

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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