Operação contra dissidentes das Farc deixa 9 mortos na Colômbia - EntornoInteligente
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BOGOTÁ — O governo da Colômbia anunciou nesta sexta-feira a morte de nove dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), incluindo um comandante, um dia depois de ordenar uma ofensiva contra um grupo de ex-dirigentes da antiga guerrilha que haviam anunciado o retorno à luta armada.

A ofensiva é a primeira desde o anúncio feito na quinta-feira pelo ex-número dois das Farc Iván Márquez de que voltava à luta armada por considerar que o acordo de paz — assinado em 2016 para encerrar um conflito de mais de meio século que deixou 260 mil mortos — havia sido violado. O ataque ocorreu perto da região rural do município de San Vicente del Caguán, no departamento de Caquetá.

Entre os mortos está Gildardo Cucho , líder da estrutura atacada, informou o presidente Iván Duque.

— Autorizei (…) antecipar uma operação ofensiva contra esta quadrilha de delinquentes narcoterroristas que são residuais do que se conhecia como as Farc e que fazem parte das estruturas criminosas que pretendem desafiar a Colômbia — afirmou o presidente.

Duque acrescentou que o ataque é uma “mensagem clara” aos comandantes da antiga guerrilha que anunciaram a volta às armas.

— Esse criminoso se dedicou ao narcotráfico, ao sequestro, à intimidação de líderes sociais e pretendia integrar essa estrutura que ontem se apresentava ao país como uma nova guerrilha, coisa que não é — disse Duque, referindo-se a Cucho.

O ministro da Defesa, Guillermo Botero , informou no Twitter que os nove rebeldes pertenciam à dissidência da antiga guerrilha, hoje transformada em um partido político, a Força Alternativa Revolucionária do Comum. “Os criminosos estão avisados: eles que se rendam ou serão derrotados”, tuitou.

PUBLICIDADE Los delincuentes están advertidos: se entregan o serán vencidos. En operación de @FuerzasMilCo ,  #CCOES afectó 9 integrantes de GAO-r 7 en zona rural de San Vicente del Caguán, #Caquetá .

No nos van a atemorizar.

#ColombiaVaADerrotarElTerrorismo

— Guillermo Botero (@GuillermoBotero) 30 de agosto de 2019

No dia anterior, Márquez, cujo paradeiro era desconhecido havia mais de um ano, reapareceu em um vídeo de 32 minutos anunciando ter voltado às armas juntamente com outros ex-chefes rebeldes que se distanciaram do acordo de paz.

Na gravação postada em um canal do YouTube, Márquez, vestindo uniforme verde militar e acompanhado por Jesús Santrich ,  sobre quem pesa um pedido de extradição para os Estados Unidos, e Hernán Darío Velásquez, conhecido como El Paisa, afirmou:

—  Anunciamos ao mundo que começou a segunda Marquetalia [lugar onde as Farc nasceram da década de 1960] sob o amparo do direito universal que dá a todos os povos do mundo o direito de se armarem contra a opressão — disse Márquez. — Em dois anos, mais de 500 líderes do movimento social foram mortos e 150 guerrilheiros já morreram em meio à indiferença e indolência do Estado — acusou.

O anúncio de Márquez provocou comoção na Colômbia. Em uma série de tuítes, Rodrigo Londoño , o Timochenko , ex-comandante militar das Farc e atual líder do partido formado pelos ex-combatentes, respondeu ao anúncio de Márquez. “Mais de 90% dos antigos guerrilheiros continuamos comprometidos com o acordo de paz”, escreveu.

“Apesar dos obstáculos e dificuldades, estamos convencidos de que o caminho da paz é o caminho certo. Algo que Manuel Marulanda [fundador das Farc] nos ensinou foi a manter sua palavra. Nossa palavra hoje é paz e reconciliação. A grande maioria de nós permanece comprometida com o que foi acordado, mesmo com todas as dificuldades ou perigos que se avizinham, estamos com a paz”, continuou Londoño.

PUBLICIDADE Más del 90% de exguerrilleros seguimos comprometidos con el proceso de paz.

— Rodrigo Londoño (@TimoFARC) 29 de agosto de 2019

Conflito com a Venezuela Na quinta-feira, Duque acusou o venezuelano Nicolás Maduro de apoiar o grupo dissidente:

— Não estamos diante do nascimento de uma nova guerrilha, mas diante das ameaças criminosas de um grupo de narcoterroristas que conta com o abrigo e o apoio da ditadura de Nicolás Maduro.

Nesta sexta, o governo venezuelano disse que “consulta” os países que acompanharam as negociações de paz entre o governo colombiano e as Farc. “A Venezuela está em consulta com o restante dos países facillitadores e garantidores do processo de paz para elaborar estratégias imediatas que permitam o restabelecimento de contatos entre as partes”, afirmou em comunicado o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza .

Venezuela e Chile atuaram como facilitadores dos acordos de paz assinados com as Farc em 2016, enquanto Cuba e Noruega foram garantidores.

No comunicado, Arreaza acusou Duque de executar um “desmantelamento planejado” do processo de paz e de violar os compromissos assumidos em Havana . “É incomum que Iván Duque, com descuido absoluto, em um ato desprezível, pretenda passar sua responsabilidade exclusiva para terceiros” disse o texto.

As acusações contra Maduro também vieram de Elliott Abrams, representante especial dos Estados Unidos para Venezuela, que disse que guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes das Farc operam em território venezuelano com a sua anuência.

PUBLICIDADE Maduro, que rompeu relações com a Colômbia em fevereiro passado, havia dito no final de julho que Márquez e Santrich eram “bem-vindos à Venezuela”.
LINK ORIGINAL: OGlobo

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