O que é o ciclo menstrual? Mais de metade dos homens só sabe o básico sobre a menstruação, diz estudo

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Mais de metade dos homens portugueses afirma só saber o básico sobre a menstruação. Numa época em que o tema está na ordem do dia , 547 homens portugueses revelaram o seu conhecimento sobre a saúde íntima das mulheres. A maior parte dos indivíduos inquiridos (67%) também não sabe quanto tempo dura o ciclo menstrual. O resultado «não surpreende» e revela o «enorme desconhecimento sobre o tema» que ainda persiste, lamenta a investigadora e psicóloga especialista em sexualidade Ana Alexandra Carvalheira.

Entre os inquiridos, 58% diz saber o básico e 13% admite mesmo saber muito pouco. «Mas o que é saber o básico? É saber que existe a menstruação?», questiona, em conversa com o PÚBLICO, a académica do ISPA – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida. Os dados são relativos ao estudo encomendado pela marca sueca de produtos para saúde ginecológica Intimina, divulgado esta terça-feira, 24 de Maio. O objectivo, explica a responsável de marketing, Pilar Ruiz, era não só «perceber de que forma os homens portugueses lidam com a menstruação», mas também «lançar a conversação em torno do tema».

Com participantes entre os 18 e os 65 anos — questionados por e-mail durante o mês de Abril por uma agência independente — Ana Alexandra Carvalheira lembra que a «média de idades é relativamente baixa» e isso torna ainda mais preocupantes os resultados. Aliás, 60,1% dos inquiridos têm entre 26 e 45 anos. Apesar destes dados, a especialista diz reconhecer «uma evolução» nas últimas gerações, sobretudo porque «as mulheres também vão tendo mais facilidade em comunicar sobre o corpo». Mesmo assim, muitos homens fazem confusão entre os conceitos de ciclo menstrual e menstruação — 49% sabe que a menstruação varia entre dois a sete dias, mas só 34% respondeu que o ciclo dura entre 23 a 35 dias.

Culturalmente, lamenta a especialista, o sangue da menstruação ainda é encarado com algo «sujo» , com várias crenças disfuncionais associadas. «Em alguns grupos étnicos, as mulheres são retiradas da comunidade durante aqueles dias», contextualiza a psicóloga. E lembra o porquê destes mitos serem despropositados: «O sangue menstrual resulta da descamação de um útero que gera vida.» Contudo, a maior parte dos casais, de acordo com 54% dos homens, prefere não ter relações sexuais durante esses dias, por decisão mútua.

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As mulheres, analisa Ana Alexandra Carvalheira, «ainda têm uma auto-imagem genital negativa», associando-a a «emoções negativas», sobretudo pela complexidade deste órgão reprodutor, quando comparado com o masculino. Muitas desvalorizam, inclusive, os próprios sintomas associados à síndrome pré-menstrual e à menstruação , «não dando descanso quando o corpo pede» — 84% dos homens responde saber que as mulheres sofrem com cólicas e 73% reconhece uma mudança de humor na companheira. «Eles sabem superficialmente, mas desvalorizam», observa a psicóloga, que celebra a criação da licença menstrual em Espanha.

Foco na educação, a começar em casa A solução para o problema instalada há várias gerações passa, crê a investigadora, pela educação. E os homens inquiridos concordam: 94% considera importante educar as crianças sobre a menstruação e o ciclo menstrual . Tal educação, lembra Ana Alexandra Carvalheira, não passa apenas pela escola, onde os professores não devem evitar o tema, mas deve começar em casa. «Muitas mães evitam falar sobre isso. E há estudos a mostrar que as crianças que conhecem os nomes dos órgãos sexuais sofrem menos abusos sexuais», argumenta.

A conversa também deve partir dos pais e não apenas das mães e 56% dos homens diz-se confortável para falar sobre o tema com as filhas. A iniciativa para aprender mais sobre o tema, considera a investigadora do ISPA, tem de partir dos homens, que se devem mostrar «curiosos e interessados de forma genuína e autêntica». Só assim se poderão inverter os resultados deste tipo de estudos, acredita.

Mas o desconhecimento sobre o tema não é apenas entre os homens portugueses. Em Junho de 2021, a Intimina realizou o mesmo estudo com espanhóis, que «ainda sabem muito pouco sobre as funções corporais das mulheres», lamenta Pilar Ruiz. No inquérito realizado no país vizinho, a responsável destaca ainda que um terço dos inquiridos (33%) afirmavam sentirem-se incomodados em falar abertamente sobre o tema.

Há, todavia, um detalhe em que espanhóis e portugueses discordam: enquanto em Espanha metade dos homens (48%) continua a não se coibir de fazer comentários sobre o humor das mulheres durante a menstruação, 72% dos portugueses garantem respeitar esta fase, preferindo não fazê-los.

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