O mundo pós-ocidental - EntornoInteligente
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Quando se pretende saber quem governa o mundo, verificamos que o poder real é frequentemente oculto, não coberto pela legalidade, sendo apenas um voto a ideia de que a ONU seria presidida por dois princípios não escritos, o “mundo único”, isto é, sem guerras, e a “terra casa comum dos homens”, isto é, governada e não esgotada no sentido de pôr em perigo a sobrevivência das espécies, incluindo a humana. Por isso não desaparece a questão multissecular de decidir se a autoridade do poder deve ser retida pelos humanos que ganharam a qualidade de cidadãos (democracia), ou se esta ainda é ameaçada pelos poderes, ou ocultos ou não legitimados.

Daqui resulta, perante o turbilhão das migrações, da guerra em toda a parte, incluindo as 300 ou 400 mil crianças que combatem do Cabo ao Cairo, a questão de saber se devemos encontrar uma nova forma de governar ou, reformulando a semântica, se o Estado necessita de ser reinventado.

Por enquanto, evidenciaram-se as ruturas do mundo, com o antigo Terceiro Mundo a declarar que considera os ocidentais os maiores agressores dos tempos modernos. A segurança, a livre circulação, os deveres humanitários, deixam os ocidentais em crescente perplexidade em face do terrorismo, com o Médio Oriente em turbilhão, com o futuro da União Europeia na dúvida, abalada a confiança que o Abade Correia da Serra depositou no norte do continente americano quando regido pelo Manual de Jefferson e, no sul, pelo breve Reino de Portugal, Brasil e Algarves, com o “credo do mercado” a substituir o “credo dos valores” que sonhou com o “mundo único” e a “terra casa comum dos homens”.

E também a difícil relação entre a técnica e as ciências, sobretudo na área do armamento, e o seu uso. Lembremos que a descoberta do uso da energia atómica, para fins guerreiros, levou o condutor da investigação a declarar que tal poder nunca fosse usado.

Isso não impediu que Truman, talvez para evitar que Estaline avançasse sobre a Ásia depois de ter declarado guerra ao Japão, ordenasse o lançamento da bomba atómica sobre Hiroxima e Nagasaki, a 6 e 9 de agosto de 1945, fixando em 598 mil os mortos no Japão, incluindo os bombardeamentos anteriores, Hiroxima contribuindo com 140 mil vítimas e Nagasaki com 74 mil, tudo acrescentado com os 120 mil que depois morreram por causa dos efeitos.

Sabemos que o avanço da ciência não impede que os pobres morram mais cedo, que os despojados de recursos alarguem a dimensão, enquanto os mais ricos diminuem em percentagem. Já Getúlio Vargas (1947) disse que “em matéria de petróleo, tudo o que a nossa imaginação possa sugerir é pouco em face do que possa acontecer”. O embaixador Moniz de Aragão (1939) escrevera que “o petróleo opera prodígios, tem ditado a política internacional das grandes potências, assentou e derrubou governos, abalou uma dinastia, criou fortunas fabulosas e conta entre os seus servidores estadistas dos mais notáveis”.

Mas nesta data e nesta fase do globalismo do nosso tempo, foi o poder atómico que iniciou a exigência que requer capacidade de finalmente entender o globalismo e impedir os usos e efeitos das capacidades destrutivas. Desde o fim da II Guerra Mundial, as potências procuram obstar à multiplicação da posse da bomba, ainda mais terrível depois da bomba de hidrogénio.

Os EUA – não apenas para assim manterem a superioridade na hierarquia militar, sabendo, por experiência, que quem tem a bomba não resiste a usá-la – procuraram tratados limitadores e segredo do saber. Esqueceram-se de que a ciência e o saber-fazer dificilmente perdem a capacidade de se exibirem e, nesta data, além dos conflitos militares em curso, a ameaça da bomba é esdrúxula. O número de países que a possuem ou podem possuir é crescente (EUA, França, Israel, Irão, África do Sul, União Indiana, China), mas destaca-se a Coreia do Norte, governada por um imprevisível, e os EUA hoje governados por um, por enquanto, indecifrável.

Sabemos, pela história, que os grandes conflitos começaram frequentemente por motivos fúteis, como aconteceu com a Primeira Guerra Mundial: o que tenho por evidente, neste globalismo em que vivemos, é que, pela primeira vez na história da humanidade, o homem tem o poder de destruir a Terra. Doutrinas, teorias, ideologias, códigos religiosos e morais não detêm a loucura que eventualmente afeta os detentores do poder.

Por isso, assumindo todo o pessimismo que nos possa ser atribuído, concordemos que é o mais urgente problema que temos de enfrentar. Contrariar, pela doutrinação dos inspiradores, que “o mundo único” e a “terra casa comum dos homens” são os princípios que uma reorganização deve ter por premissas orientadoras. Mas não possuímos as vozes inspiradoras que, em tantas crises do passado, conseguiram encontrar e abrir caminhos.

É em face deste mundo de ruturas que se põe a nossa questão, em busca de respostas, da inserção unida dos países lusófonos no mundo pós-ocidental. Há fundamento para esta inquietação e incapacidade de prognosticar sobre o futuro.

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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