Noah Baumbach: ''História de um casamento' não é sobre o meu casamento' - EntornoInteligente
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LONDRES — Ao longo de sua carreira, Noah Baumbach sempre precisou negar que seus filmes sejam sobre sua própria vida. “O filme é uma obra de ficção”, garantiu o diretor e roteirista em 2005, quando o público começou a destacar as semelhanças entre o divórcio dos pais dele e o do protagonista de “A lula e a baleia”. “Nada ali é autobiográfico”, disse a respeito de “Enquanto somos jovens”, de 2014, sobre um cineasta passando por uma crise de meia-idade.

Com “História de um casamento” — seu filme mais recente, e líder de indicações ao Globo de Ouro 2020 — o discurso permanece o mesmo: “Não é sobre o meu casamento de forma alguma.” O cineasta de 50 anos tem um jeito nervoso e ofegante e pula de um pensamento para outro, muitas vezes antes que o primeiro tome forma.

Divórcio de Jennifer Jason Leigh O casamento a que ele se refere foi com a atriz Jennifer Jason Leigh, estrela seu drama “Margot e o casamento”, de 2007. Em 2010, sete meses após o nascimento do filho Rohmer, Leigh pediu o divórcio. Mas ele garante que as semelhanças terminam aí. Baumbach mostrou o roteiro de “História de um casamento” para a ex-esposa e mandou uma cópia quando a obra ficou pronta, mas só porque sabia o que as pessoas iriam pensar, garante.

— Eu sei que as pessoas não conseguem evitar esses paralelos. Eu queria que ela soubesse, visse antes, por esse motivo. — Mas ele teria mudado alguma coisa se ela não tivesse gostado? — Bem, na verdade foi como mostrar para qualquer outra pessoa. Não é algo que alguém possa ser contra, a não ser do ponto de vista artístico.

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PUBLICIDADE Cena desgastante A separação no centro de “História de um casamento” é complicada e sutil, uma mistura de ódio e amor. No início, Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson) estão determinados a fazer tudo sem advogados e manter a amizade. Isso não dura muito. Nicole desiste primeiro. Ela se muda de Nova York para Los Angeles com o filho, Henry, e recruta a advogada Nora (Laura Dern), uma mulher de integridade ambígua. Charlie segue o exemplo, contratando e demitindo um advogado antes de se decidir por Jay (Ray Liotta), um trator impetuoso com foco total em dinheiro. Os advogados usam informações íntimas como munição e atacam um ao outro, enquanto seus clientes assistem.

Cena de 'História de um casamento' Foto: Divulgação Nicole e Charlie, diz Baumbach, são “duas pessoas articuladas, artísticas, criativas que se encontram em uma situação na qual não têm voz. Surgem esses avatares falando por eles, e sobre eles. É quase como se os advogados estivessem interpretando eles.”

Uma cena posterior, na qual Nicole e Charlie têm uma briga mais séria, acontece “depois de terem sido silenciados”, acrescenta. Essa cena levou dois dias para ser filmada. Baumbach a considerou tão desgastante — mais do que qualquer outra de sua carreira — que precisou fazer caminhadas frequentes ao redor do quarteirão para relaxar.

PUBLICIDADE — Apesar de ser uma ficção, ouvir pessoas falando essas coisas umas para as outras repetidas vezes é difícil. Mesmo se você fecha os olhos, e só ouve … é como alguém gritando na rua. Você não consegue ouvir por muito tempo, mesmo se não estiver envolvido.

Casamento com Greta Gerwig Greta Gerwig e Noah Baumbach no lançamento de "Adoráveis mulheres", no Museu de Arte Moderna de Nova York, em dezembro de 2019 Foto: ANGELA WEISS / AFP Baumbach mostrou todos os rascunhos do roteiro a sua parceira, Greta Gerwig. Eles se conheceram em 2010, quando ela estrelou “O solteirão”. No ano seguinte, começaram a escrever “Frances Ha” juntos. Na época não eram um casal, mas se tornaram quando o filme foi lançado e agora têm um bebê, Harold. No início, muitos descreviam Gerwig como a musa de Baumbach, algo que ele descarta de imediato.

— Nunca senti dessa forma. Ela é uma influência incrível para mim de muitas maneiras. Quando começamos a escrever juntos, acho que me tornei um roteirista melhor simplesmente porque estava tentando impressioná-la, porque ela era tão… Quando estávamos trabalhando em “Frances Ha”, gostei tanto do que ela estava escrevendo, que tentava me igualar. Não estávamos juntos na época, e nem trabalhamos no mesmo lugar na maior parte do tempo, eram muitos emails. Eu lia e pensava, “caramba, preciso fazer algo tão bom assim”. Era excitante.

PUBLICIDADE Charlie privilegiado? O filme gerou debates sobre uma possível visão mais simpática em relação a Charlie, às custas de Nicole. Baumbach discorda.

— O que o filme faz — diz o diretor, levantando-se para tomar um segundo chá — é permitir que o público balance naturalmente para frente e para trás. É natural, quando você assiste a um filme, seguir a perspectiva apresentada. Se é um assassino, você está lá com ele, e pode ficar preocupado por ele se houver algum problema, porque você está vivendo essa experiência com ele. Eu senti que o público, de uma maneira gentil, poderia e deveria estar envolvido. Isso não significa que não tomem partido, o que é bom, mas essas pessoas são dignas de nossa simpatia e estão se esforçando ao máximo. Nenhum dos lados está mais certo ou errado, é mais ou menos verdadeiro. Os dois são pessoas essencialmente boas, imperfeitas e amorosas.

A entrevista está quase no fim, e Baumbach não parece totalmente satisfeito com as respostas que deu.

— Sinto que, em um mundo perfeito, eu poderia esperar 10 anos e depois fazer as entrevistas. — sugere. — Porque eu ainda não entendo totalmente o que fiz.

Mas ele percebe que cada filme o altera de uma maneira imperceptível.

PUBLICIDADE — A experiência muda a gente e os filmes são grandes experiências. São dois anos da sua vida nos quais você vive dentro dessa históriaa. Então isso deve me mudar.

LINK ORIGINAL: OGlobo

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