Neymar é pego na fábula de Pedro e o Lobo + - EntornoInteligente
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23/06/2018 – Jornal do Brasil. / São Petersburgo – O primeiro chute do Brasil no alvo, o gol de Keylor Navas, foi de Marcelo, aos 40 minutos. Demorou tudo isso para finalizar de fora da área, como Coutinho fez, para fora, na segunda volta do ponteiro. O desafio de quebrar as linhas costa-riquenhas e entrar na área só se deu num lançamento de Coutinho, aos 26 minutos. Pegou Neymar atrás da defesa, mas sem domínio.

O que atrapalha é rodar a bola sem conseguir fazer superioridade numérica. Quando um jogador brasileiro recebia a bola pelo lado do campo, sempre havia dois costa-riquenhos. Quando havia dois brasileiros, três costa-riquenhos.

Desse jeito, nem quando recebe na linha vermelha, como Tite chama o último terço de campo, nem assim Neymar consegue o drible em direção ao gol. Teve sucesso nesse tipo de jogada uma vez durante todo o primeiro tempo.

Quem mais dá luz ao time é Philippe Coutinho. O ritmo com que troca passes rápidos e com paciência para abrir espaço.

Só no segundo tempo o Brasil quebrou a superioridade numérica nos setores que a Costa Rica tinha, e foi isso o que permitiu invadir mais a área. Em dez minutos, a seleção finalizou mais contra Navas do que em toda a primeira etapa. Mas seguia esbarrando nos dois muros, o que fazia exagerar nos cruzamentos. Foi inteligente colocar Firmino na vaga de Paulinho, e não de Gabriel Jesus, porque dava chance de quebrar a sobra costa-riquenha. Quando subiam Douglas Costa, Firmino, Jesus, Coutinho e Neymar, podia ficar cinco contra cinco.

Ao mesmo tempo em que igualou na frente, o Brasil errou atrás. Três passes errados de Casemiro poderiam ter sido fatais. Prevaleceu o contra-ataque com quatro contra três no lance em que Neymar teve chance de finalizar, foi puxado e o árbitro Bjorn Kuipers marcou pênalti.

Para mim, foi pênalti.

Mas Neymar foi pego na fábula de Pedro e o Lobo. De tanto fingir que vinha o bicho mau, quando o lobo veio, mesmo, ninguém acreditou.

Discutir só o pênalti ou o mérito da vitória a fórceps reduz a chance de debater se o Brasil fez todo o possível para quebrar as linhas. O gol de Coutinho dá paz para tentar a classificação contra a Sérvia.

É preciso triangular mais e cruzar menos para furar defesas fechadas, marca desta Copa do Mundo. Três atacantes contra dois beques é a arma para deixar os melhores jogadores em condição de, aí sim, driblar em direção ao gol.

Precisa ser contra a Sérvia, na quarta-feira (27), em Moscou.

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