Na Amazónia, os criminosos atacam defensores do meio ambiente para destruir a floresta - EntornoInteligente
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A desflorestação da Amazónia brasileira é impulsionada por redes criminosas criadas por invasores e fazendeiros que usam violência e intimidação contra quem tenta impedi-los, denuncia a Human Rights Watch (HRW) num relatório divulgado esta terça-feira.

Mais populares Ambiente Caçadores admitem criar partido contra “ameaça” de aliança PS-PAN Futebol O segredo do sucesso do Famalicão tem um nome: Jorge Mendes i-album Exposição Um mergulho no interior de sete prisões portuguesas O documento de 165 páginas intitulado “Máfias da floresta tropical: como a violência e a impunidade alimentam o desmatamento na Amazónia brasileira”, elaborado pela organização não-governamental, afirma que a desflorestação ilegal e os incêndios florestais estão relacionados com actos de violência e intimidação contra defensores do meio ambiente no país .

Segundo a HRW, o Governo brasileiro fracassou quando tentou investigar e processar responsáveis por este tipo de crime, deixando de punir a maioria dos responsáveis pelo assassínio de ambientalistas e defensores da maior floresta tropical do mundo.

” Os brasileiros que defendem a Amazónia estão a enfrentar ameaças e ataques de redes criminosas envolvidas em extracção ilegal de madeira “, disse Daniel Wilkinson, director interino de direitos humanos e meio ambiente da Human Right Watch.

“A situação só está a piorar com o Presidente [do Brasil, Jair] Bolsonaro , cujo ataque às agências ambientais do país está a colocar em risco a floresta tropical e as pessoas que vivem lá”, acrescentou.

Para elaborar o relatório, a HRW entrevistou mais de 170 pessoas, incluindo 60 membros de comunidades indígenas e outros residentes de três estados amazónicos: Maranhão, Pará e Rondônia.

Segundo a ONG, as redes criminosas geralmente coordenadas por fazendeiros e pessoas que invadem terras ilegalmente actuam na região com capacidade logística de coordenar a extracção, o processamento e a venda em larga escala de madeira, enquanto mobilizam homens armados para intimidar e, em alguns casos, matar aqueles que procuram defender a floresta.

O efeito Bolsonaro Os investigadores também entrevistaram dezenas de funcionários do Governo em Brasília e em toda a região amazónica, incluindo muitos que mencionaram como as políticas adoptadas na gestão Bolsonaro estão a minar os esforços de fiscalização para impedir a destruição da floresta.

Ministério Público brasileiro pede acção “urgente” para evitar ataques a terras indígenas “Durante o seu primeiro ano no cargo, Bolsonaro reduziu a aplicação das leis ambientais, enfraqueceu as agências ambientais federais e criticou duramente organizações e indivíduos que trabalham para preservar a floresta amazónica”, diz-se no relatório.

A HRW realizou mais de 60 entrevistas com autoridades envolvidas na aplicação de leis ambientais ou criminais na região, e outras 60 entrevistas com membros de comunidades indígenas e moradores, e encontrou um amplo consenso de que essa violência é um problema generalizado na região há anos .

Mais de 300 pessoas foram mortas na última década no contexto de conflitos pelo uso da terra e recursos na Amazónia, segundo dados recolhidos pela organização ligada à igreja católica Comissão Pastoral da Terra (CPT). A HRW documentou 28 assassínios, quatro tentativas de morte e 40 casos de ameaças de morte no relatório, frisando que em todos estes casos existem “evidências confiáveis de que os responsáveis estavam envolvidos em actos de desflorestação ilegal e viam as suas vítimas como obstáculos ao seu empreendimento criminoso”.

Outro dado alarmante diz respeito ao facto de que os responsáveis por actos de violência na região raramente são levados à Justiça .

Bolsonaro admite que fogos estão descontrolados: “Como vamos combater incêndios numa área destas?” “Dos mais de 300 assassínios registados pelo CPT, apenas 14 foram julgados; dos 28 assassínios documentados pela Human Rights Watch, apenas dois foram a julgamento e nenhum dos mais de 40 casos ou ameaças resultaram em alguma punição”, segundo a ONG.

O documento salienta que a falta de responsabilização pelos crimes decorre, em grande parte, do facto de a polícia brasileira não conduzir investigações apropriadas.

“A polícia local reconheceu o seu fracasso e disse que [isto acontece] porque os assassínios ocorrem em áreas remotas. No entanto, a Human Rights Watch documentou omissões flagrantes nas investigações de assassínios ocorridos nas cidades, […] incluindo a falha na realização de autópsias”, destaca o relatório.

As investigações de ameaças de morte não se saem melhor, com autoridades em alguns locais a recusarem-se a registar queixas de ameaças.

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Subscrever × “Em pelo menos 19 dos 28 assassínios documentados, ameaças contra as vítimas ou as suas comunidades precederam os ataques. Se as autoridades tivessem investigado, os assassínios poderiam ter sido evitados”, segundo o relatório.

Ler mais Mais de 40 associações exigem posicionamento do Governo português sobre Amazónia Manifestação em Lisboa reuniu 700 pessoas pela defesa da Amazónia Na conclusão, a HRW apontou que as comunidades indígenas e outros residentes da Amazónia há muito tempo desempenham um papel importante nos esforços do país para conter o desmatamento, alertando as autoridades sobre as actividades ilegais que, de outra forma, poderiam passar despercebidas.

No entanto, a redução da fiscalização ambiental incentiva a extracção ilegal de madeira e resulta em maior destruição da floresta amazónica no Brasil.

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