Mônica Carvalho, atriz e musa da abertura de 'Mulheres de Areia', vira roteirista: 'Foi muita luta'

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Eleições Onda de frio Paulo Cupertino preso Série Musas dos anos 90 Otan Mônica Carvalho, atriz e musa da abertura de 'Mulheres de Areia', vira roteirista: 'Foi muita luta' Ela fala de 'Saraliaeleia' (filme do qual é produtora, atriz e roteirista) e relembra carreira com 13 novelas. Série do g1 narra trajetória e conta como estão 'musas dos anos 90'. Por Marília Neves, g1

18/05/2022 04h00 Atualizado 18/05/2022

Mônica Carvalho: musas dos anos 90

Vinhetas de novelas já foram o primeiro passo de muitas estrelas nacionais. É o caso de Mônica Carvalho: em 1993, ela rodopiou entre águas e grãos de areia ao som de «Sexy Yemanjá» na abertura de «Mulheres de Areia».

«E é uma abertura linda, foi o começo de tudo, foi o meu divisor de águas ali para que as pessoas conhecessem a Mônica. E dali tudo começou.»

«E ao total hoje são 13 novelas, é bastante coisa», contabiliza a atriz, em entrevista ao g1 .

Nesta semana, o g1 dá voz às mulheres que foram chamadas de musas nos anos 1990. Nesta série de entrevistas, elas relembram as trajetórias e contam como estão.

1 de 7 Mônica Carvalho nos anos 90 e em foto recente — Foto: Divulgação e Reprodução/Instagram da atriz Mônica Carvalho nos anos 90 e em foto recente — Foto: Divulgação e Reprodução/Instagram da atriz

Aos 51 anos, Mônica é mãe de Yaclara, de 17 anos, e Valentina, de 6, mora em São Paulo, e segue trabalhando como atriz. Mas hoje também acrescentou em seu currículo os postos de coprodutora e roteirista.

«As minhas experiências como roteirista não são de hoje, já tem um caminho lá atrás. É que hoje eu tenho realmente um projeto muito grande e que as pessoas vão conhecer e falar assim: 'Nossa, você escreve, não sabia'. Realmente, mas é um caminho, né?»

«Nada é da noite para o dia, foi muita luta, muitos 'nãos'. E o 'não' nunca me desanimou ou me deixou de ser confiante no que eu queria da minha vida.»

Quando Mônica fala sobre o grande projeto, está citando o roteiro de seu primeiro longa, o «Saraliaeleia». O filme foi escrito e gravado ao longo da pandemia e está previsto para ser lançado ainda neste semestre.

«É um filme que passa uma mensagem muito legal porque eu falo sobre a pandemia, né? Falo sobre três mulheres que moram em São Paulo e que estão com muitos projetos para 2020 e vem a pandemia e elas ficam desempregados. Elas vão dividir um quarto e sala. Então é muito sufocante você não ter um espaço.»

2 de 7 Parte do elenco do filme «Saraliaeleia» — Foto: Reprodução/Instagram Parte do elenco do filme «Saraliaeleia» — Foto: Reprodução/Instagram

«Uma das personagens, que é minha e que resolve ajudar as amigas porque não tem para onde ir, começa a se sentir sufocada, mas ao mesmo tempo, ela fala: 'meu Deus, se eu não ajudar elas, como vai ser?'», conta Mônica.

A gravação aconteceu em Maragogi e traz no elenco estrelas como Henri Castelli a Dani Winits, Nelson Freitas, André Matos e Thaisa Carvalho.

«Eu quis sair do eixo Rio São Paulo justamente para mostrar as belezas naturais que a gente tem no nosso Nordeste. Maragogi tem a cor do mar que é lindo que é a cor do Caribe, vocês vão ter cenas que vão falar: 'meu Deus, é Maldivas, é qualquer outro lugar e não é Brasil'. E não. É o Brasil e eu fiz questão de valorizar», conta.

Apesar de se sentir realizada por trás das câmeras, Mônica não pretende largar a atuação (tanto que também é uma das protagonistas de seu filme).

«Eu gosto muito do meu trabalho e dessas possibilidades que a minha profissão me dá. Eu acho que hoje em dia, o ator que fica esperando o telefone tocar, acabou.»

3 de 7 Mônica Carvalho na vinheta de «Mulheres de Areia» — Foto: Reprodução/Globo Mônica Carvalho na vinheta de «Mulheres de Areia» — Foto: Reprodução/Globo

Ela diz que hoje quem atua tem que ser produtivo. «Você tem como mostrar sua arte, mostrar o seu trabalho. Eu acho que eu sou um grande exemplo disso hoje, eu não fiquei parada esperando em nenhum momento e isso me fez crescer muito.»

«Você não fica presa a nada. Porque você tem as séries, você tem produtoras, você tem streamings que estão procurando projetos. Acho que a gente está num momento de muita oportunidade para quem tem para oferecer.»

g1 – Aproveitando que você falou de streaming, estão disponíveis nas plataformas algumas novelas que você participou no passado (exemplo de ' Chocolate com Pimenta ' e 'Fina Estampa', no Globoplay ). Você assiste? Como é, para você, se ver nas antigas novelas?

Mônica Carvalho – Ah, eu amo, é a minha história. Eu olho com muito orgulho, com muita gratidão de ver que eu fiz tantos trabalhos bacanas. Eu fiz novelas muito boas, novelas de muito sucesso, novelas que alcançavam o Ibope que hoje é muito difícil, né? Porque o mercado tá muito grande. Então eu tenho muito carinho mesmo, muito respeito pela minha trajetória, de como eu cresci profissionalmente dentro das minhas novelas.

E às vezes observo com o olhar crítico de falar assim: «Nossa, eu poderia ter feito melhor esse personagem, encaminhar ele para um outro lado?». Aí eu falo: 'não, não eu não poderia'. Porque era o melhor que eu tinha para dar naquela época e fico feliz mesmo assim com o que eu vejo.

E as pessoas falam muito até hoje. Por exemplo a minha abertura de novela, gente, pelo amor de Deus, «Mulheres de Areia», ninguém esquece. É uma abertura linda, foi o começo de tudo, foi o meu divisor de águas ali para que as pessoas conhecessem a Mônica. E dali tudo começou. E ao total hoje são 13 novelas, é bastante coisa.

4 de 7 Mônica Carvalho — Foto: Reprodução/Instagram Mônica Carvalho — Foto: Reprodução/Instagram

g1 – Então o assédio dos fãs não mudou, né?

Monica – Olha o fã, na verdade, de quando eu comecei, cresceu. Eu tinha 19 e 20 anos. Eu tive uma experiência muito boa no ano passado com a novela das 8h, a «Fina Estampa», que foi a primeira reprise que eu fiz. Foi engraçado isso porque eu aumentei meu público. E foi para um público mais novo também, que não tinha visto a novela.

A novela voltou e fez um sucesso muito grande. Eu comecei a dar um monte de entrevista de novo, sobre uma novela que tinha passado há 9 anos. E veio um público novo com isso. Muita gente que não tinha me visto na novela, me viu e adorou, acompanhou.

g1 – Além do assédio dos fãs, existe o assédio que muitas mulheres sofreram na profissão e que, hoje se fala muito com movimentos como o #metoo, mas que no passado não se falava. Você passou por alguma situação de assédio? Perdeu algum trabalho por essa questão?

Monica – Nunca. Graças a Deus, eu sempre tive um bom relacionamento com os diretores. Sempre diretores até me elogiavam, falavam: «ai, como você é bonita». Mas nunca teve um assédio. E nunca teve: «Ai, se você não sair comigo ou não jantar, você não pega esse personagem».

Eu acho que a postura também é muito importante. E sei que às vezes é difícil, ainda mais quando você é jovem, você pega de surpresa numa situação como essa.

g1 – Quem são as musas da atualidade pra você?

Mônica – Ai gente, tem uma mulherada linda, né? Por exemplo a Paolla Oliveira, eu acho uma musa incrível. Acho ela linda, simpática, corpão, ela tem um brilho de vida feliz, que eu gosto muito. Giovanna Antonelli, eu acho ela linda também, sempre achei.

Não sei se você tá me perguntando de musas mais jovem, de 20 e poucos anos. Mas eu acho que a mulherada de 40 está tão linda. Estão com a bola toda.

g1 – Legal você falar isso, porque eu ia te perguntar se você acha que mudou o perfil de musas dos anos 1990 para de hoje. E a idade, pelo o que você está citando, está subindo né?

Mônica – Eu acho que sim, eu acho que tá subindo. Você sabe que eu lembro que, quando eu tinha 20 e poucos anos, tinha aquelas matérias nos Estados Unidos da revista das mulheres mais bonitas, e antes eram mulheres de 20 a 30 e poucos anos. Depois que foram para os 40. E hoje é 50.

A mulher vai ficando mais completa, porque eu acho que a segurança é um atrativo. Uma mulher segura se torna mais bonita.

5 de 7 Mônica Carvalho estrelou diversas capas de revistas na década de 1990 — Foto: Reprodução/Instagram Mônica Carvalho estrelou diversas capas de revistas na década de 1990 — Foto: Reprodução/Instagram

Porque é no olhar, é na fala… Eu acho que beleza vem com conjunto muito grande, de uma postura, de um comportamento, de uma admiração que você vai ter. Não é só aquela coisa da beleza em si.

Hoje a gente está cobrando um pouquinho mais, justamente porque a internet nos dá essa liberdade, essa intimidade para você conhecer um pouco melhor a pessoa que você é fã, que você é ídolo, que você vê no dia a dia. Antes, não. Você só tinha a revista, então você escolheu muito só pela plástica. É claro que a plástica vai contar por que a gente está falando de beleza, mas a gente hoje está cobrando um conjuntinho maior.

g1 – E nessa questão de cobrança, você se sente cobrada nas redes sociais por envelhecer? Algumas mulheres relatam esse tipo de cobrança…

Mônica – A cobrança sempre tem em tudo. Eles te cobram porque às vezes você é bonita e não pode ser inteligente, te cobram porque a gente está envelhecendo.

Envelhecer é vida, né? Porque senão você morre. Então assim, graças a Deus, eu quero ficar velhinha, ver minhas filhas, minhas netas, tudo isso e tem um olhar muito bonito pela caminhada, porque é isso que vai te fazer envelhecer feliz.

E essa cobrança hoje em dia eu acho um pouco cruel, porque às vezes são os outros que se incomodam muito mais com fato de você estar envelhecendo ou de você ter idade do que você mesmo. Eu não fico pensando: «Ah, meu Deus, eu fiz 50 anos». Não! Eu olho para trás e falo: Nossa, eu arrebentei. Olha onde eu estou hoje, produtora de cinema. Meu longa estrear nacionalmente vai para o mundo, sabe? Eu tive duas filhas, eu construí uma família. Então eu acho que isso tudo contribui para que você vá aceitando e sendo feliz. A maturidade de dá isso, te dá essa aceitação.

6 de 7 Mônica Carvalho em cena com Marcelo Novaes e Drica Moraes na novela «Chocolate com Pimenta» — Foto: TV Globo / João Miguel Júnior Mônica Carvalho em cena com Marcelo Novaes e Drica Moraes na novela «Chocolate com Pimenta» — Foto: TV Globo / João Miguel Júnior

g1 – Você comentou que às vezes assiste a alguma coisa que fez e pensa que poderia ter feito diferente. No geral, você acha que na carreira toda teria feito algo diferente? Se arrepende de algo que fez?

Mônica: Ah não, acho que tem trabalhos que, por exemplo, eu poderia não ter feito. Que eu olho assim: «foi brega esse trabalho». Mas eu não tinha muita escolha naquela época porque eu não venho de uma família de artista, eu fui desbravando meus próprios caminhos. Mas eu acho que tudo é muito válido também.

g1 – Durante sua carreira, você fez três ensaios nus em uma época em que o cachê mudava o rumo das musas…

Mônica – Era só isso (risos).

g1 – Mudou o seu também?

Mônica – Olha, eu sempre achei o trabalho da Playboy, ainda mais antigamente, sempre muito bonito. Nunca foi uma exposição. As minhas fotos, eu sempre escolhi. Sempre teve um cuidado e eu acho o nu feminino muito bonito, o corpo da mulher é muito lindo.

Mas é claro que naquela época era o cachê também que contava. Porque se não fosse o cachê, não tinha por que fazer. Fazer para quê? Eu não teria essa vaidade.

Eu sei que tem mulheres que não precisavam às vezes do cachê e fizeram porque têm essa vaidade de querer se ver, de ser uma mulher desejada.

Eu nunca tive essa vaidade. Então o cachê sempre falou mais alto. Tanto que eu fiz três, né?

Relembre a trajetória de Mônica Carvalho:

7 de 7 Mônica Carvalho — Foto: Reprodução/Instagram Mônica Carvalho — Foto: Reprodução/Instagram

28 de março de 1971: Mônica Carvalho nasce no Rio de Janeiro 1993: estrela a vinheta de abertura da novela «Mulheres de Areia» 1993, 2001 e 2008: é capa da revista «Playboy» 1994: estreia na novela «A Viagem» 1995: atua nas novelas «Quatro por quatro» e «Por amor» 1998: depois de atuar em «A Indomada», estreia em «Corpo Dourado «com um dos personagens mais marcantes da carreira, a «mudinha» Clara 2001: atua em «Porto dos Milagres» 2003: estreia em «Chocolate com Pimenta» 2004: dá à luz sua primeira filha, Yaclara 2015: participa da peça «Amor, Humor, o Resto é Bobagem» 2016: dá à luz sua segunda filha, Valentina 2022: se prepara para o lançamento de «Saraliaeleia», seu primeiro filme como roteirista. Longa foi gravado em 2021

LINK ORIGINAL: G1 Globo

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