Marco dos anos 70, 'Hoje é dia de rock' volta aos palcos em aniversário do Teatro Ipanema - EntornoInteligente

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RIO – Considerada um divisor de águas na história do Teatro Ipanema , a peça “Hoje é dia de rock” , escrita por José Vicente em 1971, retorna ao palco que a consagrou, em encenação de Gabriel Villela . A peça fica em cartaz até 19 de março.

Nascido no interior de Minas Gerais, assim como o dramaturgo que se tornou um dos ícones do Ipanema, Villela diz que vê parte da sua própria trajetória – do interior para a cidade grande – espelhada tanto na vida de seu conterrâneo como na dos personagens da obra. Tida como uma espécie de peça-biografia de José Vicente, “Hoje é dia de rock” narra a saga de uma família que sai do sertão de Minas e tenta sobreviver numa capital movida a consumo.

A prole é liderada por Pedro Fogueteiro (Rodrigo Ferrarini), um músico sonhador que busca inventar uma nova clave musical, e também por Adélia (Rosana Stavis), a matriarca que vê no êxodo para a cidade grande a chance de oferecer uma vida melhor para os cinco filhos. A chegada ao mundo cosmopolita, no entanto, provoca instabilidade no núcleo familiar. E impulsiona um rito de iniciação em cada um de seus integrantes.

– Como base para a nossa imersão na fábula do José e para a montagem, estudamos certas trajetórias de proles nas tragédias gregas, o encontro do bárbaro com o mundo civilizado e o que isso provoca – diz Villela. – Seja por intervenção divina ou humana, o que acontece às famílias que abandonam seu berço bárbaro e chegam à cidade-estado é uma trajetória rumo à desgregação familiar, e foi esse olhar que trouxemos.

A nova versão também celebra os 50 anos do Teatro Ipanema, fundado em 1968 por Ivan de Albuquerque (1932-2001) e Rubens Corrêa (1931-1996), que dirigiu a seminal montagem da peça em 1971. Na época, o cenógrafo Luiz Carlos Ripper pôs abaixo o palco italiano do teatro e transformou o espaço de apresentação num grande corredor, um palco-estrada, em alusão à jornada da família Fogueteiro e ao incentivo da mãe para que os filhos explorassem novos horizontes.

– A peça é uma ode familiar. O José Vicente a escreveu sob o impacto da morte do seu pai, diante desta urgência de criar uma espécie de funeral em forma de peça para ele.

POESIA E MÚSICA CONTRA VIOLÊNCIA

“Hoje é dia de rock” também foi escrita como resposta a um tempo de contradições, sob os efeitos libertários do movimento hippie e do Maio de 1968, que, no Brasil, entravam em choque com a ditadura militar instaurada em 1964 e com seu arrocho, a partir do AI-5 instituído em 1968. Diante deste contexto, José Vicente e Rubens Corrêa montaram uma peça explicitamente poética. Inspirada no realismo mágico de García Márquez e, por isso, aparentemente descolada daquele tempo, “Hoje é dia de rock” apostava fichas na poesia e na música como antídoto à violência da época:

– Ele assume com coragem uma linguagem poética, e talvez a maior transgressão desse texto é fazer um elogio à diferença – diz Vilella. – “Hoje é dia de rock” foi criada a partir dos portais da percepção abertos por Aldous Huxley e pela contracultura e sua tríade de sexo, drogas e rock’n’ roll. Naquele momento, o José Vicente, o Rubens e o (José) Wilker estavam envolvidos num teatro de resistência, mas que optava por não fazer uma provocação direta à ditadura. Ainda assim, a peça estava muito contextualizada. O José Vicente metabolizou o espírito de um tempo.

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Na nova montagem, esse tempo é evocado não só pela linguagem do autor, mas pela atmosfera sonora, que mergulha no repertório do Clube da Esquina. Todo esse invólucro é potencializado por Villela, que se afasta do naturalismo e transforma o palco num mundo à parte, mas não apartado das questões do nosso tempo.

– A peça fala de afetos primordiais e de valores que são eternos. Mas se a gente fala assim, hoje, começam a chamar a gente de doido… Tem sentido hoje também por isso, está tudo tão à beira do fim do mundo… Acho que ela conversa com esse trágico.

“Hoje é dia de rock”

Onde: Teatro Ipanema – Rua Prudente de Morais 824, Ipanema (2267-3750). Quando: Qui. a seg. às 20h30m. Até 19/3. Quanto: R$ 50. Classificação: 14 anos.

Marco dos anos 70, ‘Hoje é dia de rock’ volta aos palcos em aniversário do Teatro Ipanema

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