Maranhense que mora em SP e não ganha auxílio do governo põe casa à venda: 'Se conseguir, pago dívidas e volto para minha terra'

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Eleições Varíola dos macacos Loterias Destaques do Fantástico Fórum em Davos Maranhense que mora em SP e não ganha auxílio do governo põe casa à venda: 'Se conseguir, pago dívidas e volto para minha terra' Janaína Pires Nunes mora com o marido e três filhos na comunidade de Pinheiral, na Zona Sul da capital paulista. Ela conta que a renda da família fica em torno de R$ 300 por mês. Por Deslange Paiva, g1 SP — São Paulo

24/05/2022 05h03 Atualizado 24/05/2022

1 de 1 Janaina tem 3 filhos e trabalha vendendo bolos em frente a estações de trem em SP. — Foto: Deslange Paiva/ g1 Janaina tem 3 filhos e trabalha vendendo bolos em frente a estações de trem em SP. — Foto: Deslange Paiva/ g1

A família de Janaína Pires Nunes, de 30 anos, é uma das que não «é vista pela política». Ela mora com o marido e três filhos na comunidade de Pinheiral, na Zona Sul de São Paulo , e conta que não recebe nenhum auxílio do governo. A autônoma trabalha vendendo bolos em frente a estações de trem da região, e conta que, depois da pandemia, a renda da família diminuiu.

«Eu ainda consigo vender alguma coisa, recebo uns pingados. Meu marido também faz bicos. Por mês, a nossa renda deve ficar em R$ 300.»

A vendedora de bolos usava o carro para trabalhar. No entanto, com o aumento do preço da gasolina, utilizar o automóvel ficou inviável. «Não compensa mais, porque tudo que eu ganhar acaba indo para a gasolina, e às vezes o valor não bancava nem isso. Estou me organizando para continuar indo para as estações de ônibus, mas em menos dias, por falta de dinheiro para a passagem.»

Ela conta que ela e o marido geralmente fazem apenas uma refeição por dia. «Os meninos almoçam na escola, e como o pessoal está entregando marmita aqui, eu separo para a janta deles. Eu como alguma coisa quando dá, no resto do dia não sinto muita fome.»

A autônoma é do Maranhão e vive em São Paulo há 12 anos, mas, por conta das dificuldades, colocou a casa à venda e pretende voltar para o estado de origem.

«Se eu falar que não está faltando comida, vou estar mentindo. Quando vender a casa, vou pagar minhas dívidas e volto para casa [no Maranhão}. A minha mãe fala que pelo menos lá não vai faltar comida», diz Janaína.

Segundo Regina Paixão, líder comunitária do local, o movimento de retornar para os estados de origem está cada vez mais comum. Muitas pessoas começaram a pedir ajuda para comprar a passagem de volta para fugir da fome. «É um movimento que estamos observando, as pessoas que vieram para o estado de São Paulo justamente em busca de novas oportunidades estão sem alternativas.»

Extrema pobreza na cidade de SP

Mais de 619 mil famílias estão vivendo em situação de extrema pobreza na cidade de São Paulo , segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

O levantamento foi realizado a partir de dados coletados do Cadastro Único do município. Em janeiro de 2021, 473.814 famílias estavam nessa situação. Neste ano, o número teve um aumento de 49,7%, subindo para 619.869.

As subprefeituras que possuem mais famílias na extrema pobreza são:

M’Boi Mirim: 41.308 famílias; Capela do Socorro: 39.230 famílias; Cidade Ademar: 38.108 famílias.

O CadÚnico considera famílias em situação de extrema pobreza aquelas com renda per capita mensal de até R$ 105 . Essas famílias passam a ter direito a receber benefícios sociais, como o Auxílio Brasil, que paga o valor a partir de R$ 400 para famílias em extrema pobreza.

Antes do início da pandemia, em janeiro de 2019, eram 412.337 famílias neste grupo. Um ano depois, em janeiro de 2020, subiu para 450.351, um aumento de 9,21%. Em 2019, eram consideradas famílias em extrema pobreza aquelas com renda per capita mensal de até R$ 85. Em 2020 e 2021, a renda per capita que atestou tal situação era de até R$ 89.

Nos três anos, as regiões de M´Boi Mirim, Capela do Socorro e Cidade Ademar, na Zona Sul, se mantiveram entre as que registraram os maiores números de famílias nesta situação, seguida por São Mateus, na Zona Leste.

Para Marcelo Neri, diretor da FGV Social, os números do CadÚnico não mostram os reais dados de extrema pobreza nos municípios.

«Tivemos o processo de migração do Bolsa Família para o Auxílio Brasil, mas antes disso vigorava o auxílio emergencial. Nessa passagem, teve o aumento do valor do benefício em relação ao Bolsa Família, mas diminuiu o número de beneficiários em relação ao auxílio emergencial, o que gera flutuações. O cadastro é um medidor de quem está sendo enxergado pela política, quem está sendo servido ou não», afirma.

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LINK ORIGINAL: G1 Globo

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