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Mansur: Derrota em campo não é vergonha

Entornointeligente.com / Como numa noite de Ano Novo, o início de temporada do futebol brasileiro é repleto de resoluções: “fazer do Estadual uma preparação para o Brasileiro, o que realmente importa”; “usar os regionais para treinar”; “apostar na continuidade do trabalho”; “ser tolerante”.

Estamos em julho, mas na prática é como se estivéssemos em abril no calendário futebolístico. Afinal, só se jogou bola por três meses neste ano pandêmico. E a realidade é distante das tais resoluções: cinco demissões de treinadores na Série A, sem contar o Cruzeiro na Série B; treinadores que se sustentam nos cargos obrigados a dar entrevistas defendendo o próprio trabalho e um mínimo de tempo para respirar, como fez o corintiano Tiago Nunes nesta semana; tentativas de invasão a sedes de clube e CTs.

É claro que há resultados mais comprometedores, mais escandalosos do que outros. A derrota do São Paulo para o desconjuntado Mirassol é desses tropeços que só o futebol abriga e que merecem que comissão técnica e direção de futebol examinem como corrigir erros, melhorar o nível de jogo. Ao menos, seria assim em lugares que lidam com derrotas de forma civilizada. Não é nosso caso.

A relação do brasileiro com a derrota no futebol é patológica. Fazer do jogo um escape para frustrações torna a derrota uma ofensa, coloca em questão a honra e a dignidade dos envolvidos. Cria-se um ambiente tóxico que impõe uma reavaliação de condutas, inclusive da imprensa.

É estarrecedora a forma frequente, vulgarizada, como associamos um revés esportivo a termos como vergonha, vexame, humilhação. Embora não seja justificativa para a violência nem uma permissão formal para a agressão, promove-se no destinatário da mensagem um reforço da ideia de que o campo foi palco de uma ofensa à moral do clube ou do próprio torcedor que, “humilhado” — afinal, assim o convencemos —, exige que alguém pague, que um responsável seja apresentado. Afinal, tanta vergonha não pode ficar impune.

PUBLICIDADE A derrota esportiva, que no fundo é inerente ao jogo, é vista como a máxima e irreparável infração, a suprema vergonha num ambiente que nos apresenta, cotidianamente, as verdadeiras vergonhas. O que dizer do doping, das trapaças esportivas, da violência desleal ou até dos debates que, sem qualquer indício, supõem que um time pode entrar em campo para, premeditadamente, perder?

O que dizer das agressões a jogadores em aeroportos ou das invasões a centros de treinamento? Naturalizamos a barbárie. Vergonha de verdade não seria trazer da Venezuela e demitir um treinador no primeiro mês de temporada, como fez o Atlético-MG com Dudamel? Não parece vergonhoso que o Atlético-GO mande Cristóvão Borges embora em um mês por discordar da “metodologia”? Quem cobra do clube conhecer o profissional que contratou?

É uma vergonha, antiga vergonha, atrasar salários como Vasco, Corinthians, Atlético-MG, Fluminense e tantos outros clubes do país fazem ou fizeram nos últimos meses, e não por culpa da pandemia, mas de um mal endêmico do nosso futebol. Vergonha, enorme vergonha, é ver funcionários do Botafogo passarem necessidade enquanto o clube exibe seus reforços internacionais. O futebol é palco de vexames, sim. Mas escolhemos apontar o dedo para o número de gols que um time faz ou leva.

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LINK ORIGINAL: OGlobo

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