Mansur: crise no Botafogo é sinal de falência de um modelo » EntornoInteligente
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Primeiro veio a longa sequência de tweets de Felipe Neto. Depois, a maratona em que se converteu a entrevista de Carlos Augusto Montenegro, que por três horas falou no YouTube para jornalistas, influenciadores digitais e blogueiros-torcedores.

30 Minutos de Botafogo: o clube pode acabar? Com Thiago Franklin

Felipe Neto é um empresário e youtuber com milhões de seguidores. Montenegro, por sua vez, deu a mais longa entrevista de sua extensa carreira como dirigente graças às novas mídias, falando a veículos que o futebol e a comunicação desconheciam há poucos anos. À primeira vista, o ambiente da autópsia da profunda crise alvinegra parece um típico produto dos novos tempos.

 

Mas a nova roupagem vestia um desfile dos mais antigos pilares de clubes insustentáveis, arcaicos em matéria de gestão. Felipe Neto já foi patrocinador do Botafogo, mas certa vez usou sua ressonância nas redes para fazer críticas ao time. A velha confusão entre patrocínio e abnegação, financiamento profissional e influência. Não é só no Botafogo que se vê.

Montenegro, pouco depois de decretar que “o Botafogo está falido”, contou que tirou do bolso o dinheiro para comprar 18 bolas de futebol para o time treinar. Dinheiro que é nada perto dos milhões que já despejou no clube para apagar incêndios. A paixão, o sacrifício ou o mecenato até envolvem sentimentos genuínos. Mas retratam uma forma ainda hegemônica de fazer futebol no Brasil. E que faliu. O mecenato, num olhar passional, eleva dirigentes da antiga à condição de benfeitores, quando a rigor muitos deles construíram, com processos políticos viciados, a base para gerar clubes dependentes de seu dinheiro.

PUBLICIDADE Abnegação já não basta. Não é mera coincidência que, quase juntos, Cruzeiro e Botafogo tenham chegado ao limite de suas sobrevivências como clubes pujantes. O descontrole foi a marca histórica do modus operandi do futebol no Brasil: dirigentes operavam com um dinheiro que não é de ninguém; buscavam marcar suas gestões com títulos para polir biografias; o governo perdoava débitos; entidades esportivas faziam vista grossa. Uma realidade ainda vigente, mas que viu crescerem mecanismos de controle.

A salvação do Botafogo impõe a mudança de modelo, mas também a superação de um dilema cruel, comum a clubes que acumularam dívidas sem limites. É complexo recuperar uma potência como o Botafogo, afundada em R$ 1 bilhão em dívidas e incapaz de gerar receitas. Geralmente usada como modelo, a reestruturação do Flamengo encontrou condições peculiares: robustos contratos de material esportivo e de TV, um patrocínio forte e geração de receitas que garantiam um mínimo patamar esportivo.

No caso do Botafogo, tais receitas inexistem. E o debate que permeou o projeto da S/A, entre direcionar recursos de investidores para quitar dívidas ou investir no futebol retrata o drama. O preço da recuperação econômica pode exigir que se desça esportivamente a níveis inimagináveis. É desafiador tornar sustentável e atraente um projeto empresarial quando o presente do clube definha em campo.

PUBLICIDADE De todo modo, o Botafogo precisa reafirmar sua decisão de se mostrar aberto a investimentos eliminando o voluntarismo, a influência política, os vícios que resultam, por exemplo, no projeto capenga de futebol deste 2020. Ou da próxima vez que Montenegro comprar bolas, não haverá quem as chute.

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LINK ORIGINAL: OGlobo

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