Lista de enfermeiro ajudou familiares a localizar pacientes após incêndio no Hospital Badim - EntornoInteligente
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RIO – Eram 19h40 quando o enfermeiro Glauber José de Oliveira Amancio, de 32 anos, chegava em casa, cansado de um plantão, na última quinta-feira. Ele mora numa rua ao lado da do Hospital Badim , na Tijuca. Ao ligar a televisão, não teve dúvidas. Foi direto para o local. Achava que encontraria um cenário controlado. Mal sabia que ele seria uma peça fundamental na organização do socorro aos pacientes, após o incêndio que atingiu a unidade. Uma lista montada por Glauber se mostrou decisiva para que familiares localizassem pacientes após a tragédia.

– Eu achei que já estaria tudo sob controle. Mas não foi isso que vi quando cheguei. Os pacientes estavam sendo colocados na creche, ao lado do hospital – contou ele, que é diretor do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren). Veja imagens da destruição causada pelo incêndio no interior do Hospital Badim O incêndio no Hospital Badim, ocorrido na noite de quinta-feira (12), causou a morte de 11 pessoas Foto: Fotos cedidas pela TV Globo Todos os mortos estavam no CTI e a maioria faleceu após inalar fumaça tóxica Foto: Fotos cedidas pela TV Globo Outras mortes foram causadas pelo desligamento de aparelhos que garantiam as atividades vitais dos pacientes Foto: Fotos cedidas pela TV Globo A unidade hospitalar no bairro do Maracanã começou a pegar fogo às 18h30 Foto: Fotos cedidas pela TV Globo O combate ao fogo no Badim durou três horas Foto: Fotos cedidas pela TV Globo Pular PUBLICIDADE A perícia confirmou que o incêndio começou no gerador localizado no subsolo do prédio Foto: Fotos cedidas pela TV Globo Após momentos de pânico 92 pacientes escaparam da morte Foto: Fotos cedidas pela TV Globo

Glauber se apresentou para trabalhar e perdeu a conta de quantos pacientes ajudou a retirar pela garagem do Badim.

– Os pacientes eram levados para a creche, estabilizados e colocados nas ambulâncias. Eu comecei a anotar, fazendo uma lista com nome do paciente, identificação da ambulância e para qual hospital estava indo. Assim, pude ajudar muitos a encontrarem seus familiares – relembra o enfermeiro, que trabalha na Maternidade Carmela Dutra e no Hospital São Pedro de Alcântara, em Paraty.

Resgate de pacientes da CTI foi o mais difícil RI Rio de Janeiro 12/09/2019 – Incendio no Hospital Badin na Tijuca. Foto Alexandre Cassiano. Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo Quando Glauber achou que todos os pacientes já haviam sido retirados, foi surpreendido pelo apelo de um médico para que permanecesse ajudando:

– Fui falar com um médico que conheço e ele me pediu para que não fosse embora. ‘Agora é que vamos precisar mais de vocês. Vamos retirar os acamados que estão no CTI’. Naquele momento, sem elevador, sem luz, retirar pessoas acamadas, ligadas a aparelhos não foi fácil. A fumaça impedia quem tentava entrar de permanecer lá dentro. Ficamos na parte da frente do hospital e os bombeiros entravam, porque eles tinham equipamentos. A parte mais triste é que eles também não estavam conseguindo acessar os andares mais altos – conta  Glauber.

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De toda a tristeza daqueles momentos que jamais esquecerá, ele guarda uma bonita lembrança:

– Vi colegas com uniformes de vários hospitais, como Israelita, Quinta D’Or e Pedro Ernesto, da Uerj. Achei muito interessante a união dos voluntários. Era hora de troca de plantão. Chegaram para ajudar pessoas que estavam saindo do plantão ou que moravam próximo. Vi colegas que vieram até de longe. E quando saía um paciente grave do CTI, as pessoas batiam palmas. Não tiro a importância dos médicos e dos demais profissionais de saúde, como os fisioterapeutas, mas foi a enfermagem que fez diferença – afirma Glauber.
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