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Lisboa, cidade cultural

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Entornointeligente.com / Há muito que é sabida a importância da Cultura nos países que a assumem como política de estado. Por norma são países de tendência mais liberal, mais preocupados com a qualidade da educação, onde a Cultura faz parte integrante do investimento feito pelas famílias na educação, tanto a nível de instrução académica como divertimento ou lazer.

Na última quadra do século XX, a cultura passou também a ser valorizada pelo chamado Turismo Cultural, e a partir daí as cidades e populações locais passaram a ser fatores de grande importância nos interesses económicos de especulação imobiliária, principalmente nos centros urbanos.

A “indústria da cultura” resulta, portanto, de uma afinada mistura de Cultura e Economia.

Com a pandemia e toda a mudança da forma de olhar o trabalho, assistimos ao aumento exponencial da importância que as indústrias da arte e criativas vão assumir na definição das identidades urbanas e, com toda a certeza, passar a ocupar o centro do debate.

Uma simples, mas honesta análise leva-nos a concluir que não podemos apenas estar limitados à existência de criatividade ou arte por parte dos privados. O poder público, tanto o local como o central, também terão obrigatoriamente de acompanhar esta criatividade, esta disrupção, apresentando inovações no enquadramento, forma e conteúdo no âmbito das suas próprias competências.

Mais concretamente, como já assumido por uma das muitas multinacionais de Seguros, o teletrabalho vai ser a nova realidade e, como sabemos, basta um fazer para a situação se começar a repetir, caso após caso.

O que vai acontecer então a tanto espaço desocupado? Em alguns casos, edifícios inteiros…

Por outro lado, nos últimos anos, em Lisboa, temos assistido à “morte” de imensos espaços culturais, senão vejamos.

Cine Teatro Odéon? Passará a ser Habitação e um restaurante de luxo; o Cinema Olímpia? Um novo hotel; o Cinema Paris? Habitação; o Cinema Londres? Uma loja de bugigangas; o Teatro Vasco Santana na Feira Popular? Demolido de vez; o Teatro ABC no Parque Mayer? Demolido para dar lugar a um estacionamento. Tudo isto, numa Lisboa de pesares antigos que parece ter perdido o seu coração cultural.

Mas, uma Lisboa que se quer moderna, com futuro, tem que ser uma cidade inovadora, flexível, criativa, imaginativa, com vitalidade e um pouco rebelde, sem o medo de soltar amarras com o passado e ousar sonhar.

Uma Lisboa que traga de volta e de vez o nosso Parque Mayer, um novo Parque Mayer. É imperativo ter a visão e a vontade de erigir à volta deste espaço emblemático e criar “gaiolas pombalinas” que nos salvem de mais uma hecatombe cultural.

Numa época de reavaliação das nossas prioridades, urge pensarmos no futuro que almejamos para esta zona nobre da cidade. É imperativa uma reabilitação urbana que não se encerre no turismo e comércio de luxo. O casamento deve ser celebrado nas ruas de Santo António num espírito de união entre turismo e cultura, entre comércio e habitação, com votos trocados entre as várias camadas da população.

Na minha opinião, o Parque Mayer é a aliança, símbolo e âncora deste tão desejado casamento.

É nosso dever devolver ao Parque Mayer a dignidade que merece restaurando-o, renovando-o, e transformando-o num espaço preparado para glórias futuras, para novos tempos.

O projeto que defendo há muito para o Parque Mayer, aponta um futuro onde as artes andam de mãos dadas com a população de Lisboa, onde a influência daquilo que se cria dentro do Parque perpassa os seus muros, onde as gerações se entrecruzam e partilham estórias e saberes, onde os que sairão dos futuros conservatórios – desta vez renascidos no coração de Lisboa – consubstanciem o bater de asas que enceta um efeito borboleta para a dinamização sociocultural da capital.

O Parque Mayer renovado assenta em três pilares fundamentais: a história, a oferta cultural e a educação artística.

Na minha visão – e projeto – o Parque Mayer seria o novo contador de estórias, mas também da história, não só da sua, mas de toda a história do Teatro em Portugal.

Com um espaço para o Museu do Teatro, garantindo não só melhores condições de preservação do seu espólio como a ampliação do mesmo, como também uma maior e mais ampla interligação com os habitantes desta cidade das artes. A integração deste Museu do Teatro no renovado Parque Mayer representaria um elo único entre passado, presente e futuro, numa amálgama de criatividade transformadora e intemporal.

Outro espaço seria o do Museu do Brinquedo, espaço lúdico por excelência, potenciador do imaginário de miúdos e graúdos. Quem pode afirmar que não foi a brincar com soldadinhos de chumbo que Liev Tolstói teve o primeiro vislumbre de Guerra e Paz? Ou que não foi a brincar com aguarelas que João Botelho imaginou a sua nova versão d”Os Maias?

Sei que politicamente há sempre diferenças de opinião em relação a qualquer assunto. Raras são as vezes em que existe unanimidade de pontos de vista em relação a qualquer assunto – vide a própria pandemia que vivemos. Mas é exatamente a diversidade que adiciona conteúdo. E é assim mesmo que se constrói a democracia.

Mas para este caso em particular, é minha opinião que chegou a hora de colocarmos de lado as diferenças e lutarmos, lado a lado, por uma nova realidade (decididamente com menos erros) e deixar de tratar a política como uma claque seguidista e polarizada, extremada e sem raciocínio que não o do confronto, e juntar esforços na luta por um bem comum: uma Cultura livre, justa e “perfeita” – com o seu epicentro neste novo Parque Mayer.

Portugal no geral, e Lisboa mais especificamente, têm características únicas para fazermos essa aposta. Desde logo a criatividade que nos faz diferentes, a imaginação que nos faz descobrir, o saber fazer muito com pouco, o apostar, o fazer acontecer desde os grandes eventos ate ao chip feito em papel.

E como toda a crise é também uma oportunidade, devemos sim aproveitar o momento para, a partir de agora, considerar e promover uma revisão do olhar sobre as metrópoles através de uma simbiose entre o Capital Humano das cidades, as industrias criativas e o poder local, de modo a que a cultura e as artes passem a constituir um ponto imprescindível e inultrapassável do novo planeamento urbano.

Uma cidade criativa implica a existência de um ambiente criativo, que se auto estimule no surgir de novas ideias, de uma maior participação de todos, e para todos.

A cultura, como política das cidades, é uma superior ferramenta de valorização do espaço público, mais seguro, mais povoado e tendo como causa e consequência o retorno das classes médias aos centros das cidades, pelo seu papel de importante gerador de empregos diretos e indiretos.

Uma cidade criativa, ou cidade cultural é também, e sem dúvida, uma cidade mais tolerante no seu todo, nas suas escolhas, nos seus costumes, no seu pulsar diário. Pois a mesma é a antítese das cidades industriais em que a pessoa nada mais é que um número produtivo, sem sentimentos, emoções ou vida para lá do trabalho.

E o Parque Mayer pode ser este catalisador, simultaneamente causa e consequência de uma nova Lisboa cultural.

Presidente da Junta de Freguesia de Santo António – Lisboa

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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