'Lady Bird' tem protagonista chata e perdida como qualquer adolescente, e por isso é tão cativante; G1 já viu - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / G1 Globo / Com cinco indicações ao Oscar, “Lady Bird” talvez tenha a protagonista mais irritante da temporada de premiações deste ano. Sua autenticidade forjada e seu tom quase sempre arrogante são capazes de causar a mais profunda das antipatias.

Mas, pense bem, você também não era insuportável aos 17 anos?

É a capacidade de gerar identificação o maior trunfo do longa, que marca a estreia solo na direção de Greta Gerwig (até agora mais conhecida por estrelar a comédia fofinha “Frances Ha”). A estreia no Brasil é nesta quinta-feira (15).

Christine McPherson (Saoirse Ronan) – que cria para si mesma o nome Lady Bird – se acha muito, muito especial, uma ilha vanguardista no mar de caretice de sua cidade na Califórnia (EUA).

Em 2002 (ano complicado para o país pós-11 de setembro), em uma família sem dinheiro, ela briga para alcançar o destino radiante que acredita merecer, mesmo perdida e sem ter a menor ideia de como chegar lá.

Lucas Hedges e Saoirse Ronan em cena do filme (Foto: Divulgação)

Drama de millennials

A menina não é tão diferente do que foram, no início dos anos 2000, muitos dos millennials de hoje, que já carregam 30 e poucos anos e um pouco mais de realismo nas costas.

Pode ser que o filme tenha sido feito para essas pessoas, mas nem só elas poderão ter uma relação especial com a história. “Lady Bird” fala da sofrida e repentina chegada da vida adulta, o amadurecimento dramático pelo qual a maioria passa.

Saoirse Ronan em cena do filme (Foto: Divulgação)

É isso que faz a personagem chatinha ir ganhando aos poucos o coração do público. Aquela súbita compreensão que nos faz pensar: “Tudo bem, essa fase é complicada mesmo”. No fim, Lady Bird vira uma espécie de irmã mais nova, que a gente acha um porre, mas ama e torce para que seja feliz.

Gerwig, que sempre habitou o mundo do cinema indie, conta a história sem vícios descolados. As referências autobiográficas (como a protagonista, a diretora nasceu em Sacramento e frequentou uma escola católica) dão ainda mais honestidade ao drama, que é autêntico e único, embora pareça tão comum.

Saoirse Ronan e Laurie Metcalf em cena do filme (Foto: Divulgação)

Colocar no centro da trama a relação de Lady Bird com a mãe, Marion (Laurie Metcalf), foi outra ótima escolha da cineasta. Diálogos cheios de realismo expõem a complexidade típica da convivência entre mães e filhas. Há carinho, mágoa, companheirismo e certa interdependência.

É a quebra desse vínculo o grande conflito do filme. Lady Bird quer voar para longe, enquanto Marion se dedica a evitar que a filha se frustre. As brigas fazem a menina duvidar do amor da mãe. Mas, como diz uma das freiras da escola, amor e atenção não são a mesma coisa?

Já os outros personagens ao redor da protagonista estão a um passo da caricatura – há a amiga retraída, a patricinha popular, o garoto bonitinho e esquisitão. Mas a maneira com que modificam de forma sutil a vida de Lady Bird os fazem parecer figuras do nosso próprio passado. Afinal, a adolescência não é mesmo muito original.

Saoirse Ronan e Beanie Feldstein em cena do filme (Foto: Divulgação)

Mas dá saudade. Se odiamos e amamos Lady Bird ao mesmo tempo, pode ser porque é assim também com a fase em que sentimos pela primeira vez as melhores coisas da vida – e as piores também.

Por fim, acredite, você sairá do cinema pensando que deve ser mesmo mais parecido com sua mãe do que imagina.

'Lady Bird' tem protagonista chata e perdida como qualquer adolescente, e por isso é tão cativante; G1 já viu

Con Información de G1 Globo

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