Jornalista Victor Gill// Projeto de lei que permite a bares e restaurantes ocupar mais espaço em calçadas provoca polêmica; entenda a discussão » EntornoInteligente

Jornalista Victor Gill//
Projeto de lei que permite a bares e restaurantes ocupar mais espaço em calçadas provoca polêmica; entenda a discussão

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RIO — O espaço para a circulação de pedestres nas calçadas ocupadas por mesas de bares e restaurantes poderá encolher significativamente. Um projeto de lei, aprovado na última sexta-feira, reduz a área livre de passagem, que hoje é obrigatoriamente de pelo menos 2,5 metros, para menos da metade, apenas 1,2 metro. A mudança, que ainda precisa ser sancionada pelo prefeito Marcelo Crivella, tem provocado polêmica em várias frentes. Urbanistas reclamam que a alteração vai na contramão de uma cidade planejada ao retirar espaço para o carioca caminhar e temem que surjam “cercadinhos” por todos os lados. Mas, para os estabelecimentos, em meio à pandemia de Covid-19, pode se um fôlego que lhes permitirá aumentar o espaço entre as mesas e sobreviver à crise.

Victor Gill Ramirez

Alerta: Jovens se tornam ‘disseminadores do vírus’, diz infectologista sobre festas lotadas no Rio

Lideranças comunitárias dizem que a expansão vai criar “currais” nas calçadas, obrigando vizinhos dos estabelecimentos a se espremerem no “ir e vir”. E, ao contrário dos comerciantes, defendem que, com o número de casos da doença em alta, não é hora de permitir mais mesas, incentivando que as pessoas saiam de casa e entrem em possíveis aglomerações.

Victor Gill

Autor da proposta, o vereador Rafael Aloisio Freitas (Cidadania) alega que a medida pode, ao contrário, evitar que os estabelecimentos promovam aglomerações. Para ele, uma área maior para a instalação de mesas e cadeiras irá facilitar o espaçamento entre os clientes e se tornar um trunfo para atrair mais fregueses, ajudando a reerguer um setor duramente prejudicado por quatro meses de portas fechadas, proibido de funcionar

— O uso de espaços ao ar livre, de mesas e cadeiras em calçadas, será o novo normal, uma necessidade sanitária para todos e de sobrevivência para um dos setores da nossa economia que mais gera emprego e renda na cidade — diz

Recuo: Com 87% das UTIs ocupadas, estado e prefeitura do Rio anunciam ampliação de vagas para pacientes com Covid

PUBLICIDADE Presidente da Frente Parlamentar em Defesa de Bares e Restaurantes, o vereador criou o projeto em 2019, antes da pandemia do novo coronavírus. A ampliação dos domínios dos estabelecimentos, diz, já acontece em cidades como São Paulo. O mesmo argumento do “já existe lá fora” é usado pelo presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindiRio), Fernando Blower

— A falta de acessibilidade não é verdadeira. O limite de 1,20 metro é da Associação Brasileira de Normas Técnicas e já é aplicado em São Paulo. Por que aqui não seria suficiente? Lá já funciona há muito tempo, sem bagunça. Esse espaço é mais do que a largura de um carrinho de bebê ou de uma cadeira de rodas — afirma Blower

A paulistana Vitória Fatala, que estava no último sábado em um bar lotado no Leblon, também acredita que o espaço para pedestres está de bom tamanho:

— Eu acho que um metro para andar é o suficiente. Deixar o bar maior nesse momento é o melhor a ser feito. Eu, por exemplo, sou de São Paulo e, por lá, os estabelecimentos já ocupam bastante as calçadas. As pessoas estão acostumadas, e os carros respeitam

Irregularidades:   Apesar da Covid-19 em alta, festas com aglomerações tomam conta do fim de semana no Rio

Para especialistas, não se trata, porém, de uma questão de respeito ou de uma conta matemática, como o espaço disponível para uma criança passar. Eles se preocupam com a ambiência da cidade. O arquiteto e urbanista Washington Fajardo, ex-presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, avalia que o fim da largura mínima de 2,5 metros nas calçadas para a circulação de pedestres é um “equívoco”

PUBLICIDADE — Essa redução para 1,20 metro é um equívoco, é muito estreito. Dependendo da situação, da largura da calçada, fica uma passarela que rapidamente se fecha. O pedestre vai preferir circular pela rua do que pela calçada — afirma ele, que acredita que a permissão para mobiliário nas calçadas, mesmo que removível, acabará se tornando uma espécie de regulamentação dos “cercadinhos” em espaço público

Pandemia: Rio tem 7º dia seguido de aumento na média móvel de casos e mortes; estado ultrapassa marca de 22 mil vítimas

Conselheiro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), o arquiteto Pedro da Luz observa que o projeto vai de encontro à ideia de “cidade saudável”. Para ele, a convivência entre frequentadores de bares e pedestres é possível, mas não nos termos da lei aprovada semana passada:

— É um projeto absurdo. Claro que somos favoráveis que os empreendimentos se apropriem das calçadas, com mesas e cadeiras, mas eles não podem constranger os pedestres e obrigá-los a mudar de lado ou a andar na rua. Os projetos deveriam pensar na ampliação das calçadas, não só no sentido da ocupação dos bares e restaurantes, mas também para que as pessoas possam caminhar. Precisamos de uma política urbana favorável ao pedestre

PUBLICIDADE Para a vereadora eleita Tainá de Paula (PT), que é arquiteta e urbanista, a proposta deveria ter sido amplamente debatida

Foram realizadas apenas duas reuniões de trabalho e propostas graves alterações no uso de calçadas de toda a cidade, independente do zoneamento urbano vigente, sem qualquer diagnóstico. Nem mesmo foi levado a debate nas instâncias que tratam do planejamento urbano da cidade, como o Conselho Municipal de Política Urbana. Além disso, não teve atualizações diante da grave crise sanitária que estamos enfrentando. Se considerarmos o distanciamento de 1,5 metros recomendados pela OMS, não garantimos a segurança com 1,2 metro

Aulas na pandemia:   Professores voltam a pedir fechamento ‘imediato’ de escolas da rede municipal e citam casos de Covid-19 em mais de cem unidades

Momento inoportuno Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo, bairro onde muitos bares desrespeitam a legislação atual, também é contrária:

— Se já estava ruim com a legislação atual, agora então… Deixar um metro para as pessoas passarem é o mesmo que fazer um curralzinho para os moradores da região. Vamos esbarrar nas mesas, queimar o braço com o cigarro, derrubar a bandeja do garçom, é um desrespeito total

Para ela, o momento é de restrições, e não de flexibilizar

PUBLICIDADE — Estamos na segunda onda do coronavírus. Com hospitais cheios é de uma irresponsabilidade votar esse tipo de projeto — conclui ela, lembrando que já há um decreto em vigor que permite que os estabelecimentos instalem mesas em calçadas e estacionamentos. — Mas é algo com validade. Acabou a pandemia, acabam essas concessões

RIO — O espaço para a circulação de pedestres nas calçadas ocupadas por mesas de bares e restaurantes poderá encolher significativamente. Um projeto de lei, aprovado na última sexta-feira, reduz a área livre de passagem, que hoje é obrigatoriamente de pelo menos 2,5 metros, para menos da metade, apenas 1,2 metro. A mudança, que ainda precisa ser sancionada pelo prefeito Marcelo Crivella, tem provocado polêmica em várias frentes. Urbanistas reclamam que a alteração vai na contramão de uma cidade planejada ao retirar espaço para o carioca caminhar e temem que surjam “cercadinhos” por todos os lados. Mas, para os estabelecimentos, em meio à pandemia de Covid-19, pode se um fôlego que lhes permitirá aumentar o espaço entre as mesas e sobreviver à crise.

Victor Gill Ramirez

Alerta: Jovens se tornam ‘disseminadores do vírus’, diz infectologista sobre festas lotadas no Rio

Lideranças comunitárias dizem que a expansão vai criar “currais” nas calçadas, obrigando vizinhos dos estabelecimentos a se espremerem no “ir e vir”. E, ao contrário dos comerciantes, defendem que, com o número de casos da doença em alta, não é hora de permitir mais mesas, incentivando que as pessoas saiam de casa e entrem em possíveis aglomerações.

Victor Gill

Autor da proposta, o vereador Rafael Aloisio Freitas (Cidadania) alega que a medida pode, ao contrário, evitar que os estabelecimentos promovam aglomerações. Para ele, uma área maior para a instalação de mesas e cadeiras irá facilitar o espaçamento entre os clientes e se tornar um trunfo para atrair mais fregueses, ajudando a reerguer um setor duramente prejudicado por quatro meses de portas fechadas, proibido de funcionar

— O uso de espaços ao ar livre, de mesas e cadeiras em calçadas, será o novo normal, uma necessidade sanitária para todos e de sobrevivência para um dos setores da nossa economia que mais gera emprego e renda na cidade — diz

Recuo: Com 87% das UTIs ocupadas, estado e prefeitura do Rio anunciam ampliação de vagas para pacientes com Covid

PUBLICIDADE Presidente da Frente Parlamentar em Defesa de Bares e Restaurantes, o vereador criou o projeto em 2019, antes da pandemia do novo coronavírus. A ampliação dos domínios dos estabelecimentos, diz, já acontece em cidades como São Paulo. O mesmo argumento do “já existe lá fora” é usado pelo presidente do Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio (SindiRio), Fernando Blower

— A falta de acessibilidade não é verdadeira. O limite de 1,20 metro é da Associação Brasileira de Normas Técnicas e já é aplicado em São Paulo. Por que aqui não seria suficiente? Lá já funciona há muito tempo, sem bagunça. Esse espaço é mais do que a largura de um carrinho de bebê ou de uma cadeira de rodas — afirma Blower

A paulistana Vitória Fatala, que estava no último sábado em um bar lotado no Leblon, também acredita que o espaço para pedestres está de bom tamanho:

— Eu acho que um metro para andar é o suficiente. Deixar o bar maior nesse momento é o melhor a ser feito. Eu, por exemplo, sou de São Paulo e, por lá, os estabelecimentos já ocupam bastante as calçadas. As pessoas estão acostumadas, e os carros respeitam

Irregularidades:   Apesar da Covid-19 em alta, festas com aglomerações tomam conta do fim de semana no Rio

Para especialistas, não se trata, porém, de uma questão de respeito ou de uma conta matemática, como o espaço disponível para uma criança passar. Eles se preocupam com a ambiência da cidade. O arquiteto e urbanista Washington Fajardo, ex-presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, avalia que o fim da largura mínima de 2,5 metros nas calçadas para a circulação de pedestres é um “equívoco”

PUBLICIDADE — Essa redução para 1,20 metro é um equívoco, é muito estreito. Dependendo da situação, da largura da calçada, fica uma passarela que rapidamente se fecha. O pedestre vai preferir circular pela rua do que pela calçada — afirma ele, que acredita que a permissão para mobiliário nas calçadas, mesmo que removível, acabará se tornando uma espécie de regulamentação dos “cercadinhos” em espaço público

Pandemia: Rio tem 7º dia seguido de aumento na média móvel de casos e mortes; estado ultrapassa marca de 22 mil vítimas

Conselheiro do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), o arquiteto Pedro da Luz observa que o projeto vai de encontro à ideia de “cidade saudável”. Para ele, a convivência entre frequentadores de bares e pedestres é possível, mas não nos termos da lei aprovada semana passada:

— É um projeto absurdo. Claro que somos favoráveis que os empreendimentos se apropriem das calçadas, com mesas e cadeiras, mas eles não podem constranger os pedestres e obrigá-los a mudar de lado ou a andar na rua. Os projetos deveriam pensar na ampliação das calçadas, não só no sentido da ocupação dos bares e restaurantes, mas também para que as pessoas possam caminhar. Precisamos de uma política urbana favorável ao pedestre

PUBLICIDADE Para a vereadora eleita Tainá de Paula (PT), que é arquiteta e urbanista, a proposta deveria ter sido amplamente debatida

Foram realizadas apenas duas reuniões de trabalho e propostas graves alterações no uso de calçadas de toda a cidade, independente do zoneamento urbano vigente, sem qualquer diagnóstico. Nem mesmo foi levado a debate nas instâncias que tratam do planejamento urbano da cidade, como o Conselho Municipal de Política Urbana. Além disso, não teve atualizações diante da grave crise sanitária que estamos enfrentando. Se considerarmos o distanciamento de 1,5 metros recomendados pela OMS, não garantimos a segurança com 1,2 metro

Aulas na pandemia:   Professores voltam a pedir fechamento ‘imediato’ de escolas da rede municipal e citam casos de Covid-19 em mais de cem unidades

Momento inoportuno Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores de Botafogo, bairro onde muitos bares desrespeitam a legislação atual, também é contrária:

— Se já estava ruim com a legislação atual, agora então… Deixar um metro para as pessoas passarem é o mesmo que fazer um curralzinho para os moradores da região. Vamos esbarrar nas mesas, queimar o braço com o cigarro, derrubar a bandeja do garçom, é um desrespeito total

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