Janelle Monáe mais humana do que nunca no último dia do Super Bock Super Rock - EntornoInteligente
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“Para bazar vai ser a maior coça da História, boy “, comentava-se entre um grupo de amigos na interminável fila para o Multibanco durante a tarde. Afinal, tinha havido problemas nesse departamento no primeiro dia , seria de esperar que se repetissem no último. Apesar do público presente para ver o trio norte-americano Migos, tal acabou por não acontecer, pelo menos para o PÚBLICO, na noite de sábado, o derradeiro fôlego da edição de 2019 do Super Bock Super Rock, a primeira no Meco desde 2014.

Mais populares Atletismo Nuno Pereira ganha a medalha de ouro no Europeu sub-20 Saúde Investigação indica que ibuprofeno tem efeitos anticancerígenos i-album Living Offices Este escritório fica por cima da loja que o decorou Ao final da tarde, no palco EDP, o brasileiro Rubel apresentou-se ainda ao sol, tal como parte da sua banda, incluindo a secção de sopros, de gorro vermelho à Steve Zissou, o protagonista de  Um Peixe Fora de Água , de Wes Anderson. O responsável pelo êxito de telenovelas  Quando Bate Aquela Saudade , cuja letra a maioria do público sabia de cor, estudou cinema em Austin, no Texas, e parece querer deixar isso bem claro. Por esse mesmo palco passou, mais tarde, o indie pop lúdico dos britânicos Superorganism , marcado pelo espírito de festa faça-você-mesmo , os saltos dos três membros do coro e as conversas com o público da vocalista Orono Noguchi, e Masego, o músico de origem jamaicana que une r&b, trap, soul, etc e interpretou Sensual Seduction , de Snoop Dogg, com o bom senso de reconhecer que, pelo menos nesse caso, a versão censurada bate aos pontos a original.

Dos nomes nacionais de rap do cartaz, divididos entre três dos palcos, só Estraca, no palco LG, não trouxe um baterista para o palco – horas antes, no mesmo sítio, TNT tinha teclas, baixo, uma vocalista, um baterista e um DJ para uma actuação sólida e polida de festival. Durante a actuação de Estraca, situado entre Janelle Monáe e Migos, ocorreu um dos momentos mais surreais da noite. Bdjoy,  hypeman  e  beatboxer , dizia em palco “a Margem Sul está aqui a representar”, ao que um jovem de classe média alta, a passar pelo concerto, respondia “Não, não, aqui é Portugal”.

Foi ProfJam, acompanhado pelo DJ e  hypeman  Mike El Nite, que após Migos desfilou por um rol de convidados no palco Somersby, quem estreou o palco principal ao final da tarde, dando lugar para uma Janelle Monáe em estado de graça. A norte-americana, dada ao r&b, à soul e ao rap ocasional, entrou em cena ao som de  Also sprach Zarathustra op. 30 , de Strauss, a remeter para 2001: Odisseia no Espaço , de Stanley Kubrick, muito em linha com a fixação da cantora pela ficção científica. Crazy, Classic, Life , deu início a um alinhamento marcado por temas de  Dirty Computer , o terceiro e mais humano disco da também actriz, com inúmeras mudas de roupa, incluindo as calças em forma de vulva do  vídeo de  PYNK  e as suas dançarinas, nada disto visto sob o prisma do olhar masculino.

Foto O fantasma de Prince, que actuou no mesmo festival em 2010 – e provocou intensos engarrafamentos – e era, além de herói, mentor de Janelle Monáe, pairou no ar, seja pela influência quase sempre presente nas guitarras e nalgumas teclas, pela abertura com que a sexualidade, ultra-fluída, é agora tratada por ela, e por a própria o ter mencionado explicitamente: “Nós homenageamos Prince esta noite”. Outro espírito foi o de Michael Jackson, evocado pela silhueta da cantora a dançar como introdução de  Make Me Feel  – que soou ainda mais Prince do que em disco. É algo que não cai assim tão bem  no ano de  Leaving Neverland , o documentário sobre os abusos da lenda da pop.

Foto No final, James Brown, cuja influência marcou a primeira parte da carreira a solo da cantora, foi evocado em Tightrope , com direito aos golpes de sopros que eram característicos do padrinho da soul. Antes, Monáe deixou espaço para dizer que está farta de “homens cisgénero brancos tentarem dizer-lhe o que fazer”, fazer proclamações anti-Trump, pró-” black lives matter “, pró-pessoas transgénero, pró-mulher, pró-imigração, pró-estranheza e ser-se como se é. “Hoje à noite quero criar memórias”, dizia ela a dada altura. Criou: Janelle Monáe é cada vez mais ela, e cada vez melhor.

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Subscrever × Durante essa actuação, um  drone  filmou o público, mostrando que a concentração de pessoas junto ao palco principal não era o que seria expectável para tal concerto. A organização fala em 30 mil pessoas, e muitas delas pareciam estar ou a jantar ou a preparar-se para a estreia em território nacional de Migos, o trio de rap/trap familiar de primos e sobrinhos de Lawrenceville, Georgia que chamaram muito mais pessoas para junto deles.

Ler mais A máquina Phoenix, a fúria dos Shame e a nova vida que são os Ezra Collective Baloiçou-se com Lana del Rey, mas a dança foi crioula no Meco Em palco, primeiro e já depois da hora marcada, o comandante dos pratos, o também produtor DJ Durel, a passar canções como  Sicko Mode , de Travi$ Scott. Takeoff, Offset e Quavo, os rappers, apareceram ao som da remistura de  I Got 5 on It , o clássico dos anos 1990 do duo de Oakland Luniz, feita para a banda sonora de  Us , o filme de Jordan Peele, que deu lugar a  MotorSport , colaboração com Nicki Minaj e Cardi B. À frente deles, fumo, fogo e pirotecnia. Atrás, vídeos de pombas brancas que não destoariam no meio da violência de um filme de John Woo. Sólido e divertido, foi um contraste grande com os gestos políticos de Janelle Monáe.

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