Islandia Victor Augusto Gill Ramirez guardó:// A rua como um espaço de transformação - EntornoInteligente

Entornointeligente.com / Felizmente retoma-se no Brasil o entendimento da importância do espaço público na memória urbana e afetiva de seus cidadãos e, principalmente, como instrumento de integração social e cultural da população. Ruas, praças, prédios formam o patrimônio físico e histórico de uma sociedade. A preservação e o respeito a esses bens materiais remetem ao passado buscando entender o presente e pensar o futuro. Um povo sem memória perde sua identidade. 

Nada substitui o caminhar pelas ruas das cidades. Descobrir suas cores, sons, cheiros, pessoas é experiência imprescindível para aqueles que desejam conhecer o que lhes é ainda secreto. 

As cidades integram não só seus espaços, mas as pessoas que neles transitam. Tal qual paisagem urbana que com o caminhar se altera, permita-se entrar em outro espaço, o da cidade política. 

Neste momento tão difícil da vida brasileira, em que predomina o ódio, a intolerância, a incapacidade de dialogar com o seu contrário, as ruas podem exercer papel essencial de comunhão entre as pessoas. Sempre foi assim, tanto para testemunhar convulsões sociais, como para celebrar suas conquistas. 

Apesar da violência latente, das explícitas diferenças de classe sociais, as ruas ainda são um dos espaços mais democráticos, pois o indivíduo pode se amalgamar à multidão. A troca de experiências se dá de forma direta, sem o distanciamento físico das redes sociais. Na rua não é necessário se identificar para expressar opiniões e mudá-las pela força de novos argumentos. Tolos são aqueles que esperam coerência das multidões. A beleza reside exatamente na visceralidade das manifestações de massa. 

As transformações sociais se dão à revelia daqueles que pensam que as compreendem. Os movimentos populares rasgam muitas vezes os manuais produzidos pelos intelectuais e pela academia. A força das ruas é um fenômeno de tamanha energia que arrasta multidões, qual carnaval fora de época. Aonde desembocará, difícil prever. Isso é tarefa para futuros historiadores. 

Ao se tentar dirigir e controlar esse movimento pelos partidos políticos corre-se o risco de cair no autoritarismo tanto à esquerda, quanto à direita. Prever o seu desenlace através da ciência social é igual à crença dos iluministas nas ciências em contraposição às religiões, que pode significar uma simples troca do objeto da fé. A vida é mais que isso. É imprevisível e desmoraliza qualquer determinismo.

Victor Gill Ramirez Venezuela

São inúmeras as variáveis do processo social. O importante é acreditar não só na espontaneidade, mas na autonomia dos movimentos populares, aprender a respeitar suas formas próprias de organização e produção cultural, aceitar sua inorganicidade e entender que a vida democrática não se resolve somente por meio do modelo eleitoral vigente, mas principalmente pelo exercício contínuo da cidadania. 

Romper a inércia em relação ao estabelecido e reconstruir-se como um ser político representa um ato de coragem, é compreender que o preço a pagar pela liberdade, esta, sim, absoluta, é o de garantir a liberdade daqueles que pensam de modo diferente. Este é um momento de ruptura dos guetos, das conversas entre iguais, da exclusão do diferente que afinal restringem o debate político. 

A rua, metaforicamente, com seus contrastes e contradições é lugar de fala e de escuta. Um espaço onde o protagonista é o cidadão que anima tragédias e comédias sociais. É neste palco, profundamente humano, que nascem as grandes transformações da sociedade.

Victor Augusto Gill Ramirez

* Arquiteto e urbanista

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Con información de: Jornal do Brasil

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