Holy Spider – o choque frontal desta edição!

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Baseado num caso verdadeiro de um massacre de prostitutas numa cidade santa do Irão, Holy Spide r é um dois-em-um: um thriller de caça ao de serial-killer e também um drama sobre a misoginia reinante na sociedade iraniana. É até agora um dos favoritos à Palma de Ouro, uma produção sueca do irano-escandinavo Ali Abbasi, conhecido do público português por Na Fronteira.

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Rodado na Turquia e na Jordânia por razões óbvias, trata-se de um forte arremesso contra a corrupção judicial no Irão, bem como contra o fanatismo religioso num país onde o povo manifesta-se em prol de um construtor civil que «limpou» a cidade da prostituição através de cruéis assassínios por asfixia. Abbasi não faz a coisa por menos: coloca a câmara no meio do crime, provocando um desconforto profundo no espetador, e usa todos os poderes do cinema – música forte, grandes planos intensos e uma escala de produção que retira o filme do nicho do pequeno objeto realista e pobrezinho. Holy Spider arrisca-se a ser a melhor obra vista no festival, cinema visionário que nos coloca no furacão do medo.

Algo bem mais respirável é Ice Merchants , de João Gonzalez, visto na Semana da Crítica na competição das curtas. Uma animação sobre o amor e o sacrifício de um pai. Trata-se da demonstração de um estilo único e um domínio perfeito de uma arte narrativa que dispensa formalismos de diálogos. Estes mercadores de gelo parecem-nos colocar num outro epicentro: a da beleza sem contemplações. Certamente que João Gonzalez vai ser um nome recorrente da animação mundial… Era bom que o Curtas Vila do Conde o selecionasse para competição.

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Subscrever Enquanto isso, no mercado a dar as últimas, no stand de Paulo Branco qualquer um que passa fica de queixo caído com tanto novo projeto. Destaque para o anúncio a Depois do Fim , de Tiago Guedes. O realizador de Restos do Vento volta a filmar já em setembro, a partir de Cesare Pavese. Os Papéis do Inglês , de Sérgio Graciano, com argumento de Eduardo Agualusa baseado na trilogia Os Filhos de Próspero , de Ruy Duarte de Carvalho, também tem rodagem garantida em 2023, tal como Toujours Calmer ce Feu qui Court , de Fanny Ardant, neste caso uma adaptação de Balzac. Em desenvolvimento está ainda um projeto a partir de Coetzee, Jesus Trilogy. É obra!

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LINK ORIGINAL: Diario Noticias

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