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25/06/2018 – Jornal do Brasil. / Taiguara surgiu, viu e venceu com uma canção em que rimava sexo com reflexo, telefonema com Helena, Helena, Helena, que nos braços dele debruçou, deitou e rolou. Essa Helena era do babado. A do Taiguara. E só está aqui porque inspirou o título da entrevista de hoje, de uma Helena que vale por três Helenas, a da entrevista de JOÃO FRANCISCO WERNECK , Helena de sobrenome Severo. Sob a égide dessa severidade, nossa Helena tem empreendido sua carreira em cargos públicos na esfera cultural, sempre respeitada e elogiada, multiplicando respeito, independente de ideologias e partidarismos.

Helena Severo, que comemora em agosto dois anos como presidente da Biblioteca Nacional, não esconde a felicidade em estar de volta onde começou como servidora de carreira. A boa filha à casa retorna. A promessa de entregar a fachada da maior biblioteca da América Latina reformada e pronta, feita no início de seu mandato, foi cumprida. E os motivos para comemorar não param por aí. O aumento da digitalização do acervo, outro compromisso, também foi entregue. Assim é Helena Severo, gestora impecável, proeminente nome na cultura carioca. Suas contribuições à cultura do Brasil foram reconhecidas com a Ordem do Mérito cultural, a ela conferida em 1997. 

Servidora de carreira da casa há 30 anos, como boa ?lha Helena Severo retornou à Biblioteca Nacional, promovendo uma saudável retomada em vários projetos e a renovação da fachada de seu prédio De fala pausada e calma, Helena Severo relacionou os desafios que enfrenta no cargo, como a conclusão da reforma da fachada e a constante troca de ministros da Cultura durante o governo de Michel Temer

Com mais de 30 anos de experiência na área, Helena Severo foi secretária de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro dos prefeitos César Maia e Luiz Paulo Conde. Secretária de Estado de Cultura de Garotinho, presidiu o Theatro Municipal no governo Rosinha, e ainda trabalhou no Tribunal de Contas do Município. Em maio de 2016 foi anunciada para o cargo que ocupa. Mas não foi fácil chegar lá. Enfrentou burocracia e adversários. Até tomar posse, em agosto de 2016.

Servidora de carreira da casa há 30 anos, como boa ?lha Helena Severo retornou à Biblioteca Nacional, promovendo uma saudável retomada em vários projetos e a renovação da fachada de seu prédio.

Em dois anos à frente da Biblioteca Nacional, o que há para celebrar?

A reforma da fachada do prédio é uma delas. Há também os programas que foram colocados em curso. A ampliação de projetos importantes, como a BN digital. Uma das nossas prioridades é avançar na digitalização do nosso acervo. A Biblioteca tem entre nove a dez milhões de itens. E isso começou na outra gestão, com o Renato Lessa. O propósito da minha gestão foi exatamente dar seguimento. Acredito muito na ideia de continuidade. Sou daquelas gestoras que acham que ninguém descobre a pólvora. Sobre a digitalização, hoje nós temos dois milhões de itens digitalizados. E isso é muito importante, porque é a forma contemporânea de disponibilizar o acesso ao acervo, é a maneira mais democrática, também. Assim, qualquer pesquisador, em qualquer lugar do mundo, que precise consultar o nosso acervo, já tem grande parte deste material disponível através das plataformas digitais.

E o Projeto Resgate?

Esse é da minha gestão, a retomada do Projeto Resgate, iniciado, na verdade, no governo Fernando Henrique Cardoso.  A ideia é identificar e pesquisar arquivos ultramarinos brasileiros. Ou seja, arquivos que estão na Europa e dizem respeito à nossa história. Esse programa ficou dez anos interrompido. É parceria nossa com a Unesco. Fui designada gestora desse programa, cuja ideia é unir esforços com a Unesco. Nós tomamos como prioridade digitalizar os dados acumulados ao longo de oito, dez anos, que foi o tempo quando esse programa existiu, e seguir nessa pesquisa. Então, todos os contatos já foram retomados, e o que está mais avançado é a documentação com relação a Portugal. A cooperação dos países foi muito boa: Portugal, Espanha, Holanda, Bélgica. E como não há condições de estabelecer relações com todos esses ao mesmo tempo, nós tomamos como prioridade a relação com Portugal. Estive há duas semanas na Biblioteca Portuguesa, na Torre do Tombo. Há um grande interesse dos portugueses nessa retomada. Estamos abrindo também uma frente de trabalho na Argentina. Estive na Biblioteca Nacional de la República Argentina e firmei um acordo, porque temos um grande acervo da coleção De Angelis, de suma importância para compreender a geopolítica da América, desde os tempos coloniais. São mapas, cartas, acervo precioso e imenso. Há interesse em expor esse material.

Sua gestão também retomou os Prêmios.

Sim, os prêmios da Biblioteca Nacional foram retomados. Incluímos categorias. Havia uma categoria chamada infanto-juvenil, e nós separamos isso. Então, hoje há um prêmio para literatura infantil, outro para juvenil. Temos também o Prêmio Camões, o maior da língua portuguesa, unindo trabalhos em Brasil, Portugal e na África que fala português. Criamos agora, com Portugal, um segundo prêmio, o Monteiro Lobato, que contempla a literatura infantil. 

Qual é a importância do prédio da Biblioteca Nacional na arquitetura da Cidade

Esse é um prédio de 1910. Foi uma construção iniciada em 1905, que durou, portanto, cinco anos. Sua construção está inserida no contexto da Reforma Pereira Passos, a grande revolução urbanística que mudou o perfil urbano da Capital Federal. Ele forma esse conjunto importante de prédios históricos, que reforçam a importância da Cinelândia, com o Theatro Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e o prédio ao lado, da Justiça Federal. O prédio da BN tem várias características importantes. Ele já foi construído expressamente para abrigar o acervo da Biblioteca Nacional, pensado e projetado para isso, o que lhe confere características favoráveis muito próprias. Pois há muitos museus pelo mundo que são prédios que tiveram vários usos, até finalmente os museus se instalarem neles. Isso obriga obras de adaptação. Este prédio já foi construído com um propósito. Porém, trata-se de um prédio centenário, que sofreu muito com o desgaste do tempo, e passou por diversas reformas nos últimos anos. A última, que envolveu, inclusive, a fachada, aconteceu nos anos 1990. A atual não foi uma reforma tão ampla do edifício. Porém foi, até agora, a restauração mais profunda e completa da fachada, porque atentou para todos os detalhes, com o principal objetivo de que o prédio retomasse suas características originais: cor, elementos decorativos, adorno. Tudo para recuperar o que foi perdido ao longo dos anos. As várias camadas de tinta foram descascadas em escamas, expondo elementos cromáticos que não correspondiam aos naturais do edifício, até se chegar à cor original, esse tom amarelo meio bege, clarinho. O mesmo cuidado houve com as janelas verdes, os vidros jateados. Voltamos no tempo para recuperar a memória e conferir ao prédio seu verdadeiro valor. 

Os presidentes da Biblioteca Nacional sempre reclamaram da falta de verbas. Você também? 

Eu não posso reclamar. Nós temos tido uma atenção muito especial por parte do Governo. O fato de eles terem liberado uma verba de cerca de dez milhões para esta obra é revelador disso, principalmente pelo momento de contenção de despesas. Essa obra teve o cronograma físico-financeiro cumprido rigorosamente, não houve atraso em nenhum repasse. Isso sinaliza uma boa relação, um desejo político de fazer isso. E olha, nós já passamos por três ministros diferentes em dois anos, e um traço comum entre as três gestões foi a atenção com relação à relevância desta instituição.  Os três entenderam perfeitamente nosso papel. Nós não somos uma instituição de Governo, mas do Estado. E essa é uma compreensão fundamental. Não se trata de uma política de Governo. A Biblioteca Nacional está acima disso tudo. Eu, como servidora de carreira há 30 anos, fiquei muito honrada em voltar para a BN, como sua presidente. Isso aqui é uma casa de servidores, onde o trabalho é feito com o máximo de dedicação pelos que vestem a camisa da instituição. Os governos passam, e nós ficamos.

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GOZADO, QUANDO um estádio lotado mandou a presidenta da República, ali presente, ir tomar no c…, a mídia não criticou. Houve até quem endossasse. E mais, quem aplaudisse. Registrei em minha coluna a má educação de nossa elite e até hoje me fazem cara feia por isso. Agora querem criticar Neymar, que não teve berço de ouro, porque o palavrão desceu das cadeiras especiais pro gramado. 

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