Grande Rota do Vale do Côa. Relato de um professor que percorreu 200 quilómetros em 10 dias » EntornoInteligente
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Entre paisagens surpreendentes e deslumbrantes, alguns cães perigosos à solta e muitos troços do percurso mal sinalizados e até vedados com arame farpado, José Mira, confessa que foram 10 dias inesquecíveis, vividos com intensidade, numa região de onde saiu “apaixonando por estas terras e pelas gentes que aqui habitam”.

Foios – Malcata/Sabugal O percurso, depois de sair de Foios, começa por uma subida acentuada na Reserva Natural da Serra da Malcata, até à Machoca. Uma paisagem de cortar a respiração. De um só olhar pode abarcar-se a Serra da Estrela, na linha do horizonte, mas ainda as zonas do Sabugal, Malcata, Quadrazais, Vale de Espinho e Foios. A partir do alto, o percurso desce rumo a Malcata, por bosque. A natureza aqui presente indica-nos que é uma zona de eleição para a fauna local, com destaque para os corsos.

Sabugal – Rapoula do Côa No Sabugal, o mapa oficial da Grande Rota do Vale do Côa (GRVC) menciona que esta se cruza com a GR 22 das Aldeias Históricas e também com outros percursos pedestres (pequenas rotas) ao longo do trilho. O facto de existirem porções coincidentes torna difícil a orientação, sobretudo porque a única característica da GRVC é uma simples sinalização branca e vermelha (que curiosamente é a mesma que a GR 22).

O trilho até à torre sineira é percetível, apesar dos pontos comuns com a GR das aldeias. Contudo, ao descer a ‘rua direita’, começam os problemas. Existe um sinal da GRVC que aponta para a direita. Ao seguir por este caminho, deparei-me com uma rua em obras profundas, sem qualquer tipo de acesso. Com recurso ao mapa, e seguindo a minha intuição, lá continuei a caminhar para a direção onde achava que era o trilho, mas sem ver marcas. Ao fim de sensivelmente 30 minutos, consegui encontrar a sinalização.

A partir deste momento o caminho segue junto à margem direita do rio, num troço que descrevo como mágico, saído de um conto de fadas . Após alguns quilómetros de percurso ao longo do Côa, o trilho atravessa para a margem oposta, dando de novo início aos problemas de sinalização. Imediatamente antes da travessia, deparei-me com uma sinalética quebrada e colocada em cima de um muro.

Foi de facto um mau presságio para o que viria a acontecer. Mais uma vez o percurso coincide com outras rotas. Acabei por perder a sinalização relativa à GRVC, sendo obrigado a seguir outra sinalização, sempre na expetativa que os caminhos convergissem mais tarde. Contudo, tal não aconteceu. Decidi então regressar para perto do rio, para a povoação Quinta das Vinhas, onde solicitei um táxi até Rapoula do Côa.

Rapoula do Côa – Vilar Maior Esta etapa foi iniciada pelas 7h30, sendo que o meu objetivo era fazer o desvio até Vale das Éguas, tal como sugerido pela rota. Rapidamente percebi que havia tomado a opção correta – a praia fluvial com o mesmo nome é belíssima, com uma ponte pedonal que atravessa o Côa.

O caminho da praia até à pequena aldeia é mágico: percorre uma estrada recentemente recuperada com um pavimento repleto de pedras de calçada em tom acinzentado, sendo longitudinalmente delimitado por muros de pedras usados como fronteiras entre terrenos agrícolas. Junto aos muros erguem-se carvalhos, que presenteiam o caminheiro com sombra, tão desejada nas alturas de maior calor.

A partir daqui caminhei em direção a Seixo do Côa, subindo e descendo entre vales com vegetação rasteira. Assim, este troço permite uma vista desafogada do que nos rodeia, ponto importante não só para contemplar a vista mas também para tentar nortear o nosso caminho, especialmente quando a sinalização – ou falta dela – volta a fazer das suas.

Continuei pela estrada alcatroada, até finalmente encontrar o trilho da GRVC, já no centro de Seixo do Côa. Aqui, explorei o centro, aproveitando para subir até ao cimo da igreja. Ao mesmo nível dos sinos temos uma vista de 360 graus absolutamente fantástica. Indubitavelmente um dos pontos altos desta etapa.

O percurso continua passando pela praia fluvial da aldeia, seguido de nova travessia do rio. A partir de Valongo, o troço é feito por estrada pela margem direita do Côa. Cheguei assim à Ponte de Sequeiros, construção fortificada lindíssima que oferece uma vista ímpar para jusante.

Aquando da última travessia desta etapa, próximo de Badamalos, fiquei surpreendido por verificar que a praia fluvial com o mesmo nome se encontrava imediatamente à direita e não à esquerda da ponte, como indicado no mapa da Etapa. De qualquer das formas, decidi permanecer neste local, que para além de bonito se encontra muito bem preservado, com relva natural, balneários e serviço de bar (aqui sim com petiscos, e bons).

A etapa continuou até Vilar Maior, onde ficarei a dormir no salão da Junta de Freguesia. Mais uma vez, devido à ausência de estabelecimentos de restauração, o centro de dia da vila preparou por gentileza uma refeição para terminar da melhor forma o meu dia. De salientar também a excelente vista, também de 360 graus, a partir do Castelo.

Mais uma vez, fica patente que a pobre sinalização e oferta de serviços são efetivamente uma limitação do percurso. Felizmente, a boa vontade de cada pessoa que cruza o meu caminho ajuda a ultrapassar estas barreiras.

Vilar Maior – Castelo Mendo Comecei por regressar à aldeia de Badamalos, pelo caminho feito no dia anterior, sem grandes notas adicionais a assinalar. A partir daqui o percurso é feito paralelo ao rio, por campos agrícolas.

Atravessei as Ribeiras da Nave e de Vilar Maior, que por esta altura correm timidamente, fruto da escassez de precipitação característica desta época. Mais adiante, e já na margem esquerda do Côa, poderia optar por um desvio até à aldeia de Porto da Ovelha ou continuar pelo trilho, junto à margem do rio. Estranhamente, e ao contrário do que consta no mapa, o caminho oficial passa efetivamente pela aldeia e não imediatamente ao longo do Rio.

Aliás, o caminho sugerido no mapa do website da GRVC encontra-se na realidade com uma cruz, deixando o caminheiro confuso. De qualquer das formas, e como o plano por mim traçado contemplava a paragem nesta localidade para a primeira refeição do dia, dirigi-me para Porto da Ovelha. Devido à inexistência de cafés, ao contrário do referido na ficha da etapa, acabei por comer uma laranja que havia preservado para estas situações (im)previstas.

O trilho encontra-se marcado até à aldeia e, a partir dai, o caminho é feito até Jardo por estrada alcatroada. Ao atravessar a aldeia de Jardo, deparei-me com uma situação que me deixa bastante desconfortável e para a qual acho importante deixar um alerta – a presença de cães sem trela durante a rota. Um destes cães – enorme diga-se – começou a ladrar incessantemente quando me viu. Um pastor que por ali passava, e que conhecia bastante bem o cão, aconselhou-me a atravessar a aldeia com ele, pois ‘o cão pode morder pessoas que não conhece’. Assim o fiz, com medo.

Desta feita tive a ajuda preciosa de um habitante e correu tudo bem. Mas confesso que fiquei apreensivo para situações semelhantes que poderão acontecer no futuro.

O percurso desce até ao rio Noémi, por um caminho rodeado por campos agrícolas. Durante a descida, deparei-me com um portão fechado que encerrava o caminho até agora percorrido. Fiquei mais uma vez confuso, pois na ficha de etapa não constava nenhum alerta de “Vai passar por propriedades privadas, feche os portões”, como presente por exemplo na ficha da Etapa 1 (Nascente Foios – Quadrazais). Acresce ainda o facto de não se observar nenhum tipo de sinalização próximo do portão. Decidi mais uma vez seguir a minha intuição e transpus o portão. Felizmente, e após percorridas algumas dezenas de metros, lá estava a marca vermelha e branca da Rota, para grande alívio meu.

Algumas centenas de metros mais adiante, dei de caras com mais uma barreira à frente do caminho. Desta feita, tinha a certeza que a mesma pressuponha a sua transposição, pois conseguia ver a sinalização imediatamente a seguir. Contudo, havia um pequeno problema: a vedação era constituída por arame farpado. Felizmente, e como me encontro em relativamente boa forma física, consegui evitar a vedação saltando por cima de um muro de perda. Contudo, e para pessoas que não se sintam aptas a fazer estes números típicos de duplos de Hollywood, esta situação deveria ser resolvida por parte da GRVC.

O trilho continua por entre campos de exploração agrícola e pastagens, até ao Porto de São Miguel. Aqui, poder-se-á observar a paisagem e biodiversidade particular deste ponto de interesse. A mesa de piquenique junto ao painel informativo convida a uma pausa para recarregar energias, antes da subida íngreme e exigente até Castelo Mendo.

A etapa termina na referida aldeia histórica. O único café da localidade, que tem como mascote uma cabeça de bovino à entrada, apenas serve bebidas. O caminheiro que pernoite aqui deverá por isso trazer a sua própria comida.

Castelo Mendo – Almeida Um percurso exigente com a agravante de, a partir de Castelo Bom, não haver qualquer ponto de abastecimento de água. O trilho começa em Castelo Mendo, descendo até à praia fluvial de Castelo Bom, local muito bonito, onde o caminheiro poderá aproveitar para ir a banhos.

O caminho continua pelo lado esquerdo do Rio, afastando-se ligeiramente da margem. Aqui, experiencia-se o estado puro da natureza – não vi nem ouvi ninguém durante horas. O único contacto que tive foi com um pastor, que cuidava do seu rebanho, ora reduzido após ter sido dizimado por um casal de lobos que por estas terras vagueava há cerca de 3/4 anos. “Mataram-me 52 animais, entre ovelhas e cabritos”, referiu. Tendo sido confirmado que os ataques foram da autoria do lobo ibérico, o pastor recebeu uma indemnização.

As ovelhas pastavam próximo do Côa, sendo que a partir deste momento o percurso voltou a encontrar-se com o Rio. Mais uma vez, descrevo este troço como de beleza única: o silêncio prevalece, apenas interrompido pontualmente pelo cantar dos pássaros. A paisagem, essa, é de cortar a respiração. Não corria uma aragem, permitindo uma reprodução fiel da vegetação autóctone junto à margem na água do Rio Côa, como de um espelho se tratasse.

Almeida – Quinta Nova Parti de Almeida, dentro das muralhas da fortificação em estrela. Nas primeiras centenas de metros o percurso não está marcado, tendo seguido a marcação de uma pequena rota que também se dirigia para as Termas de Fonte Santa.

Até às termas, o percurso é feito por área com diversos afloramentos graníticos, estando novamente submerso em plena natureza. Aliás, a família de saca-rabos que cruzou o meu caminho e que lentamente se foi afastando por entre pedras, assim o denunciava.

Passadas as termas, segui por estrada e depois por trilho marcado. A chegada a Cinco Vilas trouxe uma agradável surpresa: ao contrário do referido na ficha de etapa, a aldeia dispõe de abastecimento de água e café, com deliciosos petiscos da região.

Depois do repasto, segui em direção ao rio, percorrendo a sua margem direita até à Ponte Romana, imponente ponto de interesse da rota. Neste ponto, a sinalização é escassa, sendo difícil encontrar o percurso oficial da rota. Ainda assim, consegui encontrar marcações e atravessar o Côa por um pontão de 3 metros de largura. Mesmo sendo verão, a água transpunha o mesmo, sendo aconselhado fazer a sua travessia com alguma cautela.

Quinta Nova – Cidadelhe O trilho parte de Quinta Nova, por entre terrenos outrora devotos à agricultura, até chegar ao rio. Nesta porção da grande rota, verifica-se uma mudança na paisagem: o rio começa a ser ladeado por encostas muito escarpadas, presenteando-nos com uma vista majestosa sobre o vale.

O caminho entra numa propriedade privada vedada sem qualquer portão, obrigando o caminheiro a saltar de pedra em pedra pelo rio para continuar a rota. O percurso, que continua junto à margem durante sensivelmente 4 km, é extremamente difícil, pois é feito saltando entre pedras, na margem. Adicionalmente, o estreito caminho não sofreu recentemente qualquer tipo de manutenção/limpeza, encontrando-se repleto de silvas e arbustos.

Após ter atingido o ponto mais alto da etapa, começou a chuviscar. Os chuviscos rapidamente se tornaram em chuva torrencial, que me obrigaram a procurar abrigo por baixo de um pinheiro. Ali permaneci durante uma hora, até a precipitação acalmar.

Uma vez chegado ao final da etapa, dirigi-me ao único café da aldeia, onde me esperavam as chaves do pavilhão da Junta onde iria pernoitar, generosamente cedido pelo Presidente da Junta.

Mais uma vez, e em virtude da falta de serviços de apoio, a bondade dos locais prevaleceu. O jantar foi-me servido numa casa de habitantes locais. Posso dizer que comi uma das melhores refeições de todo o percurso.

Cidadelhe – Algodres/Algodres – Castelo Melhor (percorridas no mesmo dia, devido à curta distância) De Cidadelhe a Algodres o trilho desce em direção ao Côa, serpenteando as encostas desta paisagem acidentada. Durante os primeiros dois quilómetros, encontrei-me rodeado apenas por natureza, sem se verificar vestígios da ação humana. À minha volta, observava que em várias zonas a terra havia sido remexida, denunciando a presença do javali, que utiliza esta técnica para procurar comida. O percurso oferece uma vista única da região, com montanhas que parecem nunca terminar.

O caminho continua por estrada, até à Ponte da União. Aqui, o silêncio é completado pela beleza única do Rio Côa, que corre no fundo do vale.

A percurso atravessa esta área protegida de sul a norte, por entre rochas graníticas, oliveiras, sobreiros e azinheiras. De salientar ainda as zonas de pastagem, frequentadas pelos garranos e vacas maronesas aqui introduzidos. Percorridos alguns metros após a entrada, vislumbrei uma raposa ao longe, que rapidamente desapareceu mato adentro.

Os cavalos selvagens seguiram as minhas pegadas, involuntariamente, começando-se a aproximar de mim. Quanto a mim, decidi permanecer quieto. Claramente não estavam ao corrente da minha presença. Os seus passos estavam cada vez mais próximos, sendo que apenas uma curva nos separava. Não queria de todo fazer nenhum movimento brusco, sob pena de ter uma manada equina cavalgando na minha direção. Imediatamente antes de se depararem comigo, pressentiram-me e velozmente fugiram para o caminho oposto onde me encontrava. Que alívio! Prossegui então a minha caminhada.

Quando deixei Algodres, percebi que o caminho se encontrava mal sinalizado. Recorri ao mapa e constatei que o percurso acompanhava uma pequena ribeira em direção a norte. Fui caminhando, sem ver a sinalização, até encontrar uma estrada alcatroada. Sabendo que esta me levaria à próxima vila do percurso, Almendra, decidi manter-me nela.

Atravessei toda a aldeia, rumo a norte, em direção ao meu destino. O percurso desce por entre olivais e vinhas, com uma vista belíssima das encostas da região.

Na Junta de Freguesia de Castelo Melhor esperava-me o seu Presidente. Fui novamente recebido de forma exemplar, pernoitando numa das instalações da Junta.

Castelo Melhor – Foz Côa Confesso que me sinto feliz por aqui ter chegado, mas triste por daqui partir. Na verdade, foram dez dias vividos com intensidade, apaixonando-me por estas terras e pelas gentes que aqui habitam.

A etapa é curta, com uma distância de cerca de quilómetros. Aproveitei por isso para andar calmamente, saboreando cada momento como se do último se tratasse. O trilho inicia com uma subida algo acentuada, por caminho sob pedras de calçada e ladeado por muros. Do lado esquerdo vislumbra-se a Capela de São Gabriel, um dos pontos mais altos desta zona. Fica a promessa de um dia regressar para ascender a este local de culto, com vista panorâmica de 360 graus.

O caminho continua, ora por campos selvagens, ora por olivais, amendoais e vinhas (foto 1). Passei pela pacata aldeia de Orgal, onde reencontrei um senhor com quem confraternizei na véspera, em Castelo Melhor. Desejou-me boa sorte para o restante percurso. A energia dos habitantes locais é contagiante, ajudando a encontrar forças quando por vezes a fadiga quer tomar conta de nós.

Deixei a aldeia rumo a norte, caminhando por estrada de terra batida pela encosta. Passados alguns minutos, o trilho passaria para o lado oposto da colina, encarando o majestoso Rio Douro.

Pela primeira vez na minha vida contemplei a sua beleza única nesta região: encostas inclinadas, com dezenas de fileiras de vinhas cuidadosamente ordenadas, que saudavam as calmas águas que no fundo do vale corriam.

Nunca mais irei esquecer o sentimento que me dominou e os arrepios causados por este espetáculo da natureza. Durante cerca de um quilómetro, o percurso manteve-se por esta face da encosta. Caminhei vinha adentro, deixando-me perder neste troço labiríntico, rodeado por cepas e uvas que aguardam a vindima. Mágico. Simplesmente mágico.

Segui em direção ao meu destino final, a foz do Côa. No final da vinha consegue observar-se o encontro dos imponentes rios, mediado por uma ponte férrea.

Após atravessar a estrada principal, desci rumo à ponte, que ditaria o final desta minha aventura. Escassos metros antes da foz, percorri o trilho não sinalizado através dos caminhos de ferro, deixados completamente ao abandono. Confesso que, devido à importância deste local, não só como marco do final da minha jornada de mais de 200 quilómetros, mas também pela relevância histórica, outrora utilizado para o transporte de mercadorias e passageiros, esperava encontrá-lo mais bem cuidado. Adicionalmente, julgo que, à semelhança do que acontece na nascente, deveria existir um painel informativo acerca do rio, da região e da GRVC em si. Considero, também, que se a rota inicia na Nascente do Côa (e não no centro de Foios), deveria oficialmente terminar na Foz do Rio (e não junto ao Museu do Côa). Não obstante, foi com enorme satisfação que me desloquei até meio da ponte, mesmo por cima dos últimos metros do Rio Côa. Para mim, este foi oficialmente o fim da Grande Rota.

RESUMO E SUGESTÕES POR JOSÉ ESCADA DA COSTA (Associação Malcata com Futuro) O projecto da Grande Rota do Vale do Côa (GRVC) foi promovido pela Associação de Desenvolvimento Territórios do Côa e foi financiado pelo Programa Operacional Regional do Centro. O percurso tem a distância de 220 km, ligando a nascente à foz do rio Côa, atravessando os concelhos do Sabugal, Almeida, Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa. A motivação da sua criação foi a de possibilitar uma proximidade ao rio Côa e à sua rica biodiversidade, e ainda para permitir uma forte ligação ao património cultural, arqueológico e histórico da região.

O projeto previa ainda que ao longo do percurso estaria disponível variada informação sobre povoações e locais de interesse . Em determinadas localidades como por exemplo Sabugal, Almeida e de Algodres (Figueira de Castelo Rodrigo) existem rotas alternativas marcadas. Por vezes cruza com outras rotas como seja a Grande Rota das Aldeias Históricas . O Vale do Côa, Património da Humanidade desde 1998, é considerado “o mais importante sítio com arte rupestre paleolítica de ar livre” e é denominado por muitos como o “Vale dos Patrimónios” .

O site da GRVC está muito bem conseguido sendo uma ferramenta de enorme utilidade porque contem muita informação. Um mapa interativo apresenta características técnicas, sugestões de etapas, serviços úteis disponíveis nas localidades, informação sobre património arqueológico, histórico, natural e rural, os locais e acontecimentos de interesse na região, galeria de fotografias ilustrativas e ainda notícias sobre os últimos acontecimentos respeitantes à rota e ao território.

Não é pelo site que a atratividade pelo território falha. O mesmo evidencia, muito bem, patrimónios naturais únicos como são a Reserva Natural da Serra da Malcata, a Reserva da Faia Brava e o Parque Arqueológico do Vale do Côa.

O site disponibiliza ainda uma ficha por etapa, onde se podem encontrar as características técnicas e informações úteis para estadia, transferes e abastecimento.

Em conclusão Os cinco concelhos dispõem de património riquíssimo do ponto de vista histórico e pré-histórico, da ruralidade, biodiversidade, reservas naturais, complexos termais, alojamentos em turismo rural, gastronomia. A GRVC podia e devia ser uma via privilegiada para atrair e divulgar. Para captar investimento de oferta de serviços.

O bem concebido site da GRVC é uma excelente ferramenta. Mas, depois quase tudo falha em termos de organização: Sinalização, painéis informativos, limpeza de troços, logística para os caminheiros…. A Associação Transumância e Natureza, entidade responsável pelo levantamento, limpeza e marcação, e manutenção do trilho, assim como pelo Plano de Promoção da Grande Rota do Vale do Côa tem muito trabalho a fazer.

Em termos da GRVC os cinco concelhos são uma espécie de um “condomínio” que têm como objetivo comum apresentar um território único, na sua riqueza histórica, arqueológica, cultural e natural. Se um elo da cadeia falha a todos prejudica. Talvez a ação primeira seja a negociação com os privados que colocaram portões e arame farpado em troços da rota.

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