Governos e empresas buscam abolir uso do canudo de plástico em defesa da natureza + - EntornoInteligente
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26/06/2018 – Jornal do Brasil. / O inocente hábito de degustar uma bebida gelada com um canudo carrega uma realidade desastrosa para o meio ambiente. De olho nas imensas quantidades de plástico despejadas nos oceanos diariamente, governos, parlamentos e empresas em várias partes do mundo decretaram guerra ao pequeno acessório. Só nos Estados Unidos, estima-se que 500 milhões de canudos sejam usados diariamente. Além de alguns estados americanos, Reino Unido e União Europeia (UE) estudam leis que ponham fim ao problema. No Brasil, a cidade do Rio de Janeiro tomou a vanguarda do movimento.

A Câmara Municipal carioca aprovou em 7 de junho a proibição do uso de canudos de plástico, mediante multa de até R$ 6 mil em caso de comerciantes reincidentes. A lei indica materiais biodegradáveis ou resistentes como opção. A lei ainda não foi sancionada pelo prefeito Marcelo Crivella (PRB). 

Canudos acumulados na areia de praia na Ilha do Governador, no Rio: problema preocupa diversos países Entre as alternativas possíveis ao plástico, restaurantes e lojas apelam para canudos biodegradáveis, comestíveis ou mais resistentes, como os de metal ou bambu. Há, ainda, a possibilidade do simples uso de copos de vidro ou reutilizáveis. Nos EUA, a cidade de Nova York estuda banir completamente os canudos de plástico até 2020, e outros municípios, como Seattle, Malibu e Miami Beach têm iniciativas semelhantes.

Uma das maiores compradoras de canudos nos EUA, a rede de fast-food McDonald’s estuda adotar canudos biodegradáveis ou copos com tampas adaptadas para beber, que dispensariam o uso do utensílio. A rede de cafés Starbucks não apresentou um plano de substituição, mas algumas franquias americanas oferecem descontos aos clientes que trazerem seus próprios copos reutilizáveis. 

“Os canudos são servidos automaticamente com os copos nos bares e  são muito pequenos para serem reciclados. Eles passam por todos os filtros”, explica Yasmine El Kotni, da associação francesa Bas les Pailles (abaixo os canudos, em português).

A maioria dos canudos é produzida a partir do polipropileno e do poliestireno, dois materiais plásticos cujo prazo de decomposição varia de 50 a 100 anos. Nos oceanos, acabam ingeridos ou aspirados por animais. Um vídeo de veterinários retirando um canudo das narinas de uma tartaruga marinha na Costa Rica foi replicado várias vezes nas redes sociais. De acordo com um estudo publicado na revista americana “Science”, 250 quilos de plástico são despejados por segundo nos nossos oceanos – o equivalente a 15 toneladas por minuto. Cientistas preveem que o mar terá mais plástico do que peixes até 2050.

Exatamente por isso, os canudos não são os únicos inimigos da vida marinha. O Reino Unido pretende proibir, além do acessório, palitos e cotonetes de plástico. Os deputados na França até agora resistiram à inclusão dos canudos na lista de itens proibidos, apesar da insistência do Senado. Atualmente, apenas pratos e cotonetes de plástico foram vetados. Chile, Índia e Taiwan pretendem banir utensílios descartáveis de plástico até a próxima década. 

* Com supervisão de Denis Kuck

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