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Fechamento da Ford em Taubaté mistura tristeza e apreensão diante do desemprego

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Entornointeligente.com / TAUBATÉ, SP — A notícia de que a Ford fechará sua fábrica de motores e transmissões em Taubaté (SP) foi recebida com tristeza e medo na cidade de 300 mil habitantes. Cerca de 350 operários participaram da assembleia convocada pelo Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetau) na terça-feira e decidiram manter vigílias nas portas da planta até que a montadora decida negociar com a entidade uma eventual reversão das demissões.

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A entidade e o prefeito recém-empossado do município, Antonio Saud (MDB), tiveram uma reunião com o governo Doria em São Paulo para pedir ajuda. O sindicato busca reverter a saída da Ford, algo considerado improvável pela prefeitura, que busca a instalação de uma outra indústria que possa absorver parte dos 830 funcionários diretos e 600 terceirizados que serão dispensados.

A montadora, que atua há 103 anos no Brasil, anunciou na segunda-feira o encerramento da produção de veículos no país e o consequente fechamento de suas três fábricas por aqui, localizadas em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE).

As duas primeiras tiveram a produção interrompida imediatamente. A reestruturação dos negócios da multinacional na América do Sul deve resultar de imediato em 5.000 demissões, a maioria no Brasil.

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Também nesta terça-feira, trabalhadores protestaram contra o fechamento da unidade da Ford em Camaçari, na Bahia .

A decisão pegou de surpresa os trabalhadores em Taubaté, que ficaram sabendo do fato pela imprensa e por grupos de whatsapp, segundo o presidente do sindicato dos metalúrgicos, Claudio Batista da Silva Júnior.

PUBLICIDADE A planta, que fabricava motores e transmissões, tem 830 funcionários, mas já chegou a empregar diretamente 2.700 pessoas nos anos 2000. Cerca de 600 terceirizados prestam serviços à fábrica e a estimativa do sindicato é que o fechamento da fábrica afete 10 mil pessoas.

— O governo federal só desejou os pêsames aos trabalhadores, mas a Ford teve mais de R$ 20 bilhões em subsídios ao longo da sua história. No último ano, foram R$ 335 milhões em financiamentos do BNDES, e agora fecha e vai manter na Argentina, isso não é possível — afirma Júnior.

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Nos últimos dois anos, os empregados aceitaram acordos coletivos de redução de jornada e salários, congelamento de remunerações e do pagamento da PLR (participação nos lucros) para que a fábrica pudesse manter suas atividades, segundo operários.

No período, também foram lançados dois planos de demissão voluntária, que resultaram no corte de mais de 500 funcionários.

Anúncio de fechamento de fábricas da Ford gera protestos em Taubaté, em São Paulo Decisão da montadora encerrar produção no Brasil pegou trabalhadores de surpresa Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Sidicalista discursa para funcionários que protestam contra o fechamento de fábrica da Ford, em Taubaté Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Trabalhadores protestam contra fechamento de fábrica da Ford em Taubaté Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Trabalhadores protestam contra fechamento de fábrica da Ford em Taubaté Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Funcionários observam manifestação de colegas contra fechamento de fábrica Foto: Agência O Globo Pular PUBLICIDADE Trabalhadores ficaram sabendo do fato pela imprensa e por grupos de WhatsApp Foto: Agência O Globo A reestruturação dos negócios da multinacional na América do Sul deve resultar de imediato em 5.000 demissões, a maioria no Brasil Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo — A Ford vem perdendo espaço no mercado há anos e a produção foi sendo afetada, mas não acreditávamos que fosse fechar a fábrica que tem 53 anos aqui. O pessoal sempre teve a ideia de que era uma empresa família — diz Mário Santana, 33 anos, há 11 operário de linha de produção de motores.

PUBLICIDADE Para Claudio Silva Júnior, do sindicato dos metalúrgicos, a Ford cometeu erros de gestão ao fabricar no Brasil apenas carros com baixa margem de lucro, como o Ka.

Segundo o prefeito Saud, o governo estadual afirma que há dois possíveis interessados em assumir a área hoje ocupada pela planta da Ford, mas Taubaté deveria competir com outros municípios para receber os investimentos.

Entre os operários da montadora na cidade, o clima é de pessimismo, especialmente entre os que têm mais tempo de casa. Os trabalhadores têm estabilidade garantida por um acordo coletivo de redução de jornada e salários até dezembro, mas a Ford pode antecipar a demissão mediante pagamento de salários.

A trajetória da Ford no Brasil 1984 – Na fábrica de São Bernardo do Campo, então sua principal unidade no Brasil, a Ford usa um Del Rey para comemorar 2 milhões de unidades produzidas pela marca desde 1957 Foto: Divulgação – 12/07/1984 2015 – Funcionário verifica o controle de qualidade e inspeção na fábrica da Ford em Camaçari, Bahia Foto: Paulo Fridman / Corbis via Getty Images – 27/07/2015 2008 – Linha de montagem do novo Ka, na fábrica de São Bernardo do Campo, reformada à época para produção no modelo Foto: Davilym Dourado / Valor – 11/03/2008 2006 – Operários de empresas parceiras tranalham na montagem de portas de carros, dentro da linha de montagem da Ford, na fábrica de Camaçari, Bahia Foto: Edson Ruiz / Valor – 05/06/2006 1999 – Funcionários da Ford trabalham na linha de montagem da fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo Foto: Marie Hippenmeyer / AFP – 03/02/1999 Pular PUBLICIDADE 1998. Visão geral de milhares de carros Ford estacionados em um estacionamento no parque industrial de São Bernardo do Campo Foto: Marie Hippenmeyer / AFP – 12/11/1998 1983 – Escort, “o carro mundial da Ford”, marcou a modernização da fábrica Foto: Antonio Carlos Piccino / Agência O Globo – 01/07/1983 1968 -A Ford comprou a Willys e levou junto o projeto do Corcel, que começou a ser fabricado no fim daquele ano. Nascia um sucesso brasileiro Foto: Arquivo / Agência O Globo – 06/11/1968 1957 – Os caminhões F-600 e F-350, bem como as picapes F-100, foram os primeiros veículos da Ford produzidos no Brasil, ainda na fábrica do Ipiranga (fechada em 2000) Foto: Arquivo / Agência O Globo 1956 – A fábrica da Willys em São Bernardo do Campo começou como linha de montagem dos Jeep CJ-3B, com motor importado Foto: Hans Flieg / Divulgação – 27/04/1956 Pular PUBLICIDADE 1959 – Em visita à fábrica da Willys-Overland do Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek vai de carona em um Jeep CJ-5 nacional Foto: Arquivo / Agência O Globo – 15/10/1959 1921 – Linha de montagem do modelo T, em São Paulo. A Ford, em 1921, mudou-se para um edifício próprio, na Rua Solon, 809, no bairro do Bom Retiro, construído para abrigar a primeira linha de montagem de veículos em série do Brasil. Era comum a população visitar a fábrica para ver a produção do veículo Foto: Reprodução  

Como a empresa ainda não comunicou como serão feitas as demissões, o clima é de incerteza.

Historicamente, as vagas na fábrica eram preenchidas por familiares de operários que já trabalhavam na planta. Agora, com o fechamento da unidade, muitas famílias terão mais de um integrante desempregado. 

O salário médio na planta supera os R$ 5.000, com pagamento de PLR anual que poderia chegar a R$ 15 mil, mesmo nos últimos anos, quando a unidade tinha maior ociosidade.

Saud (MDB), que assumiu a prefeitura há 12 dias, afirma que o impacto das demissões será grande no município, embora a fábrica tenha perdido relevância nos últimos anos.

PUBLICIDADE Cronologia: os mais de cem anos da Ford no Brasil 1919 Foto: Reprodução A fundação da filial brasileira da Ford foi no dia 24 de abril, com capital inicial de US$ 25 mil.. Em 1º de maio, a empresa iniciou a montagem do Modelo T em um galpão na Rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, com peças importadas. Em 1921, mudou-se para um edifício próprio, na Rua Solon, 809.

1925 Foto: Reprodução Ford faz exposição no Rio de Janeiro, com Uma linha de montagem trazida de São Paulo com operários e técnicos para demonstrar o seu funcionamento. Sgundo a empresa, a marca registrou recorde de vendas no Brasilentão, de 24.250 veículos.

1938 Foto: Divulgaçãp Os modelos Mercury do final da década de 30, com design mais arrredondado. Ele começou a ser montado no Brasil pouco depois de ser lançado pela Ford na matriz. Porém, segundo a companhia , o modelo de luxo era produzido apenas mediante encomenda especial. Na foto, um bem conservado, fotografado na década passada.

1943 Foto: Agência O Globo Com a escassez de combustível durante a Segunda Guerra Mundial, os carros da Ford foram adaptados com caldeiras de gasogênio, allimentadas por carvão vegetal. Na foto, o primeiro carro do tipo a chegar ao Corcovado.

1949 Foto: Divulgação Depois do fim da guerra, veio o Ford 1949, com novas linhas que tiveram influência na a indústria automotiva. Foram incrmentados o chassi e a suspensão, entre outros elementos.

Pular PUBLICIDADE 1953 Foto: Arquivo Setor de peças da fábrica da Ford no Ipiranga, inaugurada em 1953, com mais de 200 mil metros quadrados. Mais de 2.500 empregados foram contratados, e a produção diária era de 125 veículos.

1956 Foto: Hans Flieg / Divulgação A fábrica da Willys em São Bernardo do Campo, SP, começou como uma linha de montagem dos Jeep CJ-3B, com motor importado.

1957 Foto: Agência O Globo Este ano viu nascer o porimeiro veículo Ford totalmente fabricado no Brasil, o caminhão F-600, saído da fábrica do Ipiranga. Também de lá vieram as picapes F-100.

1959 Foto: Arquivo Em visita à fábrica da Willys-Overland do Brasil, o presidente Juscelino Kubitschek em um Jeep CJ-5 nacional. A produção era feita em parceria com a Ford

1968 Foto: Arquivo A Ford comprou a Willys e levou junto o projeto do Corcel, que começou a ser fabricado no fim daquele ano. Nascia um sucesso brasileiro, que foi eleito carro do ano em 1969.

Pular PUBLICIDADE 1974 Foto: Lucas Lacaz Ruiz / gência O Globo A Ford inagura a Fábrica de Motores e Fundição de Taubaté, que em 2021 encerra suas operações.. Na éoca a empredsa anunciou novos investimentos de mais de US$ 400 milhões na expansão das atividades no BrasiI.

1977 Foto: Arquivo Depois de o Corcel chegar a meio milhão de unidades, veio seu sucessor, o Corcel II, que bateu recorde de 100 mil unidades nos dez primeiros meses de lançamento.

1983 Foto: Arquivo Chega o primeiro Escort. Sua versão esportiva, Escort XR-3, chegou pouco depois e teve a campanha estrelada por Ayrton Senna.

1984 Foto: Arquivo Na fábrica de São Bernardo do Campo, então sua principal unidade no Brasil, a Ford usa um Del Rey para comemorar 2 milhões de unidades produzidas pela marca desde 1957

1998 Foto: Arquivo Visão geral de milhares de carros Ford em um estacionamento no parque industrial de São Bernardo do Campo. Na década, a Ford começou a produzir primeira geração do Ford Ka e a picape F-250, que substituiu a F-1000

Pular PUBLICIDADE 2006 Foto: Edson Ruiz/Valor Operários de empresas parceiras tranalham na montagem de portas de carros, dentro da linha de montagem da Ford, na fábrica de Camaçari, Bahia. O complexo foi inaugurado em 2001, introduzindo novos conceitos de arquitetura e produção.

2015 Foto: Agência O Globo O Ford EcoSport alcançou produção de 1 milhão de unidades na Fábrica de Camaçari, na Bahia, e ampliou a linha com a versão 1.6 automática. O modelo passou por várias atualizações nos anos seguintes, como uma tela multimídia e transmissão automática.

2021 Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo A Ford anuncia que vai encerrar a fabricação de automóveis no Brasil e iniciar uma reestruturação de sua operação na América do Sul, o que deve resultar na demissão de 5 mil empregados no Brasil e na Argentina. Na foto, trabalhadores parados na fábrica de Taubaté, SP, cujas operações pararam.

— A fábrica só fazia câmbio manual e não recebia investimentos há um tempo, mas ainda era uma grande empregadora. Estamos buscando a vinda de outras indústrias, especialmente chinesas, para a cidade para reduzir o impacto negativo das demissões — afirma.

O comércio da região, já afetado pelas restrições à mobilidade impostas pela pandemia, teme a queda no faturamento. 

— É uma notícia muito ruim porque a economia já está frágil. O impacto das demissões deve chegar a cerca de 5.000 pessoas e afeta negativamente o movimento do varejo e dos serviços, especialmente porque os salários dos metalúrgicos é mais alto que a média — diz Ricardo Vilhena, presidente da Associação Comercial e Industrial de Taubaté.

Rodrigo Mariotto, 42 anos com a mãe Maria Helena, comerciantes em Taubaté Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo   Vilhena estima que precisariam ser gerados mais de 2.000 empregos na cidade no setor de serviços para compensar as demissões da Ford. Ele defende o incentivo à instalação de empresas de tecnologia e a expansão do agronegócio na região para diversificar a economia local.

O presidente do sindicato dos comerciários de Taubaté, Carlos Dionísio, considera que o mercado de trabalho local não conseguirá absorver toda a mão de obra que será dispensada.

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PUBLICIDADE — Foi um ato unilateral da Ford e sem negociação com as autoridades. O comércio emprega 10 mil pessoas, mas haverá queda de receita e demissões também, e em meio à pandemia. O cenário é ruim — afirma ele.

No bairro da Estiva, historicamente habitado por trabalhadores da indústria, o clima é de tristeza. Maria Helena Mariotto, que administra uma loja de roupas há 45 anos no bairro, afirma que o negócio passa por sua pior crise.

— O movimento não estava muito bem antes da pandemia, piorou muito e agora, como a maior parte dos clientes trabalha na indústria, deve piorar ainda mais. Eu mantenho a loja porque o ponto é meu e gosto do que faço — ressalta ela.

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Ela diz ter ao menos 20 parentes que atuam ou trabalharam na planta da Ford. Apesar de a atividade na fábrica vir minguando há anos, ela diz ter tido um baque quando recebeu a notícia.

— Levei um susto, além da clientela, a maioria da minha família tem relação com a Ford. É o fim de um patrimônio de Taubaté, deixa a gente desolada.

LINK ORIGINAL: OGlobo

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