Família rebate polícia sobre morte de Kauê, no Complexo do Chapadão: 'menino trabalhador, não era bandido' - EntornoInteligente
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RIO — Um garoto de 12 anos morreu ao ser baleado por um disparo no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio. Kauê Ribeiro dos Santos foi atingido na cabeça por volta das 20h do último sábado, na Estrada do Camboatá. Na ocasião, a Polícia Militar disse que a criança era um suspeito que teria entrado em confronto com militares. A família, porém, contesta essa versão.

Agentes do 41º BPM (Irajá) faziam uma operação na região conhecida como Lote, no conjunto de favelas. No dia, a PM informou que houve confronto durante a ação e que um suspeito morreu e quatro ficaram feridos numa troca de tiros. Kauê estaria entre o grupo.

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No entanto, uma familiar da criança conta que não estava tendo tiroteio quando Kauê foi atingido.

— A polícia entrou na rua com o caveirão. Na favela, a gente sabe que quando isso acontece é para correr. O Kauê tentou correr para pular o muro, mas atiraram na cabeça dele. Depois, a PM arrastou o corpo dele pela rua até jogar dentro do caveirão — conta a parente, que preferiu se manter em anonimato.

O garoto de 12 anos foi enterrado, nesta segunda-feira, no Cemitério de Olinda, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Segundo a família, o corpo de Kauê foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, horas depois de ter sido baleado:

— Eles mataram o Kauê às oito horas da noite de sábado. Quando o corpo dele chegou no Carlos Chagas já era quase no domingo de manhã.

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Além de Kauê, outras quatro pessoas ficaram feridas durante a operação da PM; eles foram levados para o Hospital Carlos Chagas. Entre eles está Damião Silva Arruda, de 63 anos. O idoso foi transferido para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. Segundo a direção da unidade, o senhor tem estado estável.

Outro ferido é Adilson Nogueira, cuja idade não foi revelada. Ele foi transferido posteriormente para o Hospital Municipal Salgado Filho, de onde recebeu alta.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, duas vítimas que deram entrada por causa da ocorrência foram levadas para o Hospital Penitenciário. São eles Christina Matheus e Jorge Eduardo Alves.

Kauê Ribeiro dos Santos foi atingido na cabeça por volta das 20h do último sábado, na Estrada do Camboatá, no Complexo do Chapadão. Na ocasião, a Polícia Militar disse que a criança era um suspeito que teria entrado em confronto com militares. A família, porém, contesta essa versão.  

A versão da Polícia Militar No sábado, a Polícia Militar informou que o agentes do 41ºBPM (Irajá) foram acionados, na madrugada de domingo, para checar um possível roubo de carga, na região conhecida como “Lote”. No local, a corporação disse que os PMs se depararam com um grupo de indivíduos armados descarregando um caminhão.

O confronto teria começado por causa desse encontro. Após a troca de tiros, a PM disse ter socorrido cinco homens feridos na ação e os levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas. Na unidade de saúde, a corporação informou que um dos suspeitos não resistiu aos ferimentos e morreu.

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Com eles, a PM disse que foi apreendido uma pistola, 51 munições 9mm e um rádio transmissor. Essa ocorrência foi registrada na Delegacia de Vicente de Carvalho (27ª DP).

Procurada, a assessoria de Polícia Militar mandou, em um primeiro momento, a mesma nota divulgada no fim de semana. No início da noite desta segunda-feira, a PM mandou uma nova nota sobre o caso, mantendo o posicionamento. A corporação adicionou que um Inquérito Policial Militar foi instaurado pelo comando do batalhão para a pura a dinâmica do fato, em paralelo da Polícia Civil.

A Polícia Civil informou que foi registrado, na 27ª DP, o auto de prisão em flagrante de quatro pessoas e a morte de um adolescente. Os PMs presentes na ação prestaram depoimento à delegacia, e o inquérito foi levado para a delegacia de Ricardo de Albuquerque (31ª DP), que continuará com às investigações, conforme informou a corporação. A Civil não respondeu porque apenas dois dos feridos foram presos nem porque a ocorrência não foi levada para a Divisão de Homicídios da Capital (DHC).

Veja a nota divulgada pela PM: Polícia Militar:

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar esclarece que na madrugada de domingo (08/09), policiais do 41ºBPM (Irajá) foram acionados, via serviço 190, até a localidade conhecida como “Lote”, no Chapadão, a fim de checar um possível roubo de carga. No local, os policiais se depararam com um grupo de indivíduos armados descarregando um caminhão. Houve confronto. Após, os policiais socorreram cinco homens feridos na ação ao Hospital Carlos Chagas. Com eles foram apreendidos uma pistola Glock 9mm, três carregadores de pistola, 51 munições 9mm e um rádio transmissor. Um dos socorridos não resistiu aos ferimentos. Os outros quatro homens ficaram acautelados na unidade hospitalar. A ocorrência foi registrada na 27ªDP. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar pelo comando do batalhão para apurar a dinâmica do fato em paralelo com as investigações da Polícia Civil.

PUBLICIDADE Polícia Civil:

De acordo com a 27ª DP (Vicente de Carvalho) foi registrado o auto de prisão em flagrante de quatro pessoas e a morte de um adolescente. Policiais militares que estavam no local prestaram depoimento e o inquérito foi encaminhado para a 31ª DP (Ricardo de Albuquerque), que dará prosseguimento às investigações.

Sonho de ser jogador de futebol Kauê Ribeiro do Santos era morador do Complexo do Chapadão, em Guadalupe, na Zona Norte. Com mais sete irmãos, o garoto de 12 anos vendia balas e doces na rua para poder ajudar nas contas da família. De acordo com uma parente, o pai de Kauê está se recuperando de uma tuberculose e precisou ser afastado do trabalho.

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— É uma família que tem uma condição bem precária. O Kauê vendia balas para ajudar a família, era um menino trabalhador, não era bandido — contou a parente. — Foi uma fatalidade que aconteceu, ele estava lá, na hora errada, chegando com as balinhas dele.

Segundo a família, Kauê estava no 3º ano do ensino fundamental, mas já não ia a escola há alguns meses. Ele tinha o sonho de ser jogador de futebol e gostaria de ter conhecido o Neymar:

PUBLICIDADE — O sonho do Kauê era conhecer o Neymar. Ele queria muito ser jogador de futebol, ele treinava bastante para isso.

Kauê foi enterrado no Cemitério de Olinda, em Nilópolis Foto: Reprodução  

LINK ORIGINAL: OGlobo

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