EUA tentaram abater um segundo drone iraniano no Golfo Pérsico - EntornoInteligente
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WASHINGTON E TEERÃ — O Comando Central das Forças Armadas dos EUA disse nesta terça-feira que pode ter derrubado um segundo drone iraniano na semana passada na região do Estreito de Ormuz. Segundo um porta-voz do comando, duas aeronaves não-tripuladas estavam voando de “maneira agressiva” perto do navio USS Boxer, a menos de mil metros de distância. O relato é contestado pelos iranianos.

— Nós observamos um dos drones cair na água, mas não ouvimos um segundo ‘splash’ — disse o tenente-coronel Earl Brown, porta-voz do Comando.

Até agora, os militares americanos falavam em apenas um drone , derrubado usando uma tecnologia chamada Madis (Sistema Integrado de Defesa Aérea Marítima, em inglês), que usa bloqueadores para embaralhar os sistemas de comunicação da aeronave, levando a uma pane.

Na quinta-feira passada, quando foi feito o anúncio, o presidente Donald Trump disse que se tratava de “mais uma das ações provocativas e hostis do Irã”.

Mas nesta terça-feira, o próprio diretor do Comando Central, o general Kenneth McKenzie , deu detalhes sobre o segundo drone.

— Estamos confiantes de que derrubamos um drone, pode ser que tenhamos derrubado um outro — afirmou em entrevista à rede de TV americana CBS.

Até agora, o Irã nega ter perdido qualquer um de seus drones. Na sexta-feira, o governo divulgou imagens que provariam sua tese: elas mostravam o próprio USS Boxer , filmado pelo drone que os EUA dizem ter sido abatido. Analistas, porém, repararam em algo na imagem: ela trazia a data de 19 de julho de 2018. Teerã não comentou esse detalhe.

PUBLICIDADE Conflito evitado 10 minutos antes O anúncio da derrubada de um drone iraniano, ou dois, segundo os relatos desta terça-feira, ocorreu em um dos momentos mais tensos no Estreito de Ormuz em décadas. Desde a saída unilateral dos EUA do acordo sobre o programa nuclear do Irã, em 2018, e a subsequente retomada de sanções, os dois lados trocam acusações e ameaças diretas.

No episódio mais grave, o Irã derrubou um drone dos EUA , em junho, alegando que ele tinha invadido seu espaço aéreo na região do Golfo de Omã. Washington garante que ele estava no espaço aéreo internacional. Em resposta, uma operação militar, com ataques a instalações dentro do Irã, chegou a ser autorizado, mas o presidente Donald Trump mudou de ideia 10 minutos antes .

Nesta terça-feira, o conselheiro de política externa do líder supremo Ali Khamenei disse que a derrubada do drone foi um marco na “história da luta dos muçulmanos”. Ali Akbar Velayati , que foi o mais longevo chanceler desde a criação da República Islâmica, em 1979, também afirmou que os países islâmicos “estão mais fortes do que nunca”.

Crise atinge rotas marítimas Além dos drones, a crise também atinge o comércio marítimo, com boa parte da frota iraniana colocada sob sanções. No começo do mês, um desses navios, o Grace 1 , foi capturado pela Marinha britânica perto do enclave de Gibraltar . Segundo Londres, ele levava combustível para a Síria, violando sanções da União Europeia contra o país árabe. A embarcação e seus tripulantes seguem impedidos de seguir viagem ou de voltar para o Irã. A decisão enfureceu a Espanha , que pediu explicações a Londres. Khamenei chamou o incidente de ” pirataria “.

PUBLICIDADE A retaliação não demorou. Um navio britânico quase foi bloqueado por embarcações iranianas, mas conseguiu seguir viagem gracas à intervenção de uma fragata do país, o HMS Montrose . Na semana passada, porém, duas embarcações pertencentes ao Reino Unido tiveram suas rotas alteradas quando passavam pelo Estreito de Ormuz .

Uma delas, o Masdar, foi liberado pouco depois. Mas o Stena Impero foi levado ao porto de Bandar Abbas, acusado de violar as regras de navegação na área e de não responder às advertências dos iranianos. Londres e Teerã estão em contato para tentar resolver a questão.

As ameaças iranianas de fechar o Estreito de Ormuz vêm desde os anos 1980 , dos tempos da Guerra Irã-Iraque, mas nunca foram concretizadas. Porém, os europeus não parecem dispostos a correr riscos, e negociam a criação de uma força de segurança naval para proteger as embarcações comerciais que trafegam pela área. O Irã disse que ele “continua sendo” o responsável por patrulhar o estreito, e afirma que uma coalizão “vai trazer insegurança”.
LINK ORIGINAL: OGlobo

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