Escolas fechadas cobram preço alto dos jovens: renda futura deles será 8% menor, diz FMI » EntornoInteligente

Escolas fechadas cobram preço alto dos jovens: renda futura deles será 8% menor, diz FMI

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Entornointeligente.com / BRASÍLIA E RIO – O fechamento prolongado das escolas durante a pandemia trará impactos de longo prazo para a economia brasileira, com a redução da produtividade do trabalho e aumento da desigualdade, além de pressionar as finanças públicas. A avaliação é compartilhada entre especialistas em educação, organismos internacionais e o próprio governo.

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Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou estudo segundo o qual os jovens brasileiros terão, por causa do fechamento das escolas, uma queda de 8% em sua renda futura — o dobro do projetado para a região da América Latina e Caribe, de 4%.

Segundo especialistas, o governo federal deveria definir protocolos sanitários para o retorno das atividades escolares, além de abrir uma ampla discussão sobre como repor o conteúdo perdido, para reduzir a evasão escolar e a perda de produtividade no mercado de trabalho.

O coordenador da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, Naercio Menezes Filho, afirma que o fechamento prolongado será um desastre. Sem aprender, alunos deixarão a escola mais cedo, aumentando a evasão escolar.

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A redução dos anos de escolaridade impacta a inserção no mercado formal, porque, sem ensino médio completo, a chance de obter um trabalho com carteira assinada é menor. Isso reduz a produtividade e, consequentemente, o crescimento do país.

— E esses jovens todos viram “nem-nem” (nem estuda, nem trabalha). Grande parte deles vai ficar no setor informal, sem benefícios, e o governo terá de dar transferências e gastar com políticas sociais no futuro, e vai recolher menos impostos, porque eles não vão trabalhar no setor formal. É horrível não só para a sociedade, mas para as finanças públicas também — afirma Menezes Filho.

Maria Helena da Silva, de 16 anos, sempre estudou em escolas públicas do Rio. No ano passado, ela ficou sem aulas presenciais ou remotas e recebeu poucos materiais de estudo. A jovem, que sonha cursar Psicologia, teme pelo seu futuro:

PUBLICIDADE — Não fiz o 9º ano de maneira normal, então muitas coisas não consegui aprender. Acredito que quando chegar lá na frente, pode faltar conhecimento para mim.

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Ainda em 2020, os economistas Ricardo Paes de Barros e Laura Müller Machado estimaram o custo futuro de não compensar as aulas e deixar que os jovens entrarem no mercado de trabalho na idade regular, ou recomeçar o ano escolar do zero e adiar o início da vida laboral. A segunda opção causa menos perdas à economia.

Nas contas da dupla, a perda de renda de alunos da edução básica com entrada no mercado de trabalho mantida e perda de um ano letivo seria equivalente a 23% do PIB, ou R$ 1,483 trilhão. Caso esse ano letivo fosse reposto, adiando o início da vida laboral, essa perda cairia para 5,3% do PIB, ou R$ 350 bilhões.

Para Menezes Filho, a forma mais eficaz de evitar esses custos é ampliar o gasto público em educação agora. Sua sugestão, que ele admite ser ousada, é que os estudantes cursem dois anos ao mesmo tempo: em um turno, as aulas do ano em que estariam matriculados, e em outro, um reforço com o conteúdo do ano perdido na pandemia.

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— Se você puser na ponta do lápis, vale muito mais a pena dobrar a carga horária dos alunos em pelo menos um semestre agora do que incorrer em todos esses riscos no futuro — argumenta.

Efeitos podem ir até 2038 O governo reconhece o risco econômico. “Escolas fechadas hoje causam um país mais pobre amanhã. E esse amanhã deve perdurar por quase duas décadas”, alerta o Boletim Macro Fiscal do mês de março, da Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia.

“Esse efeito deve durar por aproximadamente 15 anos após o término da pandemia, possivelmente até 2038, até que todo esse corte da população que está sofrendo hoje com a paralisação das aulas entre no mercado de trabalho.”

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O assessor especial da SPE Rodrigo Mendes Pereira destacou na época que os principais efeitos serão a queda no PIB, a redução da produtividade e o aumento da desigualdade social, porque o impacto da pandemia na educação não é homogêneo:

— Há uma correlação forte entre renda familiar e a existência de condições materiais para a aula remota. Você precisa ter internet, computador, celular, um ambiente adequado. É perfeitamente razoável supor que o prejuízo será maior para as crianças mais pobres. Se projetar no longo prazo, a expectativa é que isso se reflita em maior desigualdade de renda.

PUBLICIDADE Para Menezes Filho, o governo poderia ter atuado de forma mais eficiente, estabelecendo diretrizes sobre quantidade de alunos por sala, ventilação de ambientes e avaliação das condições para retomar as aulas:

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— Grande parte das redes municipais é muito pequena e não tem capacidade de gestão para organizar protocolos, busca ativa de alunos. O governo federal poderia ter entrado com essas prescrições.

( Colaborou Gabriela Medeiros, estagiária, sob a supervisão de Danielle Nogueira )

LINK ORIGINAL: OGlobo

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