Escândalo do Facebook: entenda como dados pessoais foram obtidos por empresa de marketing político - EntornoInteligente

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NOVA YORK e LONDRES – O Facebook se vê mais uma vez envolvido em uma polêmica por causa da maneira como lida com os dados de seus usuários. No último fim de semana, veio à tona que informações pessoais de participantes da rede social foram vendidas e usadas pela Cambridge Analytica, empresa de mineração e análise de dados para campanhas políticas. A consultoria assessorou a equipe do hoje presidente americano Donald Trump durante a disputa presidencial de 2016 nos Estados Unidos.

Na origem do vazamento dos dados está um teste feito por usuários do Facebook, com perguntas sobre personalidade que permitiam construir um perfil dos internautas. O teste foi feito por apenas 270 mil usuários do Facebook, mas acabou dando acesso a informações de 50 milhões de internautas.

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Segundo especialistas, o caso coloca em dúvidas o modelo de negócios do Facebook, já que um possível aumento na regulação sobre acesso aos dados dos usuários pode restringir também a capacidade de a rede social obter receitas.

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O QUE ACONTECEU?

A Cambridge Analytica teve acesso aos dados de 50 milhões de usuários do Facebook de uma maneira que enganou tanto essas pessoas quanto a própria rede social, segundo reportagens dos jornais “New York Times” e “London’s Observer”.

As informações foram coletadas a partir de um aplicativo desenvolvido pelo acadêmico Aleksandr Kogan chamado “thisisyourdigitallife”, que oferecia aos usuários previsões do futuro segundo informações de personalidade publicadas na rede social. O aplicativo funcionava como um teste de personalidade, um quiz com perguntas e respostas que permitia construir um perfil de cada um.

Cerca de 270 mil pessoas fizeram o download do aplicativo e se conectaram com suas senhas do Facebook. Só que o programa conseguiu ter acesso não só aos dados desses usuários, mas também de seus amigos. Com isso, alcançou informações de 50 milhões de usuários.

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Quem fez o teste deu consentimento para o compartilhamento de suas informações e foi avisado que os dados poderiam ser usados para fins acadêmicos. Só que não sabia nem dava autorização para o acesso aos dados de seus amigos.

Pessoas passam pelo prédio da Cambridge Analytica no Centro de Londres. Foto: Henry Nicholls/Reuters Em seguida, esses dados foram vendidos para a Cambridge Analytica, segundo informações tanto da Cambridge Analytica quanto do Facebook. Só que o Facebook proíbe que dados obtidos junto aos seus usuários sejam vendidos ou transferidos “para qualquer rede, corretor, ou outros serviços ligados a publicidade”. Ou seja, não permite o tipo de transação que ocorreu entre o aplicativo e a Cambridge Analytica.

Além disso, desde 2016, as regras do Facebook são claras ao não permitir que aplicativos e empresas que usam o ambiente da rede social tenham acesso aos dados de amigos dos usuários com os quais interagem.

QUE TIPO DE DADO FOI OBTIDO?

As informações que foram repassadas do aplicativo para o Cambridge Analytica incluíam detalhes das identidades dos usuários do Facebook e de seus amigos, mas principalmente os “likes” de cada um. A ideia era construir o perfil e as preferências de cada um e dessa maneira conseguir atingir uma audiência maior para anúncios digitais. Há relatos ainda de informações sobre a localização dos usuários.

QUEM DENUNCIOU?

Uma das fontes de informações sobre o caso é Christopher Wylie, que trabalhou na coleta dos dados e denunciou as informações ao “New York Times”:

— As regras não importam para eles. Isso é uma guerra e tudo é justo — afirmou Wylie, sobre a Cambridge Analytica, onde trabalhou até 2014. — Eles querem lutar uma guerra cultural na América. A Cambridge Analytica deveria ser o arsenal de armas para lutar esta guerra.

COMO O FACEBOOK REAGIU?

Quando o Facebook soube da violação, removeu o aplicativo e exigiu que todos os dados coletados dos usuários fossem destruídos. Essa exigência ocorreu em 2014, mas até agora as informações recolhidas não teriam sido apagadas, segundo denúncia feita aos jornais. Já a Cambridge Analytica alega que não sabia inicialmente que Kogan (o criador do aplicativo) tinha violado os termos do Facebook, mas que apagou os dados em 2015, quando soube da violação.

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O Facebook afirmou na segunda-feira que contratou uma empresa de investigações digitais para determinar se esses dados ainda estão disponíveis e que a Cambridge Analytica teria concordado com a revisão.

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, ainda não se pronunciou sobre o escândalo.

O QUE PODE ACONTECER AGORA?

Diferentes autoridades já alertaram que o caso alerta para os riscos à privacidade dos usuários do Facebook. E a empresa pode ter que enfrentar novas exigências legais e mudar sua atuação em diferentes países do mundo.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, afirmou no Twitter que o caso mostra “uma violação inaceitável dos direitos de privacidade dos nossos cidadãos” e que “o Parlamento Europeu vai investigar a questão”. Autoridades britânicos já buscam autorização para buscar documentos na sede da Cambridge Analytica em Londres.

Escândalo do Facebook: entenda como dados pessoais foram obtidos por empresa de marketing político

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