Equívoco: respirar ar poluído só afecta os pulmões

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Nove em cada dez pessoas no mundo respira ar exterior poluído , segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os pulmões são os órgãos mais afectados: a inflamação do tecido pulmonar, a asma e até o cancro do pulmão podem estar associados à exposição duradoura da poluição atmosférica. Infelizmente, a poluição alcança muitos outros tecidos do corpo.

Estima-se que 4,5 milhões de pessoas tenham morrido prematuramente em 2019 devido à exposição do ar fora de casa, segundo um estudo publicado The Lancet Planetary Health nesta terça-feira. Os elementos mais relevantes que constituem esta poluição são as partículas sólidas, o ozono (O3), o dióxido de azoto (NO2) e o dióxido de enxofre (SO2). Apesar de o monóxido de carbono (CO) também ser um gás muito perigoso, o seu risco está associado a ambientes fechados. O O3, o NO2 e o SO2 atacam especialmente os pulmões, promovendo asma e outras doenças pulmonares.

São as partículas sólidas as grandes responsáveis por levarem a poluição atmosférica a outros tecidos. Elas são compostas por sulfatos, nitratos, amónia, cloreto de sódio, fuligem, poeira mineral e água, e estão suspensas no ar.

Sabia que… …cerca de 99% da população mundial respira ar com níveis de poluição que estão acima do valor de referência da Organização Mundial da Saúde.

Existem partículas de vários tamanhos, as mais perigosas são as que têm um diâmetro abaixo dos 2,5 micrómetros, as PM 2,5. Estas partículas finas atravessam a barreira dos pulmões e entram na corrente sanguínea. Já se encontraram minerais de magnetite em cérebros humanos. Estes minerais, libertados pelos carros na combustão, não só passam dos pulmões para o sangue, como atravessam a barreira hematoencefálica e penetram no cérebro.

Há provas fortes de que a exposição crónica às PM 2,5 contribui para o risco de doenças cardiovasculares , além do cancro do pulmão e outras doenças pulmonares. Mas várias investigações preliminares têm associado a exposição destas partículas a problemas neuro-degenerativos como as doenças de Alzheimer e de Parkinson, à diminuição da qualidade do esperma nos homens, ao aumento dos nascimentos prematuros , entre outros problemas.

Por isso, é um equívoco pensar-se que a poluição do ar afecta apenas os pulmões, o que a ciência vai sugerindo é que afecta todo o organismo.

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