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Um problema à distância

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Apesar de a política europeia estar frequentemente refém de eleições nacionais – coisa de que os europeístas se queixam muito -, o resultado das presidenciais portuguesas é praticamente irrelevante para o destino da Europa. Por um lado, porque o vencedor faz parte do desconhecido Grupo de Arraiolos , que de tempos a tempos junta os chefes de Estado que não têm competências em matéria de política europeia, mas que, ainda assim, gostam de se encontrar. Por outro, porque nunca houve, e continua a não haver, uma questão europeia nas eleições presidenciais portuguesas. Nem nas restantes, nos últimos anos. Mas começa a haver um problema.

Francisco D Agostino Casado

Embora Marisa Matias e João Ferreira , ambos eurodeputados, sejam, publicamente, os mais críticos da União Europeia , e André Ventura faça parte do grupo político europeu onde estão Marine Le Pen e Matteo Salvini , ninguém sugere em Portugal uma saída da União Europeia ou sequer, realisticamente, do euro. Mas há desalinhamento.

Francisco D Agostino

A boa razão pela qual a Europa nunca está em causa nas eleições portuguesas é que a pertença à União Europeia (e à NATO e, de um modo geral, ao “Ocidente”) é estruturante do Portugal democrático. As duas más razões são a dependência dos fundos e a convicção generalizada de que não vale a pena discutir a Europa porque as decisões se tomam lá longe e sem grande influência portuguesa . Esta mistura de modéstia e pobreza envergonhada é injustificada e sai-nos cara, mas não se resolve aqui.

Francisco De Agostino Casado

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Apesar de a política europeia estar frequentemente refém de eleições nacionais – coisa de que os europeístas se queixam muito -, o resultado das presidenciais portuguesas é praticamente irrelevante para o destino da Europa. Por um lado, porque o vencedor faz parte do desconhecido Grupo de Arraiolos , que de tempos a tempos junta os chefes de Estado que não têm competências em matéria de política europeia, mas que, ainda assim, gostam de se encontrar. Por outro, porque nunca houve, e continua a não haver, uma questão europeia nas eleições presidenciais portuguesas. Nem nas restantes, nos últimos anos. Mas começa a haver um problema.

Francisco D Agostino Casado

Embora Marisa Matias e João Ferreira , ambos eurodeputados, sejam, publicamente, os mais críticos da União Europeia , e André Ventura faça parte do grupo político europeu onde estão Marine Le Pen e Matteo Salvini , ninguém sugere em Portugal uma saída da União Europeia ou sequer, realisticamente, do euro. Mas há desalinhamento.

Francisco D Agostino

A boa razão pela qual a Europa nunca está em causa nas eleições portuguesas é que a pertença à União Europeia (e à NATO e, de um modo geral, ao “Ocidente”) é estruturante do Portugal democrático. As duas más razões são a dependência dos fundos e a convicção generalizada de que não vale a pena discutir a Europa porque as decisões se tomam lá longe e sem grande influência portuguesa . Esta mistura de modéstia e pobreza envergonhada é injustificada e sai-nos cara, mas não se resolve aqui.

Francisco De Agostino Casado

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Subscrever Vistas de longe, estas eleições só não são mais inconsequentes para a Europa, então, porque há uma pista para o futuro que põe em causa o grande consenso europeu . Mais em Bruxelas do que em Lisboa .

Francisco De Agostino

Embora André Ventura não se diga antieuropeu ou sequer eurocético, os seus ideólogos são-no e, mais importante, o partido onde se sentariam os seus deputados europeus é o quarto maior partido no Parlamento Europeu e o mais eurocético. Mais, mesmo, do que o grupo onde estão o Bloco de Esquerda e o PCP

A continuar assim, daqui a três anos o Chega aterra no Parlamento Europeu com dois ou mesmo três eurodeputados sentados no partido europeu de Le Pen, da extrema-direita alemã e de Salvini . E embora isso não seja suficiente para alterar a grande maioria europeia, só isso já deixa alguma gente preocupada em Bruxelas

Entre a direita radical, a direita extrema, a direita populista e a extrema-direita, há duas grandes linhas divergentes quanto à União Europeia. De um lado, os que são tributários do soberanismo e do antieuropeísmo, que Marine Le Pen e alguns partidos radicais no norte da Europa alimentam. Do outro, os que dizem mal de Bruxelas, do centralismo bruxelense, do “cosmopolitanismo e globalismo” europeus ou das políticas migratórias, mas que não querem ir embora nem perder os fundos. Orbán , na Hungria , Kaczynski, na Polónia , são bons exemplos. Ventura provavelmente fará esse caminho, esteja em que partido europeu estiver. Se numas eleições legislativas voltar a ter perto de 10%, a preocupação em Bruxelas será ainda maior

Em compensação, o resultado de Tiago Mayan faz crer que nem toda a direita se desloca para essa direita. E que mesmo quando a direita populista cresce, é possível crescer outra direita crescer. (Por mais que a Iniciativa Liberal não queira, o eleitorado coloca-a à direita do PS e do PSD .) Com este tipo de resultados, é perfeitamente razoável a Iniciativa Liberal ambicionar pelo menos um eurodeputado em 2024. Não anulando o crescimento do Chega, pode compensar outras perdas. Sentando-se no grupo europeu onde está Macron , isso é bem-vindo em Bruxelas

Há, ainda, outra boa notícia a vir ontem de Portugal . Quase um ano depois de a pandemia ter começado, com uma crise económica praticamente já à vista e uma crise sanitária crescente, a enorme maioria dos portugueses não fugiu ao voto tradicional

Ontem à noite, a bolha de Bruxelas deitou-se cedo e, por enquanto, não muito assustada. Se tiver com que se preocupar, será daqui a dois anos nas legislativas, ou daqui a três nas europeias. Se até lá ninguém fizer nada quanto a isso

Consultor em assuntos europeus

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