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EntornoInteligente | Depois de Tóquio, Daniel Dias quer ser 'influencer digital' e chegar ao Comitê Paralímpico Internacional

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Se adiar, você adia sua aposentadoria?

Não vou adiar. Essa é a minha última temporada e por isso estou muito na torcida para que os Jogos aconteçam. Quero me despedir na piscina

Daniel Dias, de 32 anos, tem uma marca registrada. O sorriso. O nadador paralímpico, que nasceu com má formação congênita nos membros superiores e na perna direita, distribui sorrisos por onde passa. Tanto nos torneios, em que sempre sobe ao pódio, como nas palestras motivacionais, já vistas por 63 mil pessoas. O maior nadador paralímpico do mundo, que soma 24 medalhas em Paralimpíadas, sendo 14 de ouro, anunciou na rede social que se aposentará nos Jogos de Tóquio, entre 24 de agosto e 5 de setembro.

Ele confessa ao O Globo que quer se tornar influencer digital, além de tentar carreira na política esportiva e passar mais tempo com a esposa Raquel e os filhos Asaph, Daniel e Hadassa.

Nesta entrevista, ele conta sobre a construção de sua marca, sua vontade de trabalhar no Comitê Paralímpico Internacional (IPC), a polêmica reclassificação funcional, que lhe tirou cinco recordes mundiais, e sobre Tóquio. Se tudo der certo, após nadar mais de 12.760 km somente em treinos, sua última braçada será vai ser do outro lado do mundo.

Por que anunciou a aposentadoria via Instagram?

Desse jeito, pude comunicar a todos de uma só vez. Quem me acompanha recebeu a notícia em primeira mão. Foi um convite a todos a sorrir comigo nesta última temporada.

Há três anos você tem uma logomarca pessoal. E recentemente passou a postar conteúdos de auto ajuda e imagens com a família nas redes sociais. Quer ser um ‘influencer digital’?

Esse é um dos projetos. Criei uma marca que tem tudo a ver comigo pensando na aposentadoria. Fiz faculdade de marketing e agora vou conseguir me dedicar mais à minha marca e ao que ela simboliza.

PUBLICIDADE O que ela simboliza?

É um “D”, com elementos como água, escamas, touca e o sorriso. Tudo junto, como num vitral. No meu nome, o “A” não é completo, mas ao mesmo tempo dá para entender que é a letra A. Uma simbologia de mim mesmo. Sou deficiente físico mas o público nem lembra disso quando olha minhas conquistas. Tenho feito palestras e conto uma história que foi base para esta logomarca. Um sorriso transformou a minha vida e a da minha família, num momento de dificuldade.

Qual sorriso?

O meu. Meus pais não esperavam ter um filho com deficiência. A verdade é que ninguém espera. Minha mãe tinha 17 anos quando eu nasci, prematuro e fui direto para a incubadora. Antes mesmo do sexo, ela soube que eu não tinha os braços e uma perna. Eles não me pegaram no colo, de cara, porque precisei de cuidados especiais. Quando minha mãe se recuperou do parto foi ao meu encontro e quando me viu disse: “A mamãe está aqui”. Eu sorri para ela. Ali, segundo ela me contou, quando eu já tinha 18 anos, não reparou na falta dos membros. Ela fixou no sorriso. Passamos a viver dia após dia, com a minha mãe me pedindo coisas como se eu não tivesse limitações. É isso, sorrir para a vida, acreditar em você mesmo.

PUBLICIDADE Quem da sua família mais te incentivou a se aposentar?

Esta decisão foi muito pensada. Sempre tive apoio dos meus pais e da minha esposa. E comecei a perceber que estava perdendo muitos momentos dos meus filhos. Entendi que, após 17 anos de carreira, minha missão na natação já foi cumprida e vou encerrá-la em Tóquio. Quero viver outro ciclo da minha vida. Quero que meus filhos tenham também uma memória diferente de mim, além da natação. De um papai presente, indo levá-los ou buscá-los na escola, estudando com eles, essas coisas. Eles ficaram tão alegres nesse período em que ficamos isolados em casa… Foi um privilégio ver a evolução deles na escola.

Então a pandemia ajudou nesse decisão?

Contribuiu, mas eu já estava disposto a me aposentar desde 2018.

Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Daniel Dias (@danieldias88)

Foi o ano das novas regras de classificação funcional implementadas pelo IPC (Daniel perdeu cinco dos oito recordes mundiais conquistados, ao ser colocado para nadar ao lado de atletas que teriam menor grau de deficiência).

Por incrível que pareça, não teve peso. Mas não me furto de comentar esse tema. A natação está passando por um momento complicado. Como explicar que em 2016 eu tinha oito recordes mundiais (50m livre, 100m livre, 200m livre, 50m costas, 50m borboleta, na classe S5, de deficiência motora) e hoje só tenho três (200m medley, 100m costas e 100m peito), porque duas provas não constam mais do programa paralímpico (200m medley e 100 costas)? Perdi as marcas porque atletas com deficiência mais branda do que a minha estão comigo na mesma classe. E, claro, eles tem melhores tempos.

PUBLICIDADE Você acha possível recuperar seus recordes em Tóquio (disputará os 50m livre, 100m livre, 50m costas e 50m borboleta, além do revezamento misto 50m livre)?

Sendo bem sincero, é muito difícil de alcançar. Sei que posso evoluir, não vou me desmotivar, mas é muito tempo para ganhar. Hoje, o chinês que foi ouro em 2016, na classe acima da minha, nos 50m livre (Qing Xu, na S6), está nadando próximo dos 29 segundos, fez 30s11 na última competição (tem o recorde mundial com 28s57). Eu tenho 31s83. Não tem como explicar o que ele está fazendo na minha classe. Ele tem as duas pernas e eu não (ele perdeu os braços em acidente de carro). Então, vou tentar entregar a minha melhor versão em Tóquio. Tenho metas de tempo, mas são minhas e não costumo divulgá-las.

Daniel Dias anunciou aposentadoria para depois dos Jogos de Tóquio. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo Não é frustrante encerrar a carreira assim?

Fico chateado com tudo o que aconteceu. Sei da minha capacidade como atleta. Não é que eu piorei meus tempos e veio um atleta e me superou. Ao contrário, no último Mundial, em 2019, fiz o melhor tempo da minha vida nos 50m livre (31s83). A reclassificação nos prejudicou. E eu não sou o único.

Mas a reclassificação não é algo frequente no esporte paralímpico como forma de atualização?

PUBLICIDADE Sim. Fiquei chateado mas não quer dizer que sou contra. A reclassificação funcional precisa melhorar. E não foi o que aconteceu. Está mais subjetiva. O Comitê Paralímpico Brasileiro fez estudos e mostrou ao IPC que existia muita diferença de desempenho dos atletas acomodados na mesma classe.

Você diz que, aposentado, poderá ajudar mais fora das piscinas. O que pensa em fazer?

Dar voz aos atletas.

Mas hoje o presidente (Mizael Conrado), vice (Yohansson Nascimento) e presidente do conselho fiscal do CPB (Edênia Garcia) são ex-atletas. Além disso você integra o Conselho Nacional de Atletas e a Assembleia Geral da entidade…

Você está falando do Brasil. Temos acesso e somos ouvidos. O grande problema é o IPC.

Você é amigo de Andrew Parsons, presidente do IPC, ex-presidente do CPB. Se ele te oferecer um cargo, aceitaria?

Pode me chamar que eu vou!

Falando de Tóquio, como a pandemia atrapalhou a sua preparação?

Me senti um peixe fora d’água, literalmente. Com as piscinas fechadas, não pude treinar. Foi um momento bem difícil. Mantive a parte física em casa e meus filhos me ajudaram. Eram meus pesos para a musculação (risos). Consegui voltar ao cronograma de treinos em agosto, de forma regular e com um monte de regrinhas para manter os protocolos de higiene e distanciamento social. Não tive Covid-19, pelo que eu saiba.

PUBLICIDADE Você acha que a Paralimpíada vai acontecer nesse contexto atual?

Espero que aconteça. Estive no Japão em 2018 e vi como o país estava se preparando para receber os Jogos. Tudo voltado para o evento. Acho que está difícil e não sei como será realizada. Seria impressionante depois de tudo o que passamos como mundo.

Se adiar, você adia sua aposentadoria?

Não vou adiar. Essa é a minha última temporada e por isso estou muito na torcida para que os Jogos aconteçam. Quero me despedir na piscina.

A Paralimpíada reune atletas com algumas questões de saúde mais delicadas…

Acho que qualquer decisão será tomada pensando em todos. O evento tem de ser seguro para todos.

Você acha que os atletas devem ir vacinados?  Você vai mesmo sem estar protegido?

Eu quero ir! Seria importante todos estarem vacinados, atletas, treinadores, estafe, organizadores… Quem sabe em esquema “bolha”. Porque acho que com público é mais difícil. Hoje as competições estão acontecendo assim, sem torcedores.

O que faltou numa carreira tão bem sucedida… além dos recordes, agora inválidos?

PUBLICIDADE (risos). Falta Tóquio! Sinceramente e não me leve a mal, acho que não faltou nada. Fui além do que imaginei. Por isso estou em paz com a minha decisão.

Essa será a sua quarta Olimpíada e tão diferente das outras. Que marca esses Jogos deixarão na história?

Esperança de dias melhores. Os Jogos tem toda essa energia de superação, de vencer obstáculos, limites.

Para você será uma Olimpíada de sorrisos ou de lágrimas?

De mais lágrimas e de emoção. Não de tristeza. Sei que para mim, vai ser difícil. Quero sorrir bastante mas sei que vou chorar muito.

Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Daniel Dias (@danieldias88)

Não perca a conta: * Considerando Jogos ParapanAmericanos, são trinta e três medalhas, sendo todas de ouro, em trinta e três provas disputadas.

* Em Mundiais de Natação, acumula quarenta medalhas, sendo trinta e uma de ouro.

* É ainda o maior nadador medalhista paralímpico do mundo com vinte e quatro medalhas no total, sendo catorze de ouro.

* Considerando Paralimpíadas, Mundiais e Jogos Parapan-Americanos tem 97 medalhas.

* Ele ganhou ainda três vezes o prêmio Laureus como o atleta com deficiência do ano.

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