Encontro nacional de "cidadania" contra minas de lítio a céu aberto - EntornoInteligente
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O primeiro encontro nacional de “cidadania” junta este sábado em Vila Nova de Cerveira sete partidos com assento parlamentar, representantes de câmaras do distrito de Viana do Castelo e associações ambientalistas para alertar para os perigos da exploração mineira a céu aberto. No caso, contra o lítio.

Na manhã deste sábado, no cineteatro de Vila Nova de Cerveira ouviram-se os testemunhos dos cidadãos que dão o rosto aos movimentos e associações do Minho, a Trás-os-Montes, das Beiras ao Alentejo. As primeiras informações sobre a “febre do lítio” surgiram pela comunicação social e apanharam as populações de “surpresa”, que informalmente, na maioria casos através redes sociais, fizeram acordar o “dever de cidadania” em defesa de “aldeias, do mundo rural, de património ambiental, e da qualidade de vida de quem habita os territórios”.

Com cerca de uma centena de pessoas na assistência, ouviu-se falar numa luta “desigual”, entre cidadãos e “gigantes que prometem milhões pelo petróleo branco fornecido pela Arábia Saudita da Europa”, que levou à constituição de movimentos e associações. Cada movimento contou as suas experiências e a “uma só voz” apontaram a “união” como único caminho a percorrer no combate à “catástrofe, tragédia ou ataque brutal” da exploração mineral. Recusaram ainda que as suas regiões ganhem a designação de “El Dourado” do lítio.

Manifestação em Lisboa “Não às minas” Entre os participantes, ouviram-se apelos à participação na manifestação nacional marcada para dia 21, em Lisboa, intitulada “Não às minas – Contra a febre da mineração em Portugal”. Ficou ainda o repto para a constituição e formalização do Movimento de Intervenção Nacional pelo Ambiente (MINA).

Este mês, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, disse que, dos 12 territórios identificados em Portugal, foram excluídos três, por se encontrarem em “zonas sensíveis ou em parques naturais ou áreas protegidas”, pelo que ao concurso para a prospeção de lítio vão apenas nove lotes. Daqui, referiu, “resultará uma atividade de prospeção com regras ambientais extraordinariamente apertadas e qualquer passagem para a exploração é uma passagem que será sempre precedida de uma avaliação de impacto ambiental”.

Nas intervenções deste sábado, o poder autárquico e o Governo não ficaram isentos de culpas num processo que consideram de “contornos pouco claros, numa cabala que está a ser constituída em torno do lítio”. A “falta de transparência, de acesso a informação independente, a desinformação, a ausência de diálogo e de envolvimento com as populações, os interesses financeiros incomensuráveis” foram as principais críticas tecidas aos processos de mineração previstos para várias zonas do país.

O lítio é um tema polémico em Portugal. De um lado estão os que temem os prejuízos ambientais resultantes da exploração e do outro os que defendem o lítio como energia de futuro, o investimento e os postos de trabalho.

A procura mundial pelo lítio, usado por exemplo na produção de baterias para automóveis ou telemóveis, está a aumentar e Portugal é reconhecido como um dos países com reservas suficientes para uma exploração comercial economicamente viável.

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