Dívida mundial fixa novo recorde de 320% do PIB - EntornoInteligente
Entornointeligente.com /

O endividamento global não para de subir. No final do primeiro semestre deste ano, a dívida mundial – englobando famílias, empresas, sector financeiro e Estado – atingiu um novo máximo de 250,9 biliões de dólares (€228 biliões).

Este nível de endividamento gigante representa um rácio recorde de 320% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo o relatório publicado em Washington esta sexta-feira pelo Institute of International Finance (IIF), a organização do sector financeiro privado mundial.

Em relação ao primeiro semestre do ano passado, o endividamento aumentou 7,3 biliões de dólares (€6,6 biliões). As economias emergentes foram o ‘motor’ de emissão de nova dívida, representando 63% daquele aumento. Em segundo lugar, as economias pobres do planeta, com uma contribuição de 33% para a subida.

O IIF estima que a dívida global deverá atingir 255 biliões de dólares (€231 biliões) no final do ano, subindo o rácio para 325% do PIB mundial.

A dívida pública global – que tem estado em destaque depois da crise na zona euro e com a situação muito crítica na Argentina (que recebeu o maior resgate de sempre por parte do Fundo Monetário Internacional) – pesa 87,7% do PIB mundial, menos do que a dívida das empresas (92% do PIB).

Seis economias destacam-se por registarem níveis de endividamento público acima de 100% do PIB: Japão (227,9%); Líbano (153,1%); Singapura (113,8%); Reino Unido (105%); Zona Euro (100,8%); e EUA (100,5%). No relatório do IIF, a zona euro surge em agregado. Portugal deverá fechar 2019 com um rácio de 119,3% do PIB, abaixo da Grécia (que lidera) e de Itália.

Vulneráveis à emergência climática O nível recorde de endividamento global coloca problemas ao financiamento do combate à emergência climática, chama, pela primeira vez, à atenção o IIF, que calcula que o investimento anual necessário para cumprir as metas em 2050 deverá cifrar-se entre 3 e 3,5 biliões de dólares (€2,7 a 3,2 biliões).

O relatório refere quatro países desenvolvidos com níveis de dívida global acima de 320% do PIB que vão estar mais expostos ao risco climático e com fraca margem de manobra para enfrentar o desafio: Japão, Singapura, Estados Unidos e Coreia do Sul.

Clubes de risco O relatório destaca, ainda, um ‘clube’ de oito países e um espaço de moeda única (zona euro) com os níveis de endividamento por sector – famílias, empresas, sector financeiro e Estado – mais elevados em percentagem do PIB.

Hong Kong, Japão e Reino Unido estão entre os líderes em três sectores. Estados Unidos e Zona Euro em dois sectores. E Coreia do Sul (famílias), China (empresas), Chile (empresas) e Líbano (governo) entre os líderes num sector.

Acima de 200% do PIB situam-se Hong Kong no endividamento das famílias e Japão no endividamento público.

O risco é também elevado em algumas economias que estão mais endividadas em moeda estrangeira, seja por via das empresas (Hong Kong e Turquia), Estado (Argentina, que regista atualmente um risco de bancarrota de 100%) ou sector financeiro (Hong Kong e Singapura) e que enfrentam desacelerações do crescimento ou mesmo contrações económicas.

Perfil da dívida da zona euro Sublinhe-se, finalmente, que o endividamento da zona euro é mais acentuado no sector financeiro (122,4% do PIB), empresas (107,8%) e Estado (100,8%). Nas famílias, é inferior a 60%.

No conjunto, o espaço da moeda única regista um endividamento de 389% do PIB.

Em termos relativos, a situação do Japão é pior, com um nível de 536,1%, e a do Reino Unido também, com 441,4% do PIB. Ainda no ‘clube’ das maiores economias, os EUA registam 325,8%, a China 304% e o Brasil 200% do PIB. A Índia regista o peso de dívida mais baixo neste grupo, de 127,5% do PIB.

LINK ORIGINAL: expresso

Entornointeligente.com

Adscoins

Nota de Prensa VIP

Smart Reputation