"Deveriam ter em conta o risco da população infetada" » EntornoInteligente

“Deveriam ter em conta o risco da população infetada”

_deveriam_ter_em_conta_o_risco_da_populacao_infetada_.jpg

Entornointeligente.com / Odemira é um dos quatro concelhos que recuam no plano de desconfinamento devido à incidência de covid-19. Porque é que os números subiram tanto?

Iniciámos uma testagem massiva há duas semanas, fomos às empresas e temos um centro de testes da Cruz Vermelha com o objetivo de quebrar as cadeias de transmissão. É natural que os números cresçam, mas não nos devemos assustar, devemos atuar em articulação com as empresas, não só da agricultura como do comércio e de outros serviços.

Manifestou desacordo em relação aos critérios que definem as medidas de confinamento…

O número de infetados face ao número de habitantes leva a que se tirem conclusões erradas, se tivessem em conta outros critérios, poderíamos continuar a desconfinar. A nossa população vinha a diminuir desde 2011, uma vez que é envelhecida e não tem sido compensada com nascimentos. Nos últimos anos, têm afluído não só portugueses como estrangeiros, que vêm trabalhar sobretudo para a agricultura. No final de março, estavam inscritos 10 mil imigrantes na Segurança Social e, no pico das colheitas, aumentam em 50 %. Entre abril e junho são 15 mil na agricultura.

É essa afluência que justifica esta subida no número de infetados?

A situação da pandemia agravou-se entre a população local e entre os migrantes. Denota o afluxo de entradas e de circulação destas comunidades. Alguns residem aqui, vão trabalhar para outras campanhas, para o Algarve e outras zonas do Alentejo, também para Lisboa. Há dificuldade em controlar a situação sanitária, até porque muitos deles estão a trabalhar em empresas de trabalho temporário e de prestação de serviços que os colocam em vários sítios. E com esta testagem massiva é natural que os números subam, mas estamos otimistas face ao risco da população.

O que é que quer dizer?

A nossa interpretação dos números com as autoridades de saúde é que o risco não é elevado face ao número de infetados. É uma população maioritariamente jovem e as situações graves são praticamente inexistentes.

Quais deveriam ser os critérios?

Os critérios para decidir o confinamento, ou desconfinamento, deveriam ser alterados e ter em conta o risco da população infetada. Temos um número elevado de infetados, mas a taxa de letalidade é das mais baixas do país [1,15 óbitos por infetados, metade da taxa global, 2,4]. Temos a população de alto risco vacinada e a que está infetada é de baixo risco. Administrámos mais de 2500 vacinas no grupo dos mais de 80 anos e de risco elevado. As pessoas que estão nos lares estão vacinadas e estamos a vacinar os de risco elevado.

O crescimento exponencial demográfico que problemas traz?

Este crescimento resulta numa maior pressão sobre os equipamentos e serviços públicos, que a nível central até diminuíram. O reforço tem sido dos serviços municipais. Mas os principais problemas são a falta de habitação e as acessibilidades, que não estão ajustadas à oferta local. A rede viária é de há 50 anos e tem-se degradado face ao aumento de tráfego.

Mas o custo da habitação está ao nível de Lisboa…

A habitação não é da responsabilidade de quase ninguém e os promotores não dispõem de infraestruturas. A iniciativa privada é escassa e foi destruída com a crise imobiliária de 2008-2011. A oferta de habitação é escassa e dispendiosa. Se tivéssemos mais 1500 fogos, estariam ocupados.

Muitos vIvem em péssimas condições…

Afluem milhares de pessoas e ficam instalados em condições não condignas, alguns em quartos, o que denota fragilidade nesta área.

Quartos partilhados onde chegam a pagar 150 euros mensais por cabeça, T2 pequenos por 700 euros… não se pode combater a especulação?

Em Portugal não há legislação que limite o número de ocupantes de uma habitação em face da tipologia. Apenas nas situações em que é posta em causa a saúde pública é que se pode atuar. É possível alugar um T2 a oito ou dez pessoas.

E exigir os contratos de arrendamento?

A maioria dos senhorios faz contrato de habitação, o que deveria ser legislado é o número máximo de residentes por tipologia . E há habitações precárias nas quintas, contentores, rulotes, etc., e que, em alguns casos, não respeitam as condições mínimas.

O que é que a autarquia tem feito para combater essa situação?

A câmara tem integrado equipas de fiscalização da saúde pública quanto às condições de habitação que nos chegam ao conhecimento. As soluções é que são sempre débeis. Construir habitações não é operacional em poucos dias, ao passo que, a nível da atividade económica, todos os dias há novas iniciativas que exigem mais trabalhadores.

Quando é que se iniciou esta pressão demográfica?

Odemira sempre teve 12% de estrangeiros, maioritariamente originários da Europa, sempre foi multicultural. De há oito anos para cá, a agricultura cresceu muito, sobretudo a hortifruticultura e os frutos vermelhos, o que fez com que viessem muitos imigrantes. É o quarto concelho da região ao nível da população e somos o maior do país em área, mas o território está muito dispersa. Tem 80 aglomerados, mas um terço está junto à faixa litoral. O setor agrícola cresceu vertiginosamente e também o turismo. O rendimento per capita duplicou (900 euros).

E a realidade imigrante?

Esse é outro problema. Pode haver uma noção aproximada de quantos imigrantes aqui vivem, mas não se consegue ter o controle de quantos são exatamente e de quanto tempo vão ficar cá.

LINK ORIGINAL: Diario Noticias

Entornointeligente.com

URGENTE: Conoce aquí los Juguetes más vendidos de Amazon www.smart-reputation.com

Cafecito Informativo

Smart Reputation

Noticias de Boxeo

Boxeo Plus
Boxeo Plus
Repara tu reputación en Twitter con Smart Reputation
Repara tu reputación en Twitter con Smart Reputation

Adscoins

Smart Reputation

Smart Reputation