Demolição de bairro ilegal em Cascais ameaça 19 famílias - Cidades - Correio da Manhã - EntornoInteligente
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Mais de três dezenas de habitações clandestinas podem vir abaixo no centro histórico de Tires – são quase meia centena de moradores (44) sem alternativa ao despejo no Beco Nossa Senhora da Graça. No início do mês, 19 famílias foram notificadas: ou o senhorio parte para obras estruturais ou o bairro é demolido. Mas o proprietário já admitiu que não vai avançar. A 6 de agosto termina o prazo para a adaptação das habitações à lei. Maria Semedo, 82 anos, vive no número 1 do Beco há 52 anos. “A proximidade do despejo assusta-me. Tira-me a vontade de tudo”, confidencia. Foi das primeiras a chegar, em 1967. “O sofrimento do meu filho – de quem fui enfermeira – foi todo aqui. Como o meu neto, morreu-me nos braços. E tenho aqui todas estas lembranças. Não quero sair”. No interior da “casinha em condições”, em que afirma ter gastado três mil contos [quase 15 mil euros], justifica a recusa. “O meu filho morreu aqui neste bocadinho, percebe?” indica, apontando para o sofá. Os vizinhos são sobretudo idosos, desembolsam entre 10 e 250 euros por mês em renda, mas “mais de metade não a paga há mais de um ano”, revela Vítor Fonseca, proprietário. “Obras? É impossível, não há dinheiro. E é impossível reconstruir, tendo em conta as normas atuais, as 33 casas que hoje existem. Não há espaço”, defende o senhorio. A Câmara de Cascais argumenta que o proprietário “foi intimado há mais de dois anos”, ordem que ignorou “num desrespeito pela lei e pelos moradores que nunca foram informados”. A autarquia “criará sempre soluções para estes moradores”, promete. DEPOIMENTOS José Revés 57 anos, morador há 30 anos “Fico a viver dentro de um carro com os meus pais?” “A minha mãe está acamada, o meu pai com 82 anos. Para onde os vou levar? Fico a viver dentro de um carro com os meus pais? Se me derem um tecto, saio. Caso contrário, fico até ao fim, haja o que houver.” Josefa dos Remédios 79 anos, moradora há 52 anos “Não me importo de sair para uma casinha melhor” “Quando cheguei o chão era de barro e as paredes estavam esfoladas. Não sabia que a casa não tinha licença de construção. Gastei muito dinheiro aqui. Não quero mais nada senão uma casa para morar. Não me importo de sair para uma casinha melhor.” Albino Mano 84 anos, morador há 56 anos “Estou triste, o futuro é um ponto de interrogação” “Vim para aqui com 26 anos, com três filhos menores. Foi aqui, no Beco, que, com 57, me reformei. O futuro é um ponto de interrogação. Estou muito triste com a mudança. Não sei para onde ir.” Continuar a ler
LINK ORIGINAL: Correio da manha

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