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Crematórios lotados sugerem grave subnotificação de mortes por Covid-19 na Índia

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Entornointeligente.com / As imagens que surgiram essa semana nas televisões indianas pareciam ter sido tiradas de um filme de horror: crematórios em cidades de todos os portes da nação de 1,3 bilhão de habitantes funcionando 24 horas por dia, cremando milhares de corpos de vítimas da Covid-19, em uma representação trágica da segunda onda da pandemia. A Índia registra 16,2 milhões de infecções, com uma média móvel de infecções diárias acima de 200 mil há uma semana.

Contudo, chama a atenção o número de óbitos por Covid-19 confirmados diante de tantas infecções: 186 mil, desde o início da pandemia. Para efeito de comparação, a Índia tem uma média móvel de 281,7 mil novos casos diários confirmados – quatro vezes maior que o Brasil, com 60,2 mil. Sua média móvel de mortes diárias, no entanto, representa 70% da brasileira: 1.802 contra 2.579.

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Essa questão foi levantada ainda em setembro do ano passado em artigo na revista Lancet, quando pesquisadores apontaram para o baixo índice de confirmações médicas da causa da morte, não apenas em casos de Covid-19, mas de forma geral.

— Entre os óbitos confirmados no sistema de registro civil, apenas 22% foram certificadas por um médico e apontam a causa da morte —declarou ao Lancet Giridhara Babu, epidemiologista na Fundação de Saúde Pública da Índia.

Na época, a Índia registrava 3,6 milhões de casos e 65 mil mortes, sendo que 65% dos óbitos vinham de apenas quatro estados, Maharashtra, Tamil Nadu, Karnataka e Delhi, onde todas as mortes são certificadas por um médico. Por outro lado, algumas regiões não apresentavam qualquer caso confirmado.

Essa disparidade aparece ainda na comparação entre o total de mortes por Covid-19 e o número de cremações — em algumas áreas, como na cidade de Jamnagar, no estado de Gujarat, há 100 vezes mais cremações por coronavírus relatadas do que óbitos oficiais pela doença, como mostrou levantamento feito pelo Financial Times.

Mortes x cremações na Índia Foto: Editoria de Arte  

O jornal também mostra que, entre seis cidades de quatro estados — Gujarat, Uttar Pradesh, Madhya Pradesh e Bihar —, pelo menos 1.833 pessoas morreram de Covid-19 nos últimos dias com base nos dados de cremações, mas só 228 (12,4%) foram oficialmente contabilizadas no mesmo período.

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Outro fator apontado é a qualidade dos testes, que dificulta uma comparação nacional dos cenários regionais. À revista Lancet, Rijo John, analista de saúde pública no Centro de Pesquisas de Políticas Públicas em Kerala, destacou a disparidade entre os modelos, incluindo alguns conhecidos pela grande quantidade de “falsos negativos”.

— Tudo é muito obscuro. Parece que ninguém entende a situação de maneira clara, e isso incomoda muito — afirmou a professora de bioestatística e epidemiologia na Universidade de Michigan Bhramar Mukherjee, à Reuters.

Segundo pesquisa realizada por ela sobre a primeira onda da doença, o número real de casos na Índia foi 11 vezes maior do que os números oficiais. Sobre os óbitos, até cinco vezes maior, uma tendência que parece se repetir agora.

‘É difícil olhar’ Desde fevereiro, especialistas e autoridades da saúde alertam para a iminência de uma segunda onda. Ao mesmo tempo, o governo federal não parecia tão preocupado.

— Estamos na fase final da pandemia da Covid-19 na Índia, e para termos sucesso nesta etapa precisamos seguir três passos: manter a política longe da Covid-19, acreditar na ciência por trás das vacinas da Covid-19 e garantir que nossos entes queridos sejam vacinados na hora — declarou o ministro da Saúde, Harsh Vardham, sem fazer qualquer menção a práticas de distanciamento social ou sobre um eventual lockdown.

PUBLICIDADE A declaração veio no dia 7 de março, quando a Índia registrava 18 mil casos diários — cerca de seis semanas depois, o cenário era bem diferente. Com mais de 300 mil infecções por dia, o sistema de saúde indiano entrou em colapso , com falta de insumos básicos, como oxigênio. As filas de espera para vagas em UTIs e enfermarias aumentam a cada dia, e as autoridades sanitárias dos locais mais atingidos, como a capital, Nova Delhi, foram obrigadas a ampliar a capacidade dos crematórios.

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Jitender Singh Shunty, que dirige uma clínica em Delhi, disse que 60 corpos foram cremados em um só dia, e ainda havia 15 outros esperando.

— Crianças que tinham 5 anos, 15 anos, 25 anos sendo cremadas. Recém-casados sendo cremados. É difícil olhar — declarou Shunty à Reuters, em palavras que se repetem pelo país e que aumentam as questões em torno dos números reais da pandemia e do papel do governo central na crise.

Para analistas, as ações (ou a falta delas) por parte do premier Narendra Modi foram determinantes para que a segunda onda atingisse o país com tanta força. Sem defender medidas duras e nacionais, como um lockdown, Modi não atuou para evitar grandes aglomerações, como em festivais religiosos e mesmo comícios de seu partido, ou mesmo para defender o uso de máscaras.

PUBLICIDADE Palavras como a do ministro Vardham contribuíram ainda para passar a ideia de que a pandemia estava no fim, e a população foi deixando os cuidados de lado. O ritmo de vacinação também se mostra mais lento do que o ideal, ampliando uma crise que deve ter impactos políticos ao premier.

— O primeiro ministro é o responsável. Ele não fez nada para parar a Covid nem deixou outras pessoas fazerem algo para pará-la — declarou à CNN Mamata Banerjee, ministra-chefe no estado de Bengala Ocidental. Ela defende abertamente a renúncia de Narendra Modi.

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LINK ORIGINAL: OGlobo

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