Com crise, famílias deixam creche e voltam a contratar domésticas - EntornoInteligente

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RIO – Uma creche de Botafogo, na Zona Sul do Rio, exemplifica as dificuldades vividas pelas escolas particulares nos anos de recuo da atividade econômica: o número de alunos hoje é 30% inferior ao do período pré-crise. A perda de alunos, principalmente por estabelecimentos de educação infantil, está diretamente ligada a outro fenômeno da recessão: o aumento do número de trabalhadores domésticos à procura de emprego. Como consequência, os salários caíram e esse grupo se tornou alternativa mais barata à creche. De acordo com o dado mais recente do IBGE, do último trimestre do ano passado, o rendimento médio real do trabalhador doméstico estava em R$ 852, o mesmo valor do período pré-crise.

— Caiu o número de empregadores, enquanto o de mulheres se oferecendo para o trabalho cresceu muito. Muitas sem experiência alguma. São ex-operadoras de caixa, ex-repositoras, ex-trocadoras de ônibus. Antes, eu não empregava nenhuma por menos de um salário de R$ 1.500. Hoje, se uma família oferece R$ 1 mil, eu encaminho — conta Marco Aurélio Carvalho Di Calafiori, dono de uma agência de empregos especializada nessa mão de obra no Rio há mais de 30 anos.

Ele conta que nunca teve tantas mulheres em seu banco de profissionais: mil inscritas.

MAIORIA NA INFORMALIDADE

Enquanto o salário mínimo do empregado doméstico no Rio é de R$ 1.136,53, a mensalidade de uma creche na Zona Sul pode chegar a R$ 3 mil. Para reverter o quadro de perda de alunos, a creche de Botafogo reajustou as mensalidades em apenas 4%, frente aos 11% de 2017.

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Segundo o IBGE, no fim do ano passado havia 6,4 milhões de pessoas empregadas como domésticas, babás ou diaristas — 4,5 milhões na informalidade. Em relação ao fim de 2013, quando esse contingente atingiu seu mínimo histórico (5,97 milhões), a alta é de 7% ou mais 430 mil pessoas. Nesse mesmo período, o total de pessoas ocupadas em todas as funções ficou praticamente estável (+0,2%).

A moradora de Japeri Maria Clara Silva, de 51 anos, está desde janeiro buscando trabalho como doméstica. Experiência não falta, mas ela nunca teve a carteira assinada nessa função e, atualmente, isso é um empecilho. Não exerce desde 2013, quando perdeu o emprego porque a família para a qual trabalhava se mudou para outro estado. À época, com o mercado de trabalho aquecido, preferiu empregos com carteira. Foi recepcionista, operadora de caixa e, mais recentemente, auxiliar de serviços gerais em um hospital. Saiu do emprego no ano passado, porque não conseguia mais conciliar com o curso técnico de Enfermagem que havia iniciado em 2011. Levou seis anos para fazer a capacitação que tinha duração de dois.

— Está muito difícil conseguir emprego. Pelo que minhas colegas comentaram, agora domésticas têm de fazer tudo: lavar, passar, cozinhar e até cuidar das crianças, e os salários não crescem — disse Maria Clara, enquanto aguardava uma agência abrir na manhã na última sexta-feira.

Com crise, famílias deixam creche e voltam a contratar domésticas

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