Cartas ao director

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O custo de vida dos portugueses Segundo um estudo da seguradora inglesa CIA Landlord, Lisboa é a terceira cidade mais cara no mundo para se viver. Ora, num momento em que o Estado português recebe monumentais verbas do PRR e em que o Governo se diz, como qualquer outro, preocupado com a melhoria do nível de vida dos portugueses, este nada faz quanto a uma das maiores causas (senão a maior) da queda do nível de vida da esmagadora maioria dos cidadãos nacionais. Falo do preço do imobiliário, aqui incluindo o preço do arrendamento, que vê os seus valores definidos por factores externos, ou seja, pela capacidade de investidores estrangeiros comportarem valores bastante acima daquilo que seria expectável e natural no mercado nacional, simultaneamente descaracterizando não só as cidades mas, mais grave, o tecido social que cria a própria cidade. Vivemos, assim, com ordenados de país pobre mas com preços da habitação de país rico. No que toca ao problema do Alojamento Local, que era evidente desde a primeira hora, só se tomaram medidas com o estrago consumado. Parece que a história se repete, mas com consequências bastante mais fundas na sociedade, se nada for feito a brevíssimo prazo.

Luís Silva, Lisboa

Dois candidatos A Igreja Católica fala de «três pessoas distintas e um só Deus verdadeiro». Nas eleições do PSD, agora, serão dois candidatos «iguais» e dois «deuses» verdadeiros. No caso dos primeiros – Moreira da Silva e Luís Montenegro – a igualdade advém de ambos terem sido vice-presidente do partido/ministro do governo e presidente do grupo parlamentar do PSD de Passos Coelho, respectivamente. Mas não só. O inquérito comum que o PÚBLICO lhes fez e é vertido na edição de ontem, mostra bem as parecenças. Não em coisas de pormenor (gostos em filmes, livros, etc.), mas em estrutura de pensamento. Aponto dois exemplos. Ambos entendem que «os homens e mulheres da vida deles» são os pai/mãe, irmãos/irmãs, esposas, filhas/filhos. E em relação ao aborto e eutanásia, igualmente ambos votaram contra as leis, mas… ambos entendem que, agora, convivem bem com a lei do aborto e são tendencialmente contra a – sempre vetada pelo Presidente da República – lei da eutanásia que, a existir… necessitaria de um referendo prévio.

O que lhes desejo? Que um dia, mais preclaro, venham a dizer duma lei da eutanásia o mesmo que dizem agora da do aborto e que escolham alguém fora da famiglia para os influenciar no pensamento pois sempre significaria maior abrangência de espírito e não estereótipos de resposta.

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

Os vendedores de armas Manuel Carvalho em «O lado selvagem da América» (edição de 25 de Maio) conclui que os EUA têm coisas muito boas e coisas muito más, a propósito do recente massacre numa escola no Texas, análise essa que julgo todos nós podemos subscrever. E cita o Presidente Biden quando este se interroga e pergunta: «Porque é que continuamos a deixar isso acontecer?», oferecendo de seguida a resposta: «Porque a política tornou-se refém de lobbies poderosos e interesses pérfidos.»

O mesmo raciocínio podia e devia ser aplicado aos EUA e aos seus governos, que se tornaram reféns do poderoso lobby da indústria de armas, o poderosíssimo military industrial complex. Foi um presidente americano, Dwight D. Eisenhower quem, no seu discurso de despedida (1961), denunciou o poderio desmesurado da indústria de armamento do seu país, que ele designou por military industrial complex e alertou para a sua perniciosa e corruptora influência junto do governo. Desde então, os EUA têm estado envolvidos em mais conflitos armados pelo mundo fora do que todos os outros países juntos.

Para nosso mal, e não só nosso, os americanos não deram ouvidos ao seu próprio presidente e nós hoje, na Europa, somos quem mais sofre com essa falta de escrutínio. A meu ver, nós hoje estamos, em grande medida, nas mãos dos vendedores de armas. E o mais triste é que nem disso nos apercebemos.

Ronald Silley, Canadá

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